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Doutrina

SANTA CEIA OU REUNIÃO DE COMUNHÃO? ATOS 20:7

O segundo texto bíblico apontado, como prova da mudança do Sábado para o domingo, assevera: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que deveria seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia noite" Atos 20:7. Com base nesse texto, evangélicos e demais defensores desta tese, torcem as escrituras para firmar o entendimento de que Paulo celebrou nesse dia uma Santa Ceia, declarando que o domingo é dia de adoração, vejam, com efeito, um dos textos esculpido no rodapé da Bíblia arqueológica, que forçam a interpretação, todavia, é carente de sustentação sólida das Escrituras:

O primeiro dia da semana era o domingo. Essa é a primeira referência clara a uma reunião de adoração dos cristãos nesse dia, embora a adoração aos domingos por certo já se tornara uma prática comum. Embora alguns sustentam que eles se reuniam no Sábado à tarde, visto que o dia judaico começava as 18 horas, na tarde anterior, não há indícios de que Lucas empregasse o método judaico de computar o horário ao narrar fatos ocorridos em ambientes helenísticos, e sim o método romano, que contava o dia de meia-noite a meia-noite. Para partir o pão é uma referência à santa ceia.
Bíblia de Estudos Arqueológicos, pág. 1810

O texto de Atos 20:7, não menciona em nenhum momento que houve mudança do Sábado para domingo, como dia de guarda, simplesmente menciona que no dia de domingo estavam reunidos para partir o pão. Embora, não podemos ignorar que no tempo de Paulo os dias eram contados de um pôr-do-sol ao outro, segundo calendário bíblico e não de meia noite a meia- noite como reza o calendário Gregoriano, que não existia à época, logo, domingo à noite seria a noite de Sábado. A questão é descobrir se a igreja apostólica celebrava a Santa Ceia, domingo ou no dia 14 de abibe do mês judaico, data quartodecimana e sabermos o que significa partir o pão, portanto, convém perquirir as Escrituras para elucidar a controvérsia.

Dada à insistência de evangélicos, católicos e espíritas que advogam a causa do domingo, alegando que atos 20:7 é uma prova contundente da mudança do dia de adoração, afirmam que nesse dia Paulo celebrou uma Santa Ceia, porque domingo é dia de adoração, como visto no texto extraído da Bíblia arqueológica. Não obstante, esquecem que a Santa Ceia foi instituída por Jesus na noite em que foi entregue. "Chegou o dia da Festa dos Pães Asmos, em que importa comemorar a Páscoa" Lucas 22:7. Com efeito, se faz necessário recorremos ao Velho Testamento para descobrirmos esta data. "A Páscoa do Senhor, que começa no entardecer do décimo quarto dia do primeiro mês. No décimo quinto dia daquele mês começa a festa do Senhor, a festa dos pães sem fermento" Levítico 23:5-6.

A santa Bíblia nos fornece dados plausíveis da data da última Páscoa celebrada por Jesus, décimo quarto dia do primeiro mês judaico (abibe ou nisã) e em seguida instituiu Ele a Santa Ceia, ou seja, a Santa Ceia substituiu a Páscoa, na mesma data em que esta era celebrada, mudou a forma, não o dia da celebração. Se a suposta celebração de uma Santa Ceia no primeiro dia da semana é prova para sustentar a mudança do Sábado para o domingo, muito mais consistentes são as provas que sustentam de forma sólida o entendimento de que a Santa Ceia era celebrada pela igreja primitiva exatamente nas datas em que a Páscoa era celebrada, vejam que Jesus obedeceu à lei, celebrava a Páscoa no pôr do sol, instituindo a Ceia na mesma data e não no domingo. "Ao cair da tarde, foi com os doze" Marcos 14:17. "Chegada a tarde, pôs-se ele à mesa com os doze discípulos" Mateus 26:20. "Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados" versos 26-28. Paulo confirma: "Pois recebi do Senhor o que também entreguei a vocês. Que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, tendo dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as veses que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha" I Coríntios 11:23-26. O apóstolo Paulo ensinou o que recebeu de Jesus, na noite que foi traído instituiu a nova aliança, não com cordeiro assado ou ervas amarga, mas, com seu corpo (pão) e seu sangue (vinho). Resta elucidar qual foi à noite em que Cristo foi traído, porque foi nesse dia que a Santa Ceia foi instituída, e com certeza não foi domingo. Uma análise cuidadosa vai nos revelar que Cristo foi traído e entregue na noite do dia 13 do primeiro mês bíblico, era uma quinta-feira, uma vez que as escrituras nos relatam que "Ao cair da tarde, por ser o dia da preparação, isto é, a véspera do Sábado... Este, baixando o corpo da cruz, envolveu-o em um lençol que comprara e o depositou em um túmulo que tinha sido aberto numa rocha" Marcos 15:42;46.

