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Doutrina

A SANTA LEI DE DEUS


O Pacto antes do Sinai

De acordo com o Tratado de Teologia Adventista, a palavra Lei ou Torah significa ordem, instrução divina. A Lei é uma expressão do caráter e santidade de Deus, a lei de Deus nos faz conhecer a justiça do grande Legislador, a Lei é a revelação da justiça de Deus e base de seu governo celestial, alicerçado no amor. "Deus é amor" I João 4:8.Assim como Deus é perfeito, é perfeita a sua lei, "A Lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e da sabedoria aos simples. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos" Salmos 19:7-8. Assim como Deus é justo, todos os seus mandamentos são justiça. "A minha língua celebre a tua Lei, pois todos os teus mandamentos são justiça" Salmos 119:172. Assim como Deus é santo a sua lei é santa. "Por conseguinte, a Lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom" Romanos 7:12. Assim como Deus é eterno, são eternos os princípios da lei. Assim como Deus é imutável. "Eu o Senhor não mudo" Malaquias 3:6. "Jesus, o Messias, é o mesmo, ontem, hoje e para sempre" Hebreus 13:8. A sua lei é imutável. A santa Lei de Deus nos faz conhecer a justiça do seu grande legislador. "Ouvi-me, vós que conheceis a justiça vós, povo em cujo coração está a minha Lei" Isaías 51:7. Assim sendo, infere-se que a Lei de Deus fundamentada no princípio do amor foi guardada por Adão e Eva antes do pecado porque tinham a natureza divina, compatível com a santidade exigida pela lei, eram perfeitamente capazes de obedecê-la. Adão tinha a natureza divina de Deus, ou, imagem e semelhança do Criador. "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou" Gênesis 1:26-27. Por isso, podiam conversar com Deus face a face; após a queda de Adão, não lhe foi mais permitido ver a face do Criador. "Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela virada do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e a mulher, por entre as árvores do jardim" Gênesis 3:8. Com a queda, Adão e Eva perderam a natureza divina da qual foram dotados e procuraram cobrir sua nudez, segundo esclarecimentos da irmã WHITE.

A veste de luz que os rodeava, agora desapareceu, e sob um senso de culpa e a perda de sua divina cobertura um temor tomou posse dele, e procuraram cobrir suas formas expostas.
Ellen G. White, História da Redenção, pág 37

"Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, fizeram para si aventais" Gênesis 3:7. Ao perder a natureza divina seus olhos foram abertos, ou seja, contraíram a natureza pecaminosa (pecado original) que fora concebida por Satanás quando perverteu seu coração para se auto satisfazer e não mais amar e obedecer ao Senhor por amor, Ele queria ser adorado semelhante ao altíssimo. "Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assetarei. Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao altíssimo" Isaías 14:13-14. Adão e sua descendência, ao contrair a natureza pecaminosa (pecado original) ficaram automaticamente separados de Deus. "Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça" Isaías 59:2. Satanás pecou no céu, maculando o Santuário celestial e induziu Adão e Eva a infringir o comando proibitivo estabelecido pelo Senhor que dormita o livro de Gênesis. "Do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocarei nele, para que não morrais" Gênesis 3:3. A Lei foi quebrada, primeiro no céu por Satanás, depois por Adão e Eva, no entanto a Lei não foi invalidada, continuou santa, justa e boa, o homem sim, não era mais santo justo e bom, segundo escritos da lavra da irmã WHITE.

Adão e Eva, ao serem criados, tinham conhecimento da lei de Deus; estavam familiarizados com os reclamos da mesma relativamente a si; seus preceitos estavam escritos em seu coração. Quando o homem caiu pela transgressão, a lei não foi mudada, mas estabelecido um plano que remediasse a situação, trazendo novamente o homem à obediência.
Ellen G. White, Patriarca e Profetas, pág 377

Então, o Senhor estabeleceu o Plano de Redenção, cujo escopo é recuperar o homem caído, somente um ser com a mesma substancia de Deus (Hebreus 1:3) Cristo, poderia morrer no lugar do pecador, expiando o pecado pela transgressão da lei, reconciliando o pecador penitente com o Pai ao trocar a natureza pecaminosa por sua natureza divina, tornando os descendentes de Adão novamente a semelhança do Criador, habilitando-o a guardar a santa Lei de Deus por amor. Destarte, inferimos que Adão de forma verbal ensinou a seus descentes a obediência aos mandamentos do Senhor, mormente a linhagem de Sete, a qual figurava Noé que andou com Deus, ou seja, obedeceu seus mandamentos."Eis a história de Noé. Noé era homem justo e integro entre seus contemporâneos; Noé andava com Deus" Gênesis 6:9, e Abrão, a qual o Senhor prometeu multiplicar sua descendência como as estrelas do céu. "Porque Abraão me obedeceu e guardou meus preceitos, meus mandamentos, meus decretos e minhas leis" Gênesis 26:5. Com efeito, este texto é prova cabal de que a Lei de Deus foi ensinada oralmente de pai para filho antes do dilúvio e durante toda a era patriarcal, isto é facilmente comprovado em outros textos das Escrituras que diz: "Ensina-lhes os estatutos e as leis e faze-lhes saber o caminho em que devem andar e a obra que devem fazer" Êxodo 18:20. "Ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentados em vossa casa, e andando pelo caminho, e deitando-vos, e levantando-vos" Deuteronômio 11:19. Nos esclarecedores ensinos de SPICER, William A.

