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Doutrina

OS DOIS CONCERTOS


A ALIANÇA ETERNA

O pecado de Adão, resultou em miséria e morte para seus descendentes, de acordo com as Escrituras."O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor" Romanos 6:23. Somente um ser com a mesma substancia de Deus. "O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas" Hebreus 1:3. Somente o Filho, poderia resgatar a humanidade da morte pagando o preço exigido pela transgressão da Lei. Cabe ressaltar, que o Plano de Redenção foi elaborado antes da queda do homem. Esse plano não foi elaborado unicamente para Israel, que na verdade nem existia na elaboração do Plano, mas, para toda a humanidade. Com efeito, a forma que Deus escolheu para salvar a humanidade foi à aliança divina, primeiramente com Adão (Aliança Adâmica), com a seguinte promessa de Deus: "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" Gênesis 3:15. Essa aliança é conhecida teologicamente como aliança protoevangelho, ou seja, o primeiro anuncio do evangelho. Em que Cristo vencerá Satanás. Satanás tenta picar a mulher, fazendo os servos de Deus pecar, alimentando a natureza pecaminosa, ao passo, que Cristo, esmaga a cabeça da serpente, alimentando seu rebanho com sua natureza divina, habilitando-os a amar e obedecer aos mandamentos de Deus. Segundo os escritos de Paulo. "E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo de seus pés a Satanás" Romanos 16:20.

Após o dilúvio o Senhor estabeleceu aliança com Abraão (Aliança Abraâmica), é uma aliança de graça, firmada com uma promessa."Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê uma benção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra" Gênesis 12:1-3. Por certo, o Senhor prometeu a Abrão, que sua descendência seria inumerável. "Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade" Gênesis 15:5. No entanto, até este momento Abrão em idade avançada, não tinha filhos, então o Senhor lhe assegurou uma aliança eterna: "Estabelecerei a minha aliança como aliança eterna entre mim e você e os seus futuros descendentes, para ser o seu Deus e o Deus de seus descendentes" Gênesis 17:7. E o Senhor cumpriu a sua promessa. "Ao filho que lhe nasceu, que Sara lhe dera à luz, pôs Abraão o nome Isaque" Gênesis 21:3. Alhures (em outro lugar), abordamos o tema em tela, de que a descendência de Abraão não se limitava a Israel literal. O Senhor prometeu ser o Deus de Abraão e de seus descendentes, na verdade o Criador estava se referindo a um descendente de Abraão em particular, Cristo, o Messias prometido, neste momento, o Senhor estava anunciando antecipadamente o Evangelho a seu servo fiel. E que os gentios seriam abençoados, fariam parte da semente de Abraão, portanto seriam herdeiros segundo a promessa. "É o caso de Abraão, que creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, prenunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. De modo que os da fé são abençoados em Abraão" Gálatas 3:6-9.

De acordo com escritos de Paulo, as promessas feitas a Abraão, estavam direcionadas a um único herdeiro."Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falasse de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo" Gálatas 3:16. Portanto, "Se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiro segundo a promessa" Gálatas 3:29. "Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão" Gálatas 3:7. Todos (Judeus e Gentios) que pela fé fazem parte da linhagem da Abraão, serão considerados povo de Deus, mormente os gentios, que o Senhor resgatou das trevas para sua maravilhosa luz, "Expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome" Atos 15:14. O evangelho foi previamente anunciado por Deus à Abraão, "Ora, tendo as Escrituras previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos" Gálatas 3:8. Já preconizava que os verdadeiros adoradores e descendentes de Abraão não seriam os da carne, mas, pelo espirito e pala fé, os que temem ao Senhor em qualquer nação. "Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, lhe é agradável aquele que o teme e faz o que é justo" Atos 10:34-35. Paulo, foi o apóstolo dos gentios e foi comissionado pelo próprio herdeiro de Abraão, Cristo, com a seguinte função: "Para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim" Atos 26:18.

Jesus disse que a salvação vem do judeu, no entanto, Ele se refere aos judeus espirituais e não os da carne,"Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores" João 4:22-23. Paulo ratifica as palavras proferidas pelo Mestre, quando também ensina que nem todos os de Israel, são de fato, israelitas, que os verdadeiros israelitas e herdeiros da promessa são pela fé em Cristo e não pela carne, vejamos: "E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa" Romanos 9:6-8. Os descendentes de Abraão, também chamado de resto de Jacó, estarão no meio de muitos povos, "O restante de Jacó estará no meio de muitos povos, como orvalho do Senhor, como chuvisco sobre a erva, que não espera pelo homem, nem dependem dos filhos dos homens" Miquéias 5:7.