Restou comprovado que Jesus morreu sexta-feira, e que a primeira Santa Ceia foi celebrada e instituída por ele na véspera de sua morte, ou seja, uma quinta-feira, Jesus celebrou à Páscoa um dia antes porque no dia 14 de abibe ou nisã ele deveria morrer exatamente no momento e que o cordeiro era sacrificado pelos hebreus, como prefigurava a tipificação. Ademais, de acordo com os textos apresentados, vislumbra-se que Atos 20:7, não pode ser entendido como a celebração de uma Santa Ceia pelo apóstolo Paulo, Haja vista, que ele disse: "...Varões irmãos, nada havendo feito contra o povo ou contra os costumes paternos, contudo, vim preso desde Jerusalém, entregue nas mãos dos romanos" Atos 28:17. "Confesso-te, porém, que adoro o Deus de nossos antepassados como seguidor do caminho, a que chamam seita. Creio em tudo o que concorda com a Lei e no que está escrito nos Profetas" Atos 24:14. De acordo com a Lei, Paulo com certeza celebrava a Santa Ceia no dia 14 do primeiro mês bíblico, vejam que no aludido texto de Atos 20:7, o dia da celebração da Santa Ceia já havia passado, com certeza Paulo celebrou a Santa Ceia doze dias antes da passagem que mencionam que ele partiu o pão e estendeu até a meia-noite, como se vê nas Escrituras: "Navegamos de Filipos, após a festa dos pães sem fermento, e cinco dias depois nos reunimos com os outros em Trôade, onde ficamos sete dias" Atos 20:6. Observe, que Paulo navegou para Filipos somente depois de celebrar a festa dos pães sem fermento, ou seja, a Santa Ceia ele navegou para Trôade. Na mesma toada são os ensinamentos da irmã White:

Em Filipos demorou-se para celebrar a Páscoa. Só Lucas ficou com ele, partindo os demais membros da comitiva para Trôade, a fim de ali o esperarem...
Ellen G. White, 1976, Atos dos Apóstolos, pág 390

Portanto ele não poderia celebrar novamente o sacramento porque ele já havia celebrado, haja vista, que os Apóstolos celebravam a Santa Ceia exatamente no dia 14 de abibe, data quartodecimana. Portanto, restou comprovado que atos 20:7, não se trata de celebração da Santa Ceia, muitos menos está autorizando a mudança do Sábado para o domingo como dia de adoração.

Nessa seara, insta-nos valer da igreja Patrística (Primitiva) para deslinde da controvérsia. Vamos descobrir qual dia os apóstolos celebravam a Santa Ceia. Policarpo de Esmirna era discípulo do apostolo João, em seu tempo houve uma discussão acerca da data da Santa Ceia, não promovida por Policarpo, mas, pelo bispo de Roma, explico: esta discussão ficou conhecida como “controvérsia quartodecimana” o litígio ocorreu no século II, entre o bispo de Roma e os bispos da Ásia menor, o pivô da controvérsia foi à data da celebração da Santa Ceia que substituiu a Páscoa, com efeito, os cristãos do Oriente celebravam no dia 14 de nisã ou abibe (noite de lua cheia), a forma que o apóstolo João ensinou para Policarpo de Esmirna e a igreja primitiva, ao passo que os Ocidentais liderados pelo bispo de Roma esperavam até o domingo após o dia 14 de abibe ou nisã, para celebrar a Santa Ceia, alegando que Jesus ressuscitou nesse dia, a exaltação do domingo como dia de veneração começou com essa ideia do bispo de Roma, e não em Atos 20:7, como querem fazer crer, quando o livro de Atos foi escrito, os discípulos celebravam a Santa Ceia no dia 14 de nisã ou abibe e não no domingo seguinte a data da Páscoa. Quando o bispo de Roma mudou a data da Santa Ceia, houve protesto e disputas, os bispos da Ásia sob a liderança de Polícrates de Éfeso discípulo de Policarpo não aceitaram, conservou-se a data hebraica da festa da Páscoa, adotada por João; para as Igrejas Ocidentais e algumas do Oriente era outra a data celebrada, como vimos. Eis o que escreveu Polícrates, texto encontrado no livro de Eusébio:

“Nós observamos o dia exato, sem tirar nem por. Pois na Ásia grandes luminares também caíram no sono [morreram], do qual devem despertar novamente no dia da volta do Senhor, quando ele virá em toda sua glória do céu e irá procurar por todos os santos. Dentre eles estão Filipe, um dos doze apóstolos e que dormiu em Hierápolis, suas duas filhas virgens e idosas, e outra filha, que viveu no Espírito Santo e que agora descansa em Éfeso. E, adicionalmente, João, que foi tanto uma testemunha quanto um professor, que se deitou no peito do Senhor e, sendo um padre, vestiu a placa sacerdotal. Ele também caiu no sono em Éfeso. E Policarpo, que foi bispo e mártir; e Tráseas, bispo e mártir de Eumênia, que dormiu em Esmirna. Por precisaria eu mencionar o bispo e mártir Sagaris, que se deitou em Laodiceia, ou o abençoado Papírio ou Melito, que viviam juntos no Espírito Santo, que repousa em Sardes, esperando o episcopado do céu, quando ele se levantará dos mortos? Todos estes observavam o décimo-quarto dia da Páscoa judaica de acordo com o evangelho, não desviando em nenhum aspecto, mas segundo a regra de fé. E eu também, Polícrates, o menos importante de todos, faço de acordo com a tradição de meus pais, alguns dos quais eu segui muito de perto. Pois sete deles foram bispos e eu sou o oitavo. E meus parentes sempre observaram o dia que as pessoas separavam o fermento. Eu, portanto, irmãos, que vivi sessenta e cinco anos no Senhor e encontrei com irmãos em todo o mundo, e que já li todas as escrituras, não me assusto fácil com palavras terríveis. Pois os que são maiores que eu disseram 'Nós devemos obedecer a Deus ao invés dos homens...' Eu poderia mencionar bispos que estavam presentes, que eu mesmo convoquei a seu pedido, cujos nomes eu deveria escrever e que certamente seriam uma multidão. E eles, admirando minha pequeneza, consentiram com esta carta, sabendo que eu não porto esses cabelos brancos em vão e sempre governei minha vida pelo Senhor Jesus.
Eusébio ,História Eclesiástica

O bispo romano, que teve a audácia de mudar a data de celebração da Santa Ceia, com base na ressureição de Cristo foi Sixto I, foi ele quem começou a exaltação do domingo como dia santo, vejam, com efeito, os comentários de Irineu, um dos bispos da Igreja Patrística, acerca da controvérsia: Uma carta de Irineu está entre os antedichos extractos, e mostra que a diversidade na prática com respeito à Páscoa tinha existido pelo menos desde tempos do Papa Sixto I (cerca de 120 d. C.). Ademais Irineu afirma que Policarpo, quem, ao igual que os demais asiáticos, guardava a Páscoa no dia catorze da lua, sem importar que dia da semana caísse, seguindo com isso a tradição que ele sustentava se derivava do apóstolo João, veio a Roma cerca de 150 d. C. sobre este mesmo assunto, mas o Papa Aniceto não pôde o persuadir de desistir de sua observância quartodecimana. No entanto, ele não foi excluído da comunhão com a Igreja Romana; Irineu, ao condenar a prática quartodecimana, no entanto, lhe reprova ao Papa Víctor I (cerca de 189-99) [o ter excomungado aos asiáticos] muito precipitadamente e o não ter seguido a moderação de seus predecessores. O assunto assim debatido tratava principalmente se a Pascoa se devia celebrar em domingo, ou se os cristãos deviam observar no dia santo dos judeus, o catorze de nisã ou abibe, que podia ocorrer em qualquer dia da semana. Os que celebravam a Páscoa como os judeus eram chamados quartodecimanos ou terountes (observantes); mas ainda em tempos do Papa Víctor este costume mal se estendeu para além das Igrejas da Ásia Menor. Após as fortes medidas do Papa os quartodecimanos parecem ter mermado. Origens na “Philosophumena" (VIII, XVIII) parece considerá-los como um punhado de dissidentes obstinados no erro.