A Li de Deus existe desde o princípio. Quando Adão pecou, transgrediu esta santa lei; pois pecado é a transgressão da lei. A lei de Deus não tinha sido escrita até o tempo de Moisés, quando o Senhor começou a dar por escrito suas revelações aos filhos dos homens. Desde Adão até Moisés, contudo, os preceitos da lei de Deus estiveram ensinando a justiça e convencendo do pecado.
Nossa Época à Luz da Profecia, pág. 184-185

Destarte, podemos identificar todos os dez mandamentos que vigoraram antes do dilúvio e durante todo o período patriarcal que se estende de Adão até Moisés, sendo posteriormente esculpidos em tábuas de pedra pelo dedo de Deus.

A lei de Deus era conhecida e obedecida pelos servos do Senhor, antes de ser codificada no Sinai pelo grande Legislador. Os dois primeiros mandamentos são encontramos nos relatos de Jacó instruindo sua família, ao se preparar para adorar o Criador em Betel. Assim ele recomendou:"Então disse Jacó à sua família e a todos os que com ele estavam: Lançai fora os deuses estranhos que há no vosso meio, purificai-vos e mudai as vossas vestes; levantemo-nos e subamos a Betel. Farei ali um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia" Gênesis 35:2-3.

A terceira norma mandamental, proíbe tomar o santo nome de Deus em vão, este comando normativo vem a lume quando Abraão obriga seu servo jurar pelo Senhor, Deus do céu e da terra, que não tomaria esposa cananeia para seu filho Isaac. O compromisso de Eliézer de não tomar o nome de Deus em vão era evidência de que Abraão podia confiar nele."Para que eu te faça jurar pelo Senhor, Deus do céu e da terra, que não tomarás esposa para meu filho das filhas dos cananeus, entre os quais habito" Gênesis 24:3.

A obediência ao quarto mandamento está registrada desde o princípio, quando o próprio Criador descansou após concluir a obra da criação e antes de chegarem ao Sinai, quando o Senhor mandou apanhar maná no sexto dia em dobro para não transgredir o seu santo dia."Assim foram concluídos os céus e a terra, e tudo o que neles há. No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou. Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação" Gênesis 2:1-3. "Então, disse o Senhor a Moisés: Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas Leis? Considerai que o Senhor vos deu o Sábado; por isso, ele, no sexto dia, vos dará pão para dois dias; cada um fique onde está, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia. Assim, descansou o povo no sétimo dia" Êxodo 16:28-30. Este fato aconteceu antes do Senhor codificar a lei no Sinai. Ele pergunta até quando Israel vai recuar guardar o Sábado e a Lei, logo, a lei era obedecida antes do Senhor firmar o pacto com Israel no Sinai.

O quinto comando, que exige aos filhos honrarem a seus pais para que tenham longa vida sobra a terra, está esculpido na conversa do Senhor com seu servo Abraão acerca a destruição de Sodoma e Gomorra. Infere-se que o dever de Abraão era ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele, com o escopo de guardarem o caminho do Senhor e praticar a justiça e o juízo."Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor e pratiquem a justiça e o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito" Gênesis 18:19.

O sexto mandamento proíbe matar, temos um exemplo contundente no assassinato de Abel por seu irmão Caim."Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou" Gênesis 4:8.

O sétimo mandamento, não cometerás adultério, é explicitamente encontrado no caso de Judá que recusou dar seu filho mais jovem em casamento para sua nora Tamar, ela foi acusada de adultério e recebeu a sentença de morte. "Passados quase três meses, foi dito a Judá: Tamar, tua nora, adulterou, pois está grávida. Então, disse Judá: Tirai-a fora para que seja queimada" Gênesis 38:24. E no caso de José que recusou os encantos da mulher de Putifar, por amar e obedecer a Lei de Deus, quando diz “jamais pecarei contra o meu Deus”, este texto prova de forma contundente que adultério é pecado, José evitou a transgressão da Lei, logo, a lei do Senhor era obedecida antes do Sinai. "Ele não é maior do que eu nesta casa e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porque és sua mulher; como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?" Gênesis 39:9.