Com efeito, os servos do Senhor confiam no seu Deus, e aguardam seu socorro, pois o Senhor prometeu socorrer a descendência de Abraão, os que pela fé em Cristo, se arrependem e confessam seus pecados,"Pois ele, evidentemente, não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão" Hebreus 2:16. que estão espalhados entre os povos, e são conhecidos por serem a linhagem bendita do Senhor, "E sua posteridade será conhecida ente as nações, e a sua descendência no meio dos povos; todos os que vierem, os conhecerão logo, por serem a linhagem que o Senhor abençoou" Isaías 61:9. Estes, são os que guardam os mandamentos de Deus e tem a fé em Jesus; segundo Apocalipse 14:12, o apóstolo João faz uma referência aos remanescentes, a igreja dos últimos dias, que guardam os mandamentos de Deus, estatutos, preceito e leis, assim como Abraão, sustentados pela natureza divina de Cristo (tem a fé em Jesus), ou seja, só é possível amar e obedecer a Deus e sua Lei, se o crente nascer de novo, for renovado pela natureza divina de Cristo em substituição da nossa natureza pecaminosa. Vislumbra-se, que o Senhor ao confirmar sua aliança com Isaque, ele menciona que Abraão foi eleito pai da fé, e sua descendência herdeiros da promessa: "Porque Abraão obedeceu à minha palavra e guardou os meus mandamentos, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis" Gênesis 26:5. Logo, fica evidente, que o Senhor não isentou a descendência de Abraão em Cristo Jesus, da obediência a sua santa Lei, Cristo, veio para instilar sua natureza divina nos corações de seus servos, habilitando-os a guardar os mandamentos de Deus por Amor.


A CIRCUNCISÃO DO CORAÇÃO

O Senhor havia firmado aliança com Abraão, confirmada através da circuncisão na carne."Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: Todo macho entre vós será circuncidado" Gênesis 17:9-10. O propósito de Deus ao determinar a circuncisão era conservar os hebreus como povo separado e livre da contaminação idolatra dos povos pagãos, Abraão obedeceu aos mandamentos, estatutos, preceitos e a lei de Deus, como resultado de uma sólida aliança com seu Criador, segundo White (1989), A ele (Abraão) foi dado o rito da circuncisão, que era um sinal de que os que o recebiam eram dedicados ao serviço de Deus __ garantia de que permaneciam separados da idolatria e obedeceriam à lei de Deus (Patriarcas e Profetas, pág. 377), mesmo nos dias do antigo Israel, o Senhor já iluminava os hebreus de que a circuncisão verdadeira é no coração,"Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz" Deuteronômio 10:16. "Guardai-vos não suceda que o vosso coração se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos prostreis perante eles" Deuteronômio 11:16. Este concerto foi estabelecido pela fé. O Senhor prometeu que a circuncisão dos descendentes de Abraão não seria na carne, mas, no coração imputando natureza divina, porém, o propósito seria o mesmo, conservar seu povo separado do paganismo e habilita-los a amar e obedecer ao Senhor, "O Senhor, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o Senhor, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma para que vivas" Deuteronômio 30:6.

Haja vista, que Israel não cumpriu a aliança firmada com o Senhor, qual seja, a circuncisão na carne, por confiar na justiça própria, na natureza pecaminosa, caíram no formalismo, então, o Senhor os repreendeu"Circuncidai-vos para o Senhor, circuncidai o vosso coração, ó homens de Judá e moradores de Jerusalém, para que o meu furor não saia como fogo e arda, e não haja quem apague, por causa da malícia das vossas obras" Jeremias 4:4. Qual a função da circuncisão para os descendentes de Abraão em Cristo, os remanescentes? Paulo faz esta indagação. "Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão?" Romanos 3:1. Com certeza, encontramos a resposta quando o dito apóstolo diz: "E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que creem, estando ele também na incircuncisão; a fim de que também a justiça lhe seja imputada" Romanos 4:11. Nos ditos de Paulo e escritos da lavra de Waggoner, Elliet J. Carta aos Romanos, “Se nos lembramos de que a circuncisão foi dada como sinal da justiça pela fé, e que a herança prometida a Abraão e sua semente foi segundo a justiça da fé; compreenderemos que a circuncisão era a garantia (ou hipoteca) dessa herança. O apóstolo declara também que obtemos a herança em Cristo. “Tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade...” (Efésio. 1:10-14). A possessão prometida a Abraão e à sua semente foi assegurada tão-somente mediante o Espírito de justiça; portanto, desde o princípio não existiu circuncisão autêntica que não fosse a do Espírito”. Ou seja, a circuncisão em Cristo, a imputação de sua justiça no coração do crente aperfeiçoando-o, "Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade. Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio e mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo" Colossenses 2:10-11.