De qualquer forma, para pulverizar qualquer resquício de dúvida acerca da data em que a Igreja primitiva celebrava a da Santa Ceia, haja vista, o texto da Bíblia arqueológica, apresentado no início do estudo, asseverar que não há indícios de Lucas empregar hora judaica em ambiente helenístico, merece destaque relatos afeto ao tema na obra Patrística da editora Paulus, que diz:

Segundo Tertuliano, Policarpo teria sido ordenado bispo pelas mãos do próprio apóstolo João... Irineu nos fornece mais alguns dados importantes sobre Policarpo: foi estabelecido bispo na da Ásia, na Igreja de Esmirna, pelos próprios apóstolos. Ainda segundo Irineu, Policarpo empreendeu uma viagem a Roma sob o pontificado de Aniceto, por volta do ano 155, para discutir com ele a data da celebração da Páscoa. Os asiáticos a celebravam no dia 14 do mês judaico de Nisan, qualquer que fosse o dia da semana. Os ocidentais, em Roma, portanto, celebravam-na sempre no domingo, dia da ressureição. No tempo de Irineu, esta tornou-se uma questão aguda. Em 170, o papa Vítor quer forçar as igrejas da Ásia a aceitar o costume ocidental, ameaçando-as com a separação da comunhão católica. Irineu intervém relatando ao papa Vítor a entrevista de Policarpo e Aniceto. Esta carta é outro testemunho de primeira grandeza: apelando para a autoridade do apóstolo João, foi a Roma discutir com o papa Aniceto a data da celebração da Páscoa, em 155, tentando um acordo. (...) Aniceto não persuadiu Policarpo a deixar de observar o que com João, o discípulo de nosso Senhor, e com os outros apóstolos (...), tinha sempre observado.
Padres Apostólicos, 2015, ed. Paulus, pág 131-132.

A celebração da Santa Ceia na data da Páscoa Judaica só foi proibida no Concílio de Antioquia, em 341 d.C, e demorou quase 400 anos até que as pessoas tivessem deixado de vez esta tradição dos apóstolos, por pressão do papado. Hoje, os filhos de Roma, os evangélicos, também adotaram a prática da igreja mãe das prostitutas e engana o coração dos simples, alegando que Atos 20:7 aponta a celebração da Santa Ceia, autorizando mudar a observância apostólica da data da Ceia e alterar o dia santo do Sábado para o domingo. Diante do exposto, vislumbra-se de forma cirúrgica, que os apóstolos celebravam a Santa Ceia na data judaica e não no domingo, destarte, o texto de Atos 20:7 não foi uma Santa Ceia. Portanto, passaremos para a análise da possibilidade e ter sido uma reunião de comunhão, ou festa do Ágape, haja vista, que a igreja primitiva tinha por supedâneo as aludidas reuniões. Encetaremos nosso estudo com a raiz dessas reuniões, que está fincada nas Ofertas Pacíficas.

A oferta pacífica vem da raiz de uma palavra que significa completar, suprimir o que está faltando, pagar uma recompensa. Denota um estado em que os mal-entendidos foram esclarecidos e os erros, corrigidos, e em que prevalecem os bons sentimentos. As ofertas pacíficas eram usadas em qualquer ocasião que apelasse a gratidão, podia ser oferta voluntária e também para fazer um voto. Eram uma expressão, da parte do ofertante, de sua paz com Deus e gratidão a Ele por suas muitas bênçãos. Ao escolher uma oferta pacífica, o ofertante não era limitado na escolha. Podia ser um bezerro, uma ovelha, um cordeiro ou uma cabra, macho ou fêmea, no entanto o sacrifício tinha que ser sem mancha. "Quando alguém oferecer sacrifício pacífico ao Senhor, quer em cumprimento de voto ou como oferta voluntária, do gado ou do rebanho, o animal deve ser sem defeito para ser aceitável, nele, não haverá defeito nenhum" Levítico 22:21. Convém destacar que, quando a oferta pacífica era apresentada como oferta voluntária, não precisava ser perfeita, sem defeito, podia ser usada um boi ou gado miúdo, comprido ou curto de membros, o que não era permitido em outras ofertas. "Porém novilho ou cordeiro desproporcionados poderás oferecer por oferta voluntária, mas, por voto não será aceito" Levítico 22:23. O renomado pesquisador das escrituras assevera que:

As ofertas pacíficas eram de três espécies: ofertas de gratidão, ofertas por um voto e ofertas voluntárias. Dessas, a oferta de gratidão ou de louvor era a que mais se destacava. Oferecia-se em ocasiões de regozijo, de gratidão por algum livramento especial, ou bênção recebida. Era oferecida de um coração cheio de louvor a Deus e transbordante de alegria. As ofertas pacíficas eram de louvor por graça recebidas, ofertas de gratidão pelas bênçãos desfrutadas, ofertas voluntárias, de um coração transbordante. Não suplicavam nenhum favor; tributavam louvor a Deus pelo que ele havia feito, e exaltavam o seu nome por sua bondade e misericórdia para com os filhos dos homens.
Andreasen, O Ritual do Santuário, pág 99

Observe que esta oferta implicava coração agradecido pelos favores de Deus em benefício do pecador, e não suplicante por prosperidade material. A oferta pacífica implicava comunhão, representativa da futura comunhão cristã, fruto da troca da natureza pecaminosa pela natureza divina de Cristo. A igreja primitiva celebrava o Ágape, que tinha sua raiz na oferta pacífica, era uma festa de comunhão, onde os irmãos comiam com regozijo, prefigurava a reunião de comunhão, ou segundo as Escrituras: "perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações" Atos 2:42. partir o pão, doutrina que fazia parte dos pilares dos ensinos apostólico e era amplamente utilizado na igreja primitiva. Vejam que as ofertas pacífica também eram reuniões de comunhão com Deus e uns com os outros. Segundo Andreasen:

As ofertas pacíficas eram ofertas de comunhão. Os holocaustos eram totalmente queimados sobre o altar; as ofertas pelo pecado, ou eram queimadas fora do arraial ou comida pelo sacerdote, mas as ofertas pacíficas não, eram simplesmente divididas entre Deus e o sacerdote; uma parte, a maior era dada ao ofertante e sua família. A parte de Deus era queimada sobre o altar.
Andreasen , O Ritual do Santuário, pág 100

A oferta pacífica era festiva, com a participação de Deus, sacerdote, ofertante com sua família e convidados. Era uma festa em comunhão e devia ser comida no mesmo dia do oferecimento. "A carne do sacrifício de louvores da sua oferta pacifica se comerá no dia do seu oferecimento; nada se deixará dela até à amanhã" Levítico 7:15. Existia uma ressalva, quando a oferta pacifica era votiva ou voluntária, podia comer no dia seguinte segundo consta no livro de Levítico: "E, se o sacrifício da sua oferta for voto ou oferta voluntária, no dia em que oferecer o seu sacrifício, se comerá; e o que dele ficar também se comerá no dia seguinte" Levítico 7:16. Segundo Andreasen:

Toda a cerimônia constituía uma espécie de serviço de comunhão, em que o sacerdote e o povo participavam, com o Senhor, da sua mesa; uma ocasião de regozijo, em que todos se uniam em gratidão e louvor a Deus, por sua misericórdia.
Andreasen, O Ritual do Santuário, pág 100-101.