O oitavo mandamento, não furtarás, era conhecido e obedecido, temos o exemplo dos irmãos de José, quando, em sua segunda jornada ao Egito, encontraram o copo de prata e o dinheiro do trigo no saco de mantimento de Benjamim. Então, os irmãos de José asseveraram:"O dinheiro que achamos na boca dos sacos de mantimentos, tornamos a trazer-te desde a terra de Canaã; como, pois, furtaríamos da casa do teu senhor prata ou ouro" Gênesis 44:8.

O nono mandamento da Lei do Criador, que proíbe o falso testemunho, é vislumbrado no episódio em que Jacó engana seu irmão Esaú, subtraindo as bênçãos prometida sustentado pelo engano, ele próprio reconheceu quando disse a sua mãe:"Dar-se-á o caso de meu pai me apalpar, e passarei a seus olhos por zombador; assim, trarei sobre mim maldição e não bênçãos" Gênesis 27:12.

Por fim, o décimo comando normativo da lei do Senhor, proíbe cobiçar a mulher ou a propriedade do próximo, a Bíblia nos relata este mandamento na história ocorrida entre Abraão e Faraó do Egito."O Senhor puniu Faraó e a sua casa com grandes pragas, por causa de Sarai, mulher de Abrão. Chamou, pois, Faraó a Abrão e lhe disse: Que é isso que me fizeste: Por que não me disseste que era ela tua mulher?" Gênesis 12: 17-18. E entre Abraão e Abimeleque. Esses monarcas cobiçaram e pretendiam tomar a esposa de Abraão, no entanto, o senhor tomou a causa de seu Servo fiel e impediu que a sua lei fosse quebrada. "Então chamou Abimeleque a Abraão e lhe disse: Que é isso que me fizestes? Em que pequei eu contra ti, para trazeres tamanho pecado sobre mim e sobre o meu reino? Tu me fizeste o que não se deve fazer. Respondeu Abraão: Eu dizia comigo mesmo: Certamente não há temor de Deus neste lugar, e eles me matarão por causa da minha mulher" Gênesis 20:9;11. Restou comprovado, que a Lei de Deus era amada e obedecida mesmo antes de ser codificada no Sinai, vislumbramos todos os dez mandamentos que eram ensinados oralmente de pais para filho, até que o senhor resolveu codificar em duas tábuas de pedra no monte Sinai. Veja, que Abimeleque diz: “trazer tamanho pecado sobre mim”, logo infere-se que ele tinha conhecimento de que pecado é o quebrantamento da Lei do Senhor, caso ele soubesse que Sarai era esposa de Abraão, ele jamais teria transgredido a lei do Senhor, cobiçando sua esposa, fica claro, que a Lei do Criador não foi um pacto firmado exclusivamente com Israel no Sinai, como alguns alegam, mas, era amada e obedecida desde tempos remotos, muito antes de ser codificada.


A Lei Cerimonial

Existiam diferentes tipos de leis no Antigo Testamento, máxime, no antigo Israel, e cada lei tinha sua finalidade e peculiaridade, a Lei dos dez Mandamentos refletia a justiça do Criador e mostrava o pecado, as leis civis tinham o condão de disciplinar a convivência entre os servos de Deus e a lei Cerimonial, cuidava dos ritos, cerimônias e formas de culto, com seus tipos e sombras que apontavam para o Messias.

A lei Cerimonial foi estabelecida logo após a queda de Adão, onde nossos primeiros pais traziam suas ofertas e as apresentavam perante o Senhor. Abel demonstrou sua fé no Salvador prometido ao trazer como oferta um animal. Não somente apresentou o sangue derramado do sacrifício, mas também ofertou a gordura ao Senhor, mostrando fé no Salvador e uma disposição de abandonar seu pecado, haja vista, que gordura queimada simboliza eliminação de pecados."Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta" Gênesis 4:4.

Com notável propriedade, HASKELL, nos relata que:

Antes de o povo de Deus ir para o Egito, seu culto era simples. Os patriarcas viviam em íntima comunhão com o Senhor. Ele não necessitava de muitas formas ou cerimônias para ensinar-lhes a grande verdade de que o pecado poderia ser expiado somente pela morte dAquele que era imaculado. Necessitavam apenas de um altar rústico e um inocente cordeiro para ligar sua fé no imaculado Cordeiro, o penhor, que levaria a culpa das transgressões (I Pedro 2:24; 3:18). Quando os patriarcas viajavam, erigiam seus altares, ofereciam seus sacrifícios e Deus aproximava-se deles, sempre demonstrando que aceitava suas ofertas enviando fogo do céu para consumir os sacrifícios.
HASKELL, A Cruz e sua Sombra, pág. 29

Segundo nos relata as santas Escrituras, todo o sistema cerimonial (lei Cerimonial) do santuário se realizava com referência à transgressão da lei moral escrita pelo dedo de Deus, Foi exatamente pela transgressão dessa lei que os sacrifícios tiveram de ser instituídos.