O despojamento da carne, significa, a remoção da justiça própria, a natureza pecaminosa e substituição pela natureza divina, cujo sinal é representado pela circuncisão em Cristo. A circuncisão deveria ter o mesmo significado tanto ao ser dada quanto em qualquer momento subsequente. Logo, desde o princípio, significou justiça da fé: "Ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça" Gênesis 15:6. Nos ditos de Jeremias, O Senhor Justiça Nossa, (Jeremias 23:6). Cristo o único e verdadeiro descendente de Abraão, que segundo o plano de Redenção, vai substituir nossa natureza pecaminosa por sua natureza divina, aperfeiçoando o pecador penitente reconciliando-o com Deus. Destarte, está claro que o coração que não foi contemplado pela justiça de Cristo (natureza divina), o sinal da circuncisão, não está com o coração circuncidado, certamente não será selado pelo anjo escrivão. A única forma de manter a igreja imaculada, separada do mundo e dos ritos do paganismo é adquirindo a justiça de Cristo, se Cristo habitar no coração do crente com seu Espírito, com certeza haverá renovação, amor e obediência ao Criador e a sua lei. Não podemos cometer o erro dos judeus. Complementa WAGGONER, Os judeus cometeram o equívoco de pensar que era suficiente ter o sinal (da circuncisão na carne). Chegaram finalmente a dar guarida à ideia de que a posse do sinal traria a realidade, precisamente do mesmo jeito que muitos professos cristãos de nossos dias supõem que o cumprimento de certas ordenanças os fará membros do corpo de Cristo e participantes de sua justiça. Porém, a circuncisão da carne por si só não pode representar a justiça (natureza divina), mas o pecado original (natureza pecaminosa), quando sustentada por mero formalismo. De fato, os judeus desprezavam os gentios, achando que eram incircuncisos, não tinham o sinal na carne, na verdade nem precisavam, segundo o concilio de Jerusalém. "Pois pareceu bem ao Espirito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais" Atos 15:28. no entanto, eles eram circuncidados no coração, aceitando Cristo e sua justiça, ressurgiram nova criatura, "Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura" Gálatas 6:15. Enquanto os judeus se perderam porque foram circuncidados apenas na carne, e não foram circuncidados no coração, recebendo a justiça de Cristo, morreram afogados em sua justiça própria.

O apóstolo Paulo, ensina que a circuncisão na carne não nos torna verdadeiro judeu, o verdadeiro judeu é no espirito e a verdadeira circuncisão é a do coração."Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus" Romanos 2:28-29. Os termos aqui empregados, pelo apóstolo Paulo, “circuncisão” e” incircuncisão” não tem o condão de abordar ritos ou sua ausência, mas para referir-se a duas classes de pessoas. A incircuncisão se refere, sem sombra de dúvidas, aos gentios, adoradores de outros deuses. "Antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão. Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios" Gálatas 2:7-8. O fato do crente ser ou não circuncidado na carne não é relevante, mas, sim a circuncisão do coração por Cristo. "Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo" Colossenses 2:11. Cristo habita no coração de seus servos, os remanescentes, assim conseguem guardar os mandamentos de Deus. "Ser circuncidado nada significa, e ser incircunciso não significa nada; o que significa alguma coisa é guardar os mandamentos de Deus" I Coríntios 7:19. Porque aqueles que não são circuncidados no coração por Cristo, resistirão ao Espirito Santo e a verdade, e não guardarão os mandamentos de Deus. "Homens de dura cerviz e incircunciso de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espirito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis" Atos 7:51. A circuncisão do coração é salutar e de vital importância para a igreja de Deus, vimos que a circuncisão na carne para nada aproveita, no entanto, a circuncisão do coração por Cristo, possibilita ao crente receber natureza divina para obedecer aos mandamentos de Deus. Esses são os verdadeiros circuncidados. "Porque nós somos os circuncisos, nós que adoramos pelo Espírito de Deus e que fazemos do Messias Jesus nossa confiança! Não confiamos em qualificações humanas" Filipenses 3:3. Por fim, Concluímos que o fato da circuncisão significar um sinal e um selo da justiça de Cristo, ficou evidente que os crentes circuncidados no coração por Cristo, são aqueles que o amam e guardam os seus mandamentos, logo, não anulamos a lei pela fé, muito menos ela fora abolida porque a circuncisão e a justificação é pela fé em Cristo, na mesma esteira, Paulo preconiza: "Visto que Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão. Anulamos, pois, a Lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei" Romanos 3:30-31.