Para melhor entender o significado da oferta pacífica, vislumbra-se nas Escrituras, leia-se, quando os casos de desarmonia, mal entendidos, rivalidades eram superados e havia reconciliação, era oferecido uma oferta pacífica e um banquete onde todos se confraternizavam na presença do Senhor, sacerdotes, conflitantes, suas famílias, vizinhos e amigos. A igreja primitiva seguiu esse modelo, celebrando a festa do Ágape, ou festa do amor, também chamada em Atos 20:7, partir o pão. O culto da igreja primitiva, eram cultos de comunhão. A oferta pacífica tinha esse condão, pacificar, fomentar reconciliação, a natureza divina imperava soberana nos corações dos servos de Deus com seus frutos peculiares de comunhão, celebrava a justificação, o homem em paz com Deus. A refeição compartilhada ilustrava a comunhão mútua com Deus e com os irmãos. Neste particular esta oferta se diferenciava de todas as outras. Nos elucidativos relatos de Andreasen:

Como antes foi declarado, a oferta pacífica era uma oferta de comunhão em que tomavam parte Deus, o sacerdote e a pessoa. Era uma refeição em comum, tomada no recinto do templo, em que predominavam a alegria e o contentamento. Não era uma ocasião em que se efetuava a paz, antes uma festa de regozijo pela posse da mesma. Era geralmente precedida de uma oferta pelo pecado ou uma oferta queimada. Fizera-se expiação, espargia-se o sangue o perdão havia sido concedido e assegurada a justificação. Para isto celebrar, o ofertante convidava seus parentes chegados e seus servos, bem como os levitas, para comerem com ele (Deuteronômio 12:17-18). E assim se reunia toda a família dentro das portas do templo para celebrar de maneira festiva a paz que se estabelecera entre Deus e o homem, e entre o homem e o homem.
Andreasen, O Ritual do Santuário, pág 104

O foco da oferta pacífica eram manter a comunhão com Deus e uns com os outros, a justificação pela fé nos reconcilia com Deus, temos paz com Deus, assim era uma representação da justiça de Cristo no coração dos crentes através da oferta pacífica, veja o que assevera o texto a seguir da lavra de Andreasen:

Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. Rom. 5:1. Ele é a nossa paz Efés. 2:14. O Israel de outrora era convidado a celebrar sua paz com Deus, o perdão do pecador, e o ser-lhes restituído o favor divino. Esta celebração incluía filho e filha, servo e serva, o levita. Todos se sentavam à mesa do Senhor e se regozijavam juntos na esperança da glória de Deus. Da mesma maneira nos devemos gloriar em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação. Romanos 5:2 e 11
Andreasen, O Ritual do Santuário, pág 105

As ofertas e sacrifícios, ou seja, os tipos e sombras referentes ao primeiro advento, que apontavam para o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo, foram cravados na cruz. No entanto, restou consolidado na igreja primitiva a comunhão cristã. As ofertas pacíficas foram substituídas pela festa do Ágape, ou festa do amor, ou pela nomenclatura utilizado em Atos 20:7, o partir o pão. O significado de partir o pão é o relacionamento entre os irmãos. A comunhão dos crentes com Deus reflete a natureza divina de Cristo imputado nos corações (após a justificação pela fé), em comunhão de uns com os outros. Por isso partiam o pão nas casas dos irmãos. Quando alguém se convertia, e naqueles tempos eram muitos, cumprindo o Pentecostes na primeira grande colheita de almas. "Eles se dedicavam na doutrina dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações" Atos 2:42. Impende enaltecer, que os novos conversos, acolhiam quatro colunas da igreja primitiva, ou seja a Igreja apostólica era sustentada pela doutrina dos apóstolo, oração, comunhão e partir o pão. A natureza divina de Cristo reinava soberana no coração dos crentes, resultando em harmonia, amor fraternal e obediência aos mandamentos de Deus, não existiam egoísmos, nem doutrina da famigerada prosperidade material, nem avareza. Só a natureza divina de Cristo imputada nos corações poderia resultar em comunhão cristã, vejam o resultado do partir o pão no seio da igreja: "Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum" Atos 2:44. Com certeza o texto esculpido em Atos 20:7 trata-se de uma reunião de comunhão, ou festa do Ágape, ou o partir o pão, reunião que não era celebrada para indicar que Cristo mudou o Dia de adoração ou a santidade do Sábado para o dia espúrio do domingo, mas expressar comunhão, era uma reunião celebrada nas casa dos crentes e não na igreja como querem sustentar alguns religiosos com espirito de Simão Mago. Veja a prova cabal de que o texto de atos 20:7 não poderia ser uma Santa Ceia, mas uma reunião de partir o pão. "Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo! Partiam o pão em casa e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração" Atos 2:46.