"Quando uma alma pecar por erro contra alguns dos mandamentos do Senhor, acerca do que se não deve fazer, e obrar contra alguns deles; se o sacerdote ungido pecar para escândalo do povo, oferecerá pelo seu pecado, que pecou, um novilho sem mancha, ao Senhor, por expiação do pecado" Levítico 4:2-3. ANDREASEN, preconiza que, foi a transgressão dos mandamentos do Senhor, que tornou necessário o sistema de sacrifícios. Foi o pecado contra a lei de Deus que deu inicio ao ritual do templo. O pecado era o motivo dos sacrifícios matutinos e vespertinos, do cerimonial do Dia da Expiação, do oferecimento do incenso e dos sacrifícios individuais pelos pecados particulares. O ínclito apóstolos João, teve uma visão do santuário celestial e viu a lei de Deus, "Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no céu, e foi vista a arca da aliança no seu santuário..." Apocalipse 11:19. A lei de Deus tem lugar preeminente, mesmo no céu, onde é chamado o templo do tabernáculo do testemunho, o templo da Lei de Deus.

"Depois destas coisas, olhei, e abriu-se no céu o santuário do tabernáculo do Testemunho" Apocalipse 15:5. Destarte, complementa ANDREASEN,

A cidade mais sagrada do Velho Testamento era a cidade que Deus escolhera como sua morada. O lugar mais sagrado daquela cidade era o templo. O lugar mais sagrado do templo era o santíssimo. O objeto mais sagrado do santíssimo era a arca dentro da qual estavam as tábuas de pedra sobre que Deus escrevera com seu próprio dedo os dez mandamentos, a lei da vida, os oráculo de Deus. Essa lei era o centro em cujo redor girava todo o cerimonial; a base e a razão de todo o ritual. Sem a lei, o ritual do templo não teria significação alguma.
O Ritual do Santuário, Pág. 166

Segundo os iluminados esclarecimentos de Andreasen, a Lei ocupava a parte mais sagrada do Santíssimo com todos os símbolos e ofertas circulando em sua volta, sem a lei, o serviço do santuário perderia seu objeto.

Para os evangélicos a lei de Deus foi abolida na cruz, pelo simples fato de acreditarem que não existe diferença de leis, que todas as leis esculpida nas escrituras é lei de Moisés, portanto, foi abolida quando Cristo morreu na cruz, salvo, a lei dos dízimos, que também estava inclusa na lei Cerimonial que dizem que Cristo cravou na cruz; baseados nos versos que seguem:"Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, cravando na cruz" Colossenses 2:14. "Aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz" Efésios 2:15. Observa-se, nos versos citados, que servem de apoio para a tese em comento, que a interpretação dos evangélicos, de que não há diferença de leis é uso de má fé ou ignorância teológica. Haja vista, que os próprios textos alegados em sua defesa, está de forma cristalina ensinando que a lei cravada na cruz, era a lei de ordenanças, logo, está se referindo a lei Cerimonial. A irmã WHITE, de forma contundente preconiza acerca do tema da seguinte forma.

Muitos há que procuram confundir estes dois sistemas, usando os textos que falam da lei Cerimonial para provar que a lei Moral foi abolida; mas isto é perversão da Escrituras. Ampla e clara é a distinção entre os dois sistemas. O Cerimonial era constituído de símbolos que apontavam para Cristo, para seu sacrifício e sacerdócio. A lei ritual, com seus sacrifícios e ordenanças, devia ser cumprida pelos hebreus até que o tipo encontrasse o antitípico, na morte de Cristo, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. Então cessaria todas as ofertas sacrificais. Foi esta Lei que Cristo ‘tirou do meio de nós, cravando-a na cruz’ Colossenses 2:14. Mas, com referência à Lei dos Dez Mandamentos, declara o Salmista: Para sempre, ò Senhor, a tua palavra permanece no céu. Salmos 119:89. Conquanto a morte do Salvador pusesse termo à lei dos tipos e sombras, não diminuiu no mínimo a obrigação imposta pela Lei Moral. Ao contrário, o próprio fato de que foi necessário Cristo morrer a fim de expiar a transgressão daquela Lei, prova ser ela imutável.
Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, pág 380

Foi no Sinai, que o Senhor disse:"E me farão um Santuário, para que eu possa habitar no meio deles" Êxodo 25:8. Os ritos e cerimônias simplificada da era patriarcal foi aperfeiçoada pelo Senhor. Após o episódio do bezerro de ouro, a tribo de Levi, a única que se escusou de adorar o bezerro, foi contemplada pelo Criador, sendo escolhida como depositários de sua lei e sacerdotes foram escolhidos para oficiar na presença do Altíssimo nos trabalhos do Tabernáculo. Nessa mesma esteira, preconiza WHITE.