A ANTIGA ALIANÇA

Vamos encetar o presente estudo abordando a aliança sinaítica (no Sinai), haja vista, que alhures, analisamos a aliança do Senhor de Adão até Abraão. O Tratado de Teologia Adventista, assim define a aludida aliança:

A aliança sinaítica, celebrada no contexto da redenção do cativeiro egípcio (Êxodo 19:4; 20:2), continha as providências sacrificais divinas para a expiação e o perdão de pecado. Também era uma aliança de graça e uma reiteração das principais ênfases contidas na aliança abraâmica, incluindo a relação especial de Deus com seu povo
O Tratado de Teologia Adventista, (2011), pág. 311

A lei codificada no Sinai, é a mesma lei mencionada pela primeira vez nas Escrituras, quando o Senhor fez uma revelação de sua vontade a Isaque em Gerar: "Porque Abraão obedeceu à minha palavra e guardou os meus mandamentos, os meus preceitos, os meus estatutos as minhas leis" Gênesis 26:5. Segundo assertivas do Tratado de Teologia adventista (2011). Guardar a lei, da mesma forma que Abraão guardou, significava aderir a Jeová, à sua pessoa, às suas instruções e a sua vontade. Para Abraão, a aliança e a lei de Deus eram uma só e estavam em harmonia. Abraão não guardava as revelações e as instruções divinas de maneira acidental ou esporádica, mas de forma voluntária, por amor. A promessa de Deus feita a Isaque foi confirmada a Jacó por decreto e a Israel, por aliança perpétua (I Cro 16:17; cf 14-18). E quando veio o Messias prometido, a aliança e a lei ficavam vinculadas a Cristo por toda a eternidade, "Mas digo isto: Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a invalida, de forma a abolir a promessa" Gálatas 3:17.

A importância da lei, bem como sua validade; baseiam-se na vontade de Deus. A aliança exigia obediência a Deus, já que a lei era a expressão de sua vontade e a base de sua aliança. Assim, quando o povo se esqueceu do único Deus, que expressou sua vontade na lei, e passou a obedecer à lei como um conjunto de princípios formais de conduta ou ordenanças cultuais, Deus enviou seu profeta para dizer:"Eles transgrediram a minha aliança e rebelaram contra a minha lei" Oséias 8:1. Obediência destituída de amor a Deus é rebelião. As Escrituras mencionam duas alianças: A antiga e a nova aliança, analisaremos a príncipio a antiga aliança.

Quando Israel foi libertado do Egito, foram conduzidos por Moisés ao monte Sinai, até aqui, a aliança e os ensinamentos dos mandamentos do Senhor eram passados de pai par filho oralmente, no Sinai, o pacto ou aliança de Deus com Israel foi codificado com a seguinte proposta: "Tendo partido de Refidim, vieram ao deserto do Sinai, no qual se acamparam; ali, pois, se acampou Israel em frente do monte. Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardares a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa" Êxodo 19:2;5-6.

Ouvindo os termos da aliança, todo o povo aceitou e se comprometeu em obedecer ao Senhor, assim responderam: "Tudo o que o Senhor falou faremos" Êxodo 19:8. Ao ratificar sua aliança com seu povo Israel, o Senhor entregou a Moisés os dez mandamentos escritos com seu próprio dedo (Êxodo 20), a aliança foi estabelecida, com escopo de mostrar exatamente como o povo da aliança, a nação santa deveria viver, em estrita obediência aos mandamentos, preceitos e leis do Criador. Evitando contaminações, e absorver praticas das nações pagãs. "Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem andeis nos seus estatutos. Fareis segundo os meus juízos e os meus estatutos guardareis, para andares neles. Eu sou o Senhor vosso Deus" Levítico 18:3-4. A aliança sinaítica celebrada por Deus com Israel, foi a primeira aliança codificada, estava vinculada a guarda dos dez mandamentos, estatutos e juízos, tal como ele havia firmado uma aliança verbal com Abraão em (Gên, 26:5), conforme preconiza as Escrituras, "Então, vos anunciou ele sua aliança, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra. Também o Senhor me ordenou, ao mesmo tempo, que vos ensinasse estatutos e juízos, para que os cumprísseis na terra a qual passais a possuir" Deuteronômio 4:13-14.