No rodapé da Bíblia de estudo arqueológico, pag. 1810, está esculpida uma nota de referência explicando Atos 20:7, confirmando que a igreja primitiva realizava reuniões de comunhão ou partir o pão, como doutrina. Inclusive, explicando que os crentes de Corinto confundiam a reunião de comunhão com a Santa Ceia.

“I Coríntios 11:17... Compartilhar refeições era parte crucial na vida da igreja primitiva. Jesus estabeleceu um exemplo ao receber com prazer à comunhão da mesa todos os que chegassem. A igreja primitiva continuou com essa prática, e os membros sempre se reuniam nos lares para compartilhar o alimento (e.g., At. 2:42). Certas associações religiosas judaicas e greco-romanas também se reuniam para participar de refeições comunitárias, e, as vezes, o comportamento nos ambientes pagãos fugia à boa ordem. Para os cristãos, no entanto, a refeição compartilhava um símbolo poderoso de seu amor em Cristo, de modo que veio a ser chamada “festa do amor” (gr. Ágape; lit. um amor) A palavra é utilizada dessa forma no NT somente em Judas 12.

Jesus também instituiu a eucaristia (ou ceia do Senhor), e é difícil sua relação com a festa do amor; eram um só ou dois eventos? A reposta mais provável é que na igreja primitiva nenhuma distinção marcante era feita entre as duas. A eucaristia provavelmente era celebrada no contexto de uma refeição eclesiástica, assim como a primeira eucaristia foi celebrada no contexto da Ceia da Páscoa. Logo se tornou evidente, entretanto, que não era sábio combinar as duas: Quando vocês se reúnem, não é para comer a Ceia do Senhor, porque cada um come sua própria ceia sem esperar pelos outros. Assim, enquanto um fica com fome, outro se embriaga (I Cor. 11:20-21). Nos séculos seguintes, a Ceia do Senhor foi separada da refeição comunitária, e a tradição da festa do amor começou a desaparecer.
Bíblia de Estudo Arqueológica, pág. 1875

A Festa do Amor ou Ágape ou Partir o pão era uma poderosa ferramenta para consolidar a comunhão na Igreja, que permanecia pura, era um filtro contra os avarentos, gananciosos e lobos devoradores, essa prática perdurou até o concílio de Nicéia, quando Constantino simulou estar convertido, por certo findou as sangrentas perseguições contra os cristãos, no entanto, algo pior aconteceu na igreja comunitária. As reuniões de comunhão, Ágape ou Festa do Amor ou Partir o Pão, foi aniquilada nesse concílio. A atitude de Constantino contra a doutrina da Igreja Primitiva se manifestou de duas formas cruéis, uma foi a mudança do dia de adoração do Sábado para o domingo e a outra talvez com consequências piores foi a mudança da Igreja da comunhão para a Igreja Institucional.

Com a união da igreja com o Estado, houve divisão, os sinceros não permaneceram na igreja, os dissidentes Valdenses se refugiaram nos montes da Itália e Suíça, onde guardaram o Sábado e mantiveram a verdadeira doutrina intacta e a comunhão cristã, por mais de mil anos, mesmo perseguidos pelo catolicismo. E a igreja mãe, a qual outrora vigorou a comunhão cristã, cedeu lugar para a igreja Institucional, que não valoriza a comunhão com Deus e uns com os outros, mas, o patrimônio, a doutrina da prosperidade temporal, o formalismo e cerimonialismo como a missa, culto aos mortos, carente de vida espiritual, templos recheados de pompa, relíquias sustentado pelo poder civil, com isso, uma porta se abriu para os avarentos, corruptos, oportunistas que não mediam esforços para suplantar qualquer doutrina contrária a seus propósitos espúrios, em 538 com edito de Justiniano elevando o bispo de Roma acima de todas as igrejas estava consolidado o papado e o Catolicismo, que perseguiu ferozmente os observadores da comunhão Cristã, os que guardam os mandamentos de Deus. "O dragão irou-se contra a mulher e saiu para guerrear contra o restante da sua descendência, os que obedecem aos mandamentos de Deus e se mantêm fiéis a testemunho de Jesus" Apocalipse 12:17.


Pastor: Walber Rodrigues Belo

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