Mediante o prolongado trato com os idólatras, o povo de Israel misturara com seu culto muitos costumes gentílicos; portanto o Senhor lhes deu no Sinai instruções definidas com relação ao serviço sacrifical. Depois de completar-se o Tabernáculo, Ele se comunicou com Moisés da nuvem da glória em cima do propiciatório, e deu-lhes instruções completas a respeito do sistema das ofertas e das formas de culto a serem mantidas no santuário. A Lei Cerimonial foi assim dada a Moisés, e por ele escrita em um livro. Mas a lei dos Dez Mandamentos, proferida no Sinai, foi escrita pelo próprio Deus em tábuas de pedra, e sagradamente guardada na arca.
Ellen G. White, Profetas e Reis, pág 379

As santas Escrituras, ratificam estas verdades aludidas pela serva do Senhor, vejamos a diferença narradas, primeiro quanto a Lei Moral."E deu a Moisés... duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus" Êxodo 31:18. "E virei-me e desci o monte, e pus as tábuas na arca que fizera; e ali estão como o senhor me ordenou" Deuteronômio 10:5. A Lei Moral dos Dez Mandamentos não foi anulada por Cristo na cruz, mas confirmada e aperfeiçoada. "Anulamos, pois, a Lei pela fé? De maneira nenhuma; antes, estabelecemos a lei" Romanos 3:31. Quanto a Lei Cerimonial, assim reza as Escrituras: "E Moisés escreveu esta Lei, e a deu aos filhos de Levi" Deuteronômio 31:9. "Tomai este livro da Lei, e ponde-o ao lado da arca" Deuteronômio 31:26. Observa-se, que realmente existiam dois diferentes tipos de Lei, uma escrita por Deus, outra por Moisés, uma posta dentro da arca e outra posta ao lado da arca, ademais, nesta última lei, os tipos referentes ao primeiro advento de Cristo foram cravados na cruz. "Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, cravando na cruz" Colossenses 2:14. Precisamos compreender que fora unicamente a transgressão da Lei Moral, que permitiu a Deus instituir a lei Cerimonial, cumprindo o Plano de Redenção, apontando para o Messias.

Não podemos olvidar que existem dois tipos de pecado. Ao cair, Adão contraiu natureza pecaminosa (pecado original), certamente é o pecado original, a natureza pecaminosa, egoísta que nos leva a transgredir a santa lei de Deus. Logo, a lei cerimonial foi instituída por causa da transgressão dos mandamentos, haja vista, que pecado é a transgressão da lei, compunha-se de símbolos, tipos, sombras, cerimônias e ofertas que apontavam para futura redenção. A lei Cerimonial era composta de regulamentos utilizado pelo Criador para ensinar o Plano de Redenção mediante os símbolos e praticas de culto. Depois do Êxodo, no Sinai, os regulamentos de culto se ampliaram e foram codificados no livro de Levítico, onde se descreve todo o sistema ritual aperfeiçoado no trabalho do templo, assunto que estudaremos em outro momento.


A Lei codificada no Sinai

Com efeito, Deus manifesta sua justiça através da Lei, portanto, não poderia uma Lei que é a base do governo do Altíssimo ser direcionada unicamente aos Hebreus. Na verdade os Hebreus receberam a Lei codificada porque naquele momento eles eram o povo de Deus, portanto, tiveram a honra de receber a Lei, e firmaram compromisso de obedecê-la."Chega-te tu, e ouve o que disser o Senhor nosso Deus; e tu nos dirás tudo o que te disser o Senhor nosso Deus, e o ouviremos, e o cumpriremos" Deuteronômio 5:27. Assim entraram em um concerto solene com Deus, comprometendo-se a aceita-lo como ser supremo, e como súditos fiéis, o povo estava submetido a sua autoridade e a ajustiça de sua lei, assim sendo, antes do Sinai, firmaram aliança com o Senhor os antepassados dos hebreus, como Adão, Noé, Abrão, Isaac e Jacó, destarte, o Senhor estava apenas renovando o concerto no Sinai codificando sua lei. Os hebreus receberam a lei porque era a luz para seu tempo, como encontramos as fases da igreja do Novo Testamento no livro de apocalipse, Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia, cada uma das sete fases da igreja é vivenciada pelo povo de Deus, no seu respectivo tempo e época, a Igreja de Deus que representa a mensagem para seu tempo, destarte, o Senhor concedeu o conhecimento especifico para época de acordo com o curso profético. Impende ressaltar, que o Senhor concedeu 70 anos proféticos para o povo Judeu se arrepender e receber o Messias, segundo relatos do profeta. "Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos" Daniel 9:24.