Os hebreus deveriam cumprir a aliança firmada no Sinai, obedecendo os mandamentos, estatutos, preceitos e a leis de Deus com amor, segundo a exigência divina. "Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor requer de ti? Não é que temas o Senhor, teu Deus, e andes em os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, para guardares os mandamentos do Senhor e os seus estatutos que eu hoje te ordeno, para o teu bem?" Deuteronômio 10:12-13. No entanto, Israel não atentou para este particular, inundando-se em formalismo e justiça própria, destarte, Israel não obedeceu ao pacto firmado com o Criador, guardando a lei apenas para cumprir dever e não por amor, essa foi a causa da fragilidade desta aliança que veio a fracassar, por isso Paulo disse: "Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justificação, vieram a alcança-la, todavia, a que decorre da fé; e Israel, que buscava a lei de justiça, não chegou a atingir essa lei. Por quê? Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras. Tropeçaram na pedra de tropeço" Romanos 9:30-32. Em Cristo os gentios alcançaram as promessas firmadas por Deus com Abraão, porque, não confiavam em sua justiça, mas, no redentor. "Jesus, o Messias, fez isto para que, em união com ele, os gentios pudessem receber a benção anunciada a Abraão a fim de que, mediante a confiança e a fidelidade pudéssemos receber o que fora prometido, isto é, o Espirito" Gálatas 3:14. Ao passo, que Israel tentou alcançar a justiça pelas obras, pelo formalismo, pelo cumprimento de dever legalista, tentaram o impossível, homem algum é capaz de obedecer a lei desvinculado da fé no redentor, Cristo Jesus. Ademais, a justiça pela fé é a base dos ensinos de Moisés sobre a obediência da lei e a todos os fundamentos do Antigo Testamento, assim como é a base dos ensinos de Paulo no Novo Testamento.

É cediço, que a obediência a lei nunca deve ser dissociada da primazia de um relacionamento de fé entre Deus e seu povo. Quando isso ocorre, a obediência está vinculada a justiça própria, o homem tentando obedecer por seu próprio esforça, por sua capacidade humana ou justiça própria, a qual o Senhor reprime como imundície."Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo de imundícia" Isaías 64:6. Para Deus, o esforço humano dissociado da natureza divina do Messias, não passa de trapo de imundícia, ou seja, é a natureza pecaminosa herdada de Adão (pecado original), que na verdade nos separou do Criador. "Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça" Isaías 59:2. Quando a obediência da lei é sustentada por justiça própria, o esforço humano, divorciado da fé, da natureza divina, a lei não pode alcançar sua finalidade de levar à vida ao servo do Senhor, em vez de vida, receberá a morte espiritual e distanciamento do Senhor e de sua verdadeira doutrina, "O Senhor nos ordenou cumpríssemos todos estes estatutos e temêssemos o Senhor, nosso Deus, para o nosso perpétuo bem, para nos guardar em vida, como tem feito até hoje" Deuteronômio 6:24. "E o mandamento que fora para a vida, verifiquei que este mesmo se me tornou para morte" Romanos 7:10. este foi o motivo do apostolo Paulo escrever aos gálatas alertando-os do perigo da obediência legalista da lei, ou como ele chamou pelas obras da lei, os tais, estão em maldição, porque ao tentar fazer isso, negam e rejeitam a justiça do Messias, porque a única forma do homem obedecer a lei de Deus, é pela fé e pelo amor compelido pela natureza divina que nos é imputada. "Pois todo aquele que confia na observância legalista dos mandamentos da lei vive sob maldição, porque está escrito: Maldito todo aquele que não persiste em praticar todas as coisas escritas no livro da lei. É evidente que ninguém será declarado justo por Deus mediante o legalismo, porque a pessoa que é justa obterá a vida mediante a confiança e a fidelidade" Gálatas 3:10-11. Nesta esteira, Paulo faz uma equiparação entre a aliança do Sinai e a maldição ou escravidão em outras traduções, mencionada no aludido texto em Gálatas. A aliança do Sinai não era um sistema de maldição ou escravidão, para aqueles que amavam e obedeciam ao grande Legislador acobertado pela fé no Redentor, livres da justiça própria, obras da lei. Originalmente ela repousava sobre a realidade de Deus redimir Israel do cativeiro, em sua promessa de ser o Deus deles e de eles serem seu povo, e de conter no sistema sacrifical sua esperança para o futuro, que ensinava a expiação e perdão. No entanto, quando a Lei é dissociada da promessa e da fé, alimentada pela justiça própria, trapo de imundícia, as obras, a aliança se desvirtua, trazendo como resultado escravidão em vez de liberdade. Ficam escravos de suas próprias naturezas pecaminosas, satisfazendo suas vontades e não a de Deus. Pensam estar prestando um serviço a Deus, quando na realidade estão satisfazendo a si próprios, alimentando a natureza pecaminosa. Com efeito, os Hebreus não guardaram a lei de Deus por amor, ferindo frontalmente a Aliança firmada no Sinai pelo formalismo sem vida, com isto, foi necessária uma segunda aliança, fundamentada no amor e na justificação pela fé em Cristo Jesus, por isso Paulo asseverou: "De fato, se a primeira aliança não tivesse dado espaço para a descoberta de erros, não haveria a necessidade da segunda. Ao usar o termo nova, ele tornou a primeira aliança antiga; e tudo o que se torna antigo, e passa pelo processo de envelhecimento, está a caminho do desaparecimento total" Hebreus 8:7-13.

O grande erro dos judeus foi confiar em sua justiça, tentaram obedecer a lei por seus méritos, sustentados pela natureza pecaminosa, e não pela justiça divina do Messias, Porquanto. "Desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus" Romanos 10:3. acreditaram que a circuncisão na carne e a obediência formalista do cumprimento de dever os habilitariam a perpetuar o concerto com o Criador, no entanto, falharam rejeitando o doador da vida e a natureza divina de Jesus, matando-o em uma cruz, e ao apedrejar Estevam no ano 34, sacramentaram sua rejeição final como povo único, eleito e peculiar, separando-se par sempre da aliança do Senhor, que estabeleceu uma nova aliança com outro povo, ratificada pelo sangue de Cristo.


A NOVA ALIANÇA

O propósito de Deus com seu povo é torna-lo santo, tanto na antiga como na nova aliança. Na antiga aliança com os israelitas, ao firmar o pacto no Sinai, ele disse:"Vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falareis aos filhos de Israel" Êxodo 19:6. Na nova aliança, firmada com o messias, Jesus disse: "Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste" Mateus 5:48.

Deus é santo puro e perfeito e quer sua igreja. "Com glória, sem mancha, sem ruga, nem qualquer coisa parecida, mas para que seja santa e imaculada" Efésios 5:27. É seu desiderato, que seus servos tenham a mesma natureza divina ostentada por Adão antes de pecar. Para que isso aconteça é necessário que. "Cristo habite pela fé em vossos corações, enraizados e fundados em amor" Efésios 3:17. A obediência alicerçada pela fé e o amor aos mandamentos de Deus, só é possível, pela natureza divina, se Cristo habitar no coração do pecador penitente, então ele reconhece a justiça de Deus manifestada em sua lei e obedece por amor. Infere-se, que Deus manifesta sua justiça através de sua lei, ou seja, a lei de Deus é santa: "E o mandamento é santo, justo e bom" Romanos 7:12. É na lei que Deus expressa a sua vontade ou sua justiça e deseja que seus servos obedeçam por amor, não olvidando, que o pecado se manifesta, quando a lei de Deus é quebrada. "Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei" I João 3:4. Ao pecar, Adão perdeu a natureza divina e a capacidade de obedecer por amor, contraindo a natureza pecaminosa, o desejo de satisfazer a si mesmo (pecado original), transferindo a seus descendentes, cujo fruto é rebelião e transgressão da lei de Deus. Somente quando Cristo justifica o crente pela fé, imputando sua natureza divina em seu coração é que o crente consegue olhar pela fé a manifestação da justiça do Criador esculpida em sua lei e tem prazer em obedecer com intenso amor. Na aliança do Sinai, os hebreus, buscaram a justiça pelo formalismo da lei, por seus méritos (obras), em sua própria justiça. "ignorando a justiça de Deus, e procurando estabelecer sua própria justiça, não se submeteram à que vem de Deus" Romanos 10:3. Esta foi a razão da queda do judaísmo, estabeleceram sua justiça (justiça própria) e não viveram pela fé e justiça que vem do Messias. Israel tentou se salvar por sua própria obediência a lei, pelo formalismo, por seus méritos e não pelos de Cristo pela fé. Então, o Senhor na nova aliança, procurou estabelecer um vínculo pelo Espirito junto com o livre-arbítrio do homem, para que este obedecesse por amor e pela fé.