Vislumbra-se, que ao povo de Israel, estava assegurado seu status como povo de Deus até o fim desse período profético que findou no ano 34 com a morte de Estevão."Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras adormeceu" Atos 7:60. Após a morte de Cristo, os tipos e sombras referentes ao primeiro advento se cumpriram, no entanto, Israel continuou sendo a igreja de Deus até o ano 34 d.C. de acordo com a profecia de Daniel. Por este motivo, os apóstolos trabalharam pelos judeus até o fim desse período profético, com a rejeição do Messias e sua doutrina, então os apóstolos voltaram-se para os gentios. "Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Cumpria que a vós outros, em primeiro lugar, fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis ai que nos volvemos para os gentios. Porque o Senhor assim no-lo determinou" Atos 13:46. A fase do judaísmo como igreja de Deus não findou na cruz. Quando Jesus foi crucificado e disse “está consumado”, algo importante aconteceu: "Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas" Mateus 27:51. Neste evento, o véu do templo se rasgou em dois, rompendo com o sistema Cerimonial com seus tipos e sombras, no entanto, o pacto firmado por Deus com Israel, não findou neste evento, de acordo com a profecia de Daniel, findou somente no ano 34 com a morte de Estevão, neste momento, Israel deixou de ser povo de Deus como nação e os apóstolos deram continuidade como igreja de Deus, pregando aos gentios, iniciando as fases das sete igrejas conforme narrada por João no livro de Apocalipse; o povo foi substituído, mas o dever de obedecer a doutrina e consequentemente a lei de Deus não foi removido. Doravante, a igreja apostólica era composta por aqueles que "perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir o pão e nas orações" Atos 2:42.

Independente de serem judeus ou gentios. Houve a substituição do judaísmo pela igreja apostólica, no entanto, a novel igreja continuou guardando e ensinando a obediência aos santos Mandamentos do Senhor."Porém confesso-te que, segundo o Caminho a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a Lei e nos escritos dos profetas" Atos 24:14. "Ora, nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que lhe obedecem" Atos 5:32. Com certeza o Espirito Santo foi derramado sobre os gentios, receberam a natureza divina de Cristo, que os habilitou a guardar a lei de Deus por amor, haja vista, que os judeus tentaram o impossível, obedecer a Lei sustentados por sua própria justiça, rejeitando o sacrifício expiatória do Messias.

No monte Sinai, o Senhor entregou sua Lei a Moisés e ensinou o curso do plano de redenção, os tipos e sombras que apontavam para o Messias e que teriam cumprimento no primeiro advento."Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem" Hebreus 10:1. Moisés era um símbolo de Cristo, "Disse, na verdade, Moisés: O Senhor Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser" Atos 3:22. Nos dizeres de WHITE.

Por esse fulgor era intuito de Deus impressionar Israel com o caráter sagrado e exaltado de sua Lei, e a glória do evangelho se velado por meio de Cristo... Enquanto Moisés estava no monte, Deus apresentou-lhe não somente as tábuas da lei, mas também o plano de salvação. Ele viu que o sacrifício de Cristo era prefigurado por todos o tipos e símbolos da era judaica; e era a luz celestial que fluía do Calvário, não menos que a glória da lei de Deus, que derramava tal fulgor no rosto de Moisés. Aquela iluminação divina simbolizava a glória da dispensação de que Moisés era o mediador visível, representante do único verdadeiro Intercessor. Moisés era um tipo de Cristo
Ellen G. White, Pariarcas e Profetas, pág 339

Se a Lei foi concedida somente para os Hebreus, então, Cristo deveria morrer somente em benefício dos Hebreus, haja vista, que o concerto foi feito com Israel assim como os tipos e sombras que prefiguravam o Messias. Ou então, Deus é Deus somente dos Judeus? De acordo com a resposta das Escrituras."Deus é Deus apenas dos judeus? Ele não é também o Deus dos gentios? Sim, dos gentios também" Romanos 3:29. É evidente que a Lei foi concedida para todos os homens. "De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem" Eclesiastes 12:13. Assim, como Cristo morreu em benesse de toda a humanidade. É dever de toda alma que foi beneficiada com a justificação pela fé no Messias, guardar seus mandamentos ademais, os verdadeiros descendentes de Abraão, e herdeiros segundo a promessa, é claramente anunciado nos escritos de Paulo: "Sabei, pois, que os da fé que são filhos de Abraão" Gálatas 3:7. "Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo" Gálatas 3:16. "E, se sois de Cristo, também sois herdeiros de Abraão e herdeiros segundo a promessa" Gálatas 3:29.

Estes textos, de forma cristalina nos certificam que o Senhor não deu a sua Lei apenas para Israel, mas, para todo homem, assim como o sacrifício de Cristo e promessas de salvação se estende a todos os descendentes de Abraão pela fé em Cristo, logo, todo homem que se rende com arrependimento e confissão a Cristo, é um descendente de Abraão e herdeiro segundo a promessa. Inferimos, que e Lei de Deus é a base do juízo vindouro, portanto, a Lei está direcionada a todas as nações porque serão julgadas pela Lei. "Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade" Tiago 2:12. Na mesma linha preconiza WHITE.