Na nova aliança, a lei do Senhor, não mais seria esculpida em tábuas de pedra, fria, sem vida, mas, no coração. "Porei a Minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" Jeremias 31:33. "E, de fato, repreendendo-os, Deus diz: Eis que dias vem, diz o Senhor, e que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não como a aliança que fiz com seus pais, no dia em que tomei pela mão para tirá-los da terra do Egito; porque eles não permaneceram na minha aliança, e eu deixei de preocupar-me por eles, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor. Colocarei as minhas leis na sua mente e as escreverei em seu coração; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" Hebreus 8:8-10. No novo concerto o Senhor não só colocou sua lei, mas também seu Espirito, habilitando o crente a ama-lo e obedecê-la, com um novo coração, uma nova natureza, a divina. "Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espirito e fareis que andeis nos meus estatutos, guardeis os Meus juízos e os observais" Ezequiel 36:26-27. Este pacto foi firmado pelo Espirito, pela justiça de Cristo que compele o homem a obedecer por amor e alegria, a lei está em seu coração porque o crente é nova criatura em Cristo, inclusive os gentios. "Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhe também a consciência e os seus pensamentos" Romanos 2:15. Porque nasceu de novo, com uma nova natureza, o seu prazer é fazer a vontade de Deus. "Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei" Salmos 40:8.

Logo, a nova aliança foi norteada por dois princípios fundamentais, quais sejam, a época do sacrifício confirmado com sangue e a presença do Espirito, que estava oculto, ou não foi percebido na primeira aliança. A antiga aliança foi sancionada no Sinai, pela letra da lei, e confirmada por sangue de animais oferecidos em sacrifício, tendo Moisés como mediador. "E tomou o livro da aliança e o leu diante do povo, e o povo disse: Nós faremos e obedeceremos tudo o que o Senhor disse. E Moisés tomou o sangue, e o espargiu sobre o povo e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor fez conosco com relação a todas estas coisas" Êxodo 24:7-8. O apostolo Paulo, escrevendo aos hebreus ratifica esta assertiva: "Pelo que nem a primeira aliança foi sancionada sem sangue; porque, quando Moisés acabou de proclamar todos os mandamentos segundo a lei a todo o povo, tomou o sangue de bezerros e dos bodes, com água, lã vermelha, e hissopo, e aspergiu não só o próprio livro, como também todo o povo" Hebreus 9:18-19.

Ao passo que, o sacrifício sancionador da nova aliança, se realizou no calvário com o sacrifício e o sangue do Messias na cruz, tendo Jesus como mediador, de acordo com os escritos da lavra de Paulo:"Muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, para que sirvamos ao Deus vivo! Por esta razão, ele é o Mediador da nova aliança para que os que são chamados, recebam a promessa da herança eterna, visto que a morte ocorreu para resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança" Hebreus 9:14-15. O outro pressuposto, segundo Paulo, é a aliança do Espírito, e não apenas um código seco sem vida, como fora escrito na antiga aliança, é o Espírito de Cristo. "Ou sua justiça que nos capacita para ser ministros de uma nova aliança, não de letras, mas, do Espírito; pois a letra mata, e o Espírito vivifica " II Coríntios 3:6.

Com efeito, a antiga aliança foi escrita em tábuas de pedra, enquanto a novel aliança é gravada pelo Espírito, ou natureza divina de Cristo no coração do seu servo; no entanto, o conteúdo das duas alianças é o mesmo, não houve mudança neste particular, o problema não estava no conteúdo, a lei de Deus, e sim na forma como tentaram guardá-la, pela justiça própria, pelas obras, tentaram ser justos por guardar a lei formalmente e não pelo espirito, pelo amor e pela fé. Na antiga aliança os judeus focavam o exterior a aparência, a sua justiça se limitava a serem vistos pelos homens. "Tudo o que fazem é a fim de serem vistos pelos homens; por isso trazem largas faixas e longas franjas nas suas vestes" Mateus 23:5. Diante do exposto, Jesus advertiu seus servos a não cometerem o erro fatal, cometido na antiga aliança, sustentada pela justiça própria: "Guardai-vos de praticar vossa justiça diante dos homens para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste" Mateus 6:1. A segunda aliança está focada no interior, no coração iluminado pela natureza divina de Cristo, ele habita em mim, me compelindo a amá-lo e obedecê-lo. Haja vista, que a lei obedecida sem a natureza divina, sustentada pela natureza pecaminosa, anula o sacrifício de Cristo, quando o homem pensa que seu esforço, ou o simples comportamento humano é suficiente para trilhar o caminho da santificação, para amar, e obedecer a Deus e sua lei, está cometendo um engano fatal, aquele que exercita tal procedimento, está anulando o sacrifício expiatório de Cristo em seu benefício, uma vez que tal pessoa é capaz de se santificar por seus méritos, Jesus não precisaria morrer por ele, logo Jesus teria morrido em vão se o homem fosse capaz por si só, de lograr êxito na mudança de natureza, na justificação e na santificação.