A lei não fora proferida naquela ocasião exclusivamente para o benefício dos hebreus. Deus os honrou, fazendo deles os guardas e conservadores de sua lei, mas esta devia ser considerada como um depósito sagrado para todo o mundo. Os preceitos do decálogo são adaptados a toda a humanidade, e foram dados para a instrução e governo de todos
Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, 311

A função da lei é nos fazer conhecer o pecado, Paulo nos ensina que."É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás" Romanos 7:7. Lei é tradução de Torah, é a instrução do Senhor. Segundo o texto acima esculpido, Paulo nos relata que ele só tomou conhecimento que cobiça é pecado, porque a lei proíbe cobiçar, caso ele venha a cobiçar, está transgredindo a Lei, logo, está pecando. Concluímos, que a proibição de adorar outros deuses, fazer ídolos, tomar o nome de Deus em vãos, transgredir o sábado, desonrar pai e mãe, matar, adulterar, furtar, dizer falso testemunho e cobiçar, não foram direcionadas somente para os hebreus no Sinai em um pacto bilateral, mas para todos os povos em todos os tempos. Já imaginou se Jesus realmente tivesse cravado na cruz a Lei de Deus, se essa pretensão defendida por evangélicos fosse verdadeira, poderíamos transgredir todos estes mandamentos elencados, que não seria pecado, porque. "Onde não há lei, também não há transgressão" Romanos 4:15.

Todos estes mandamentos eram perfeitamente conhecidos oralmente de geração em geração pelos descendentes de Adão, que firmaram aliança com o Senhor, e eram cuidadosamente obedecidos, então, aprouve ao Senhor codifica-los, chamou o Senhor a Moisés no Monte Sinai e disse:"Vai ao povo e purifica-o hoje e amanhã. Lavem eles as suas vestes e estejam prontos para o terceiro dia; porque no terceiro dia o Senhor, à vista de todo o povo, descerá sobre o monte Sinai" Êxodo 19:10-11. Por conta da natureza pecaminosa (pecado original), o Senhor mandou que o povo fosse purificado, e ficasse a certa distância para não serem mortos. "Marcarás em redor limites ao povo, dizendo: Guardai-vos e subir ao monte, nem toqueis o seu limite; todo aquele que tocar o monte será morto. E disse ao povo: Estai prontos ao terceiro dia; e não vos chegueis a mulher" Êxodo 19:12; 15. Então, "Todo o povo presenciou os trovões, e os relâmpagos, e o clamor da trombeta, e o monte fumegante; e o povo, observando, se estremeceu e ficou de longe" Êxodo 20:18. "Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão" Êxodo 20:1-2.

Vislumbra-se, que o Legislador escolheu Moisés, para liderar e tirar os descendentes de Abraão do Egito e conduzi-los a terra prometida para lhe adorar e prestar culto, portanto, é compreensível que o Senhor entregasse as tábuas da lei para Moisés que era o líder de sua igreja na época. Seria esdruxulo, se Deus entregasse os Mandamentos aos cananeus, egípcios, romanos ou qualquer outro povo pagão. Com certeza, causaria estranheza se Jesus entregasse a direção da sua igreja a qualquer pagão e não aos discípulos que compunha o seu ministério. Observe, que o fato do Senhor confiar ao povo hebreu e entregar a Moisés as tábuas da Lei, estava amparado pela Escritura, eram o povo de Deus na época deste evento. Então o Senhor:"Tendo acabado de falar com ele no monte Sinai, deu a Moisés as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escrita pelo dedo de Deus" Êxodo 31:18. "As tábuas eram obra de Deus; também a escritura era a mesma escritura de Deus, esculpida nas tábuas" Êxodo 32:16. Então o Senhor ordenou que Moisés colocasse as Tábuas do Testemunhos dentro da arca da Aliança. "E virei-me e desci do monte, e pus as tábuas na arca que fizera; e ali estão como o Senhor me ordenou" Deuteronômio 10:5. Dos dez mandamentos que estão esculpidos na Lei, apenas um é questionado e odiado pelos inimigos da verdade, qual seja, o quarto mandamento que diz: "Lembra-te do dia do Sábado para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o Sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do Sábado e o santificou" Êxodo 20:8-11.