Na verdade, a aliança perde seu objetivo quando é exercida pela justiça própria, na obediência formalista, apenas para ser visto e exaltado pelos homens. Na nova aliança, o crente recebe vida quando serve ao senhor pelo espírito, com nova natureza, quando nasce de novo em Cristo, e não na obediência da letra da lei, com a natureza carnal, que leva a morte pela obediência formalista da lei, assim preconiza Paulo: "Pois quando vivíamos de acordo com nossa velha natureza, as paixões ligadas aos pecados agiam por meio da lei em nossos membros, resultando em fruto para a morte. Mas agora fomos libertados desse aspecto da lei, porque morremos para o que nos dominava, de modo que agora servimos de uma nova forma provida pelo Espírito, e não do antigo jeito de seguir exteriormente a letra da lei" Romanos 7:5-6. Por fim, vale ressaltar, que existia uma única lei para as duas alianças, os dez mandamentos. A diferença residia na espécie de obediência prestada, na antiga aliança a obediência era legalista, pela justiça própria, a qual Deus chama de trapo de imundícia (Isaías 64:6), seguia a fria letra da lei: na nova aliança a obediência é pelo Espírito, pela natureza divina de Cristo, o Senhor Justiça nossa (Jeremias 23:6), por meio do amor e da fé.

Na nova aliança, a lei é gravada na mente e nos corações dos servos de Deus e não em tábuas de pedra, cujo fruto é a devida obediência aos mandamentos do Senhor, alicerçada na natureza divina de Cristo.

Segundo o apostolo Paulo, a graça de Deus se estende a todo pecador, mediante a fé. "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus" Efésios 2:8. É certo que o homem não é salvo pela obediência legalista da lei e muitos menos justificados pela obediência legalista da lei, não é essa a função da lei. "Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado" Romanos 3:20. Entende-se por obras da lei, a obediência legalista da lei a qual ninguém será justificado. Portanto, afirmamos o conceito de que a pessoa deve ser considerada justa por Deus com base na confiança, que nada tem em comum com a guarda legalista da lei (Romanos 3:28). Quem busca a justificação pela obediência legalista, com certeza desconhece o amor do Criador e caiu da graça de Deus. "Vocês, que tentam ser declarados justos por meio do legalismo, estão separados do Messias! Vocês caíram da graça de Deus " Gálatas 5:4.

A salvação é concedida pelos méritos de Cristo que pagou o preço exigido pelo pecado, ou seja, havia uma sentença de morte para o pecador, e Cristo a pagou, sendo pendurado em um madeiro, se fazendo maldito da lei. "Se alguém houver pecado, passível da pena de morte, e tiver sido morto, e o pendurares em um madeiro, o seu cadáver não permanecerá no madeiro durante a noite, mas, certamente, o enterrarás no mesmo dia; porquanto o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus" Deuteronômio 21:22-23. O Senhor fez de Cristo que nunca pecou, pecado por nós, para que pudéssemos participar através de sua natureza divina da justiça de Deus. "Deus fez deste homem sem pecado a oferta pelo pecado _ a nosso favor, para que unidos a ele possamos participar de forma plena da justiça de Deus" II Coríntios 5:21. Somente através de Cristo podemos receber pela fé o Espirito prometido, a natureza divina perdida por Adão na concepção do pecado, e restaurada por Cristo nos reconciliando com o Pai, nos salvando da maldição da lei, ou seja, da sentença de morte. "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor" Romanos 6:23. "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), para que a benção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido" Gálatas 3:13-14. No calvário, Cristo pagou a sentença exigida pela transgressão da lei, ou seja, cumpriu a sentença da lei, a morte, e Deus demonstrou seu amor por nós. "Deus, porém, demonstra seu amor por nós no fato de o Messias ter morrido a nosso favor enquanto ainda éramos pecadores" Romanos 5:8.

Com efeito, vislumbramos que a graça de Deus e de Cristo, não eliminou a Lei na cruz, mas a condenação que a lei exigia, Jesus pagou o preço da condenação, morrendo na cruz em nosso lugar, nos dando vida, onde abundou o pecado, superabundou a graça. "Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor" Romanos 5:20-21.




Pastor: Walber Rodrigues Belo

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