Eis o mandamento que exalta a obra da criação e o seu grande arquiteto. Satanás, ensinou aos homens odiar este dia, salvo os servos fiéis do grande legislador, mesmo quando Moisés estava no monte Sinai, prestes a receber a Lei codificada pelo próprio Criador, o inimigo das almas estimulou os remissos hebreus, máxime, com os povos que vieram com eles a se rebelarem adorando uma imagem fundida."Mas, vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão e lhe disse: Levanta-te, faze-nos deuses que vão adiante de nós; pois, quanto a este Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe terá sucedido. Este, recebendo-as de suas mãos, trabalhou o ouro com buril e fez dele um bezerro fundido. Então, disseram: São estes ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito" Êxodo 32:1-4. A imagem escolhida foi um ídolo egípcio que representava um bezerro de ouro, a escolha foi induzida por Satanás premeditadamente, por deitar as raízes da adoração ao primeiro dia da semana (domingo), dia que os Egípcios consagraram ao deus Ápis, cujo símbolo era o bezerro de ouro. Os egípcios adoravam esse ídolo, e com que necessariamente os israelitas se haviam tornado muito familiarizado durante sua longa permanência no Egito. Quanto ao deus Ápis e seu significado, encontramos o seguinte:

Àpis, touro adorado pelos antigos egípcios, que o consideravam como um símbolo de Osíris, o deus do Nilo, esposo de Isis, e grande divindade do Egito” (Chamber’s Enciclopédia). Outrossim, a Enciclopédia Britânica, no artigo Ápis, referindo-se aos escritores gregos e às inscrições hieroglíficas, diz: Segundo esta opinião, Ápis era a encarnação de Osíris manifesta sob a forma de um touro.
Visto que Ápis era considerado como a manifestação visível de Osíris, devemos saber qual foi o papel de Osíris, a fim de compreendermos o culto dos israelitas ao bezerro. Novamente citamos a Enciclopédia Britânica: “Todos os mistérios dos egípcios, e toda a sua doutrina do estado futuro, prendem-se a este culto (de Osíris). Osíris identificava-se com o sol... O culto ao sol foi a forma primitiva da religião egípcia talvez mesmo pré-egípcia. Era a Osíris que as orações e as ofertas pelos mortos eram feitas, e todas as inscrições sepulcrais, exceto as do mais antigo período, são diretamente dirigida a ele. O touro Ápis, que tem em egípcio o mesmo nome que o Nilo, Hapi, era adorado em Menfis... Ápis era considerado o emblema vivo de Osíris, e assim tinha conexão com o sol e o Nilo”.
Por estes extratos revela-se que o culto que os israelitas prestaram ao bezerro de ouro era realmente a forma egípcia de culto ao sol, forma esta de idolatria que sempre tem sido preeminente em seu antagonismo ao verdadeiro culto a Deus. É na verdade significativo que exatamente naquele tempo em que Deus se manifestou aos israelitas de uma maneira peculiar, tornou-se-lhe conhecido o seu Sábado, tivessem eles retrogradado ao antigo culto ao sol, cujo principal dia de festa – o primeiro dia da semana – tem sempre disputado a supremacia ao dia que é especialmente o distintivo do culto ao verdadeiro Deus.
Os israelita, em sua adoração ao bezerro de ouro, professavam estar adorando a Deus. Assim, Arão, dando inicio ao culto ao ídolo, proclamou: amanhã será festa ao Senhor (Êxodo 32:5). Eles se propunham a adorar a Deus, como os egípcios adoravam Osíris, na semelhança da imagem. Deus, porém, não poderia aceitar esse culto. Embora oferecido em seu nome, o objetivo real de sua adoração era o deus sol, e não Jeová.
O culto de Ápis era acompanhado da mais grosseira licenciosidade, e o registro das Escrituras indica que a adoração ao bezerro levada a efeito pelos israelitas foi acompanhada por toda a devassidão usual no culto pagão. Lemos: E no dia seguinte madrugaram, e ofereceram holocausto, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se a comer e a beber, depois levantaram-se para folgar. (Êxodo 32:6).
Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, pág 841

No monte Sinai, o Senhor ensinou o seu povo a honrar e santificar o seu santo dia, o Sábado, enquanto isso, Satanás semeava as sementes do culto ao primeiro dia da semana (domingo), para no futuro mudar os tempos e a Lei. Não podemos olvidar, que nos dias atuais, o Sábado é questionado e ridicularizado pelos adoradores do bezerro de ouro, que prestam culto recheados de licenciosidade, êxtase e secularismo e exaltam o dia espúrio do domingo. Com efeito, ainda existem Arãos que permitem formas de cultos semelhante ao culto ofertado pelos israelitas no episódio do bezerro de ouro, são pastores que não repreendem os pecados, acobertado pelo falso amor, que na verdade é uma satisfação da natureza pecaminosa, com escopo de auferir valores pecuniários, assim, preconiza WHITE.

Quantas vezes em nossos próprios tempos é o amor aos prazeres disfarçado por uma forma de piedade! Uma religião que permite aos homens, enquanto observam os ritos do culto, entregarem-se à satisfação egoísta ou sensual, é tão agradável às multidões hoje como foi nos dias de Israel. E ainda há Arãos flexíveis, que a mesmo tempo em que mantêm posições de autoridade na igreja, cederão aos desejos dos que não são consagrados, e assim os acoroçoarão ao pecado.
Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, pág 326



Pastor: Walber Rodrigues Belo

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