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MANUAL DE DOUTRINAS DA REFORMA Volume I


O QUE FOI ABOLIDO POR CRISTO

É de bom alvitre evidenciar, o homem separou-se de Deus por conta do pecado original (natureza pecaminosa), a única forma do pecador reconciliar adquirindo vida é ligando-se a videira, Cristo: "Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." João 15:4-5. Esta axiomática verdade, encontra-se claramente rotulada nos antigos rituais e cerimônias levíticas, expondo respectivos tipos e sombras relacionados ao Messias. Com efeito, o sistema cerimonial apontava o sacrifício de Cristo e seu significado. Quando Cristo morreu na cruz, a realidade substituiu os símbolos, os tipos referentes ao primeiro advento cumpriram-se perdendo o vigor, cessaram os serviços no santuário terrestre, excluindo o culto de templo, ou segundo as Escrituras rasgando o véu: "Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas." Mateus 27:51. Cristo rendeu o espírito na cruz no exato momento do sacrifício da tarde, quando o sacerdote sacrificou o cordeiro e apresentou o sangue diante do véu. Era terminantemente proibido ao sacerdote comum entrar no Santíssimo ou mesmo contempla-lo, haja vista, somente o sumo sacerdote, uma vez por ano, no dia da Expiação adentrava o santo dos santos efetuando a simbólica limpeza do santuário terrestre. A ruptura do véu, permitindo ao sacerdote contemplar o interior do santíssimo, indica o cumprimento dos tipos do primeiro advento, leia-se, os tipos haviam encontrado os antítipos, o sistema ritual havia chegado ao fim. Essa foi à cédula riscada, a lei consistente em ordenanças: "Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz." Colossenses 2:14. As ordenanças referentes aos tipos do primeiro advento de Cristo cumpriram-se, foram cravadas na cruz abolindo a lei cerimonial, reconciliando judeus e gentios: "Aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz." Efésios 2:15. No aludido texto, observa-se Jesus cravando na cruz a lei de ordenanças, de matança de animais, cerimonial, verdadeiro muro, barreira intransponível de separação impedindo os gentios aproximar-se do Deus único e não a lei moral, se Jesus cravou os dez mandamentos na cruz, então, o homem está autorizado idolatrar, fabricar ídolos, chamar o nome de Deus em vão, transgredir o Sábado, desonrar pai e mãe, matar, furtar adulterar, levantar falso testemunho e cobiçar: "Porque onde não há lei também não há transgressão." Romanos 4:15. Se não houvesse proibição na Lei, as práticas elencadas não seriam imputadas pecado. Porque só há pecado, se a Lei proibir a conduta, assim sendo, não havendo Lei, por certo não haverá transgressão. Leia-se, pecado é a transgressão da Lei.

Ainda no mesmo contexto referente ao pecado, diga-se, no antigo concerto, quando o povo pecava por ignorância contra os mandamentos do Senhor, era imolada uma oferta em seu lugar, representativa do Messias prometido: "Disse mais o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo: quando alguém pecar por ignorância contra qualquer dos mandamentos do Senhor, por fazer contra algum deles o que não deve fazer, se o sacerdote ungido pecar para escândalo do povo, oferecerá pelo seu pecado um novilho sem defeito ao Senhor, como oferta pelo pecado." Levítico 4:1-3. Chama atenção o fato do Senhor perdoar os pecados cometidos por ignorância: "Se toda a congregação do Israel pecar por ignorância, e isso for oculto aos olhos da coletividade, e se fizerem, contra algum dos mandamentos do Senhor, aquilo que se não deve fazer, e forem culpados, e o pecado que cometeram for notório, então, a coletividade trará um novilho como oferta pelo pecado e o apresentará diante da tenda da congregação." Levítico 4:13-14. Diferindo dos pecados voluntários, estes não tinham perdão nem ofertas sacrificadas em expiação. Neste belo exemplo de sacrifício pelo pecado, quando o sacerdote, toda a congregação, o Príncipe ou algum do povo comum, pecava contra os mandamentos do Senhor por ignorância, ofertas eram oferecidas e o sangue levado à tenda da congregação: "Os anciãos da congregação porão as mãos sobre a cabeça do novilho perante o Senhor; e será imolado o novilho perante o Senhor. Então, o sacerdote ungido trará do sangue do novilho à tenda da congregação; molhará o dedo no sangue o aspergirá sete vezes perante o Senhor, diante do véu." Levítico 4:15-17. Jesus cravou essa cédula na cruz, a lei de ordenanças consistente em matança de animais perdeu o valor ou seu objeto, doravante o pecador seria perdoado por um sacrifício mais perfeito e não mais com sangue de animais: "Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerro, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido a eterna redenção." Hebreus 9:11-12, o sacrifício de Cristo é perfeito, não necessita de sangue de animais, Ele intercede pelo pecador oferecendo seu próprio sangue uma vez por todas, "não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu." Hebreus 7:27. Assim sendo, o mediador ofereceu seu precioso sangue imaculado substituindo o sangue dos animais.

Nesse viés, o renomado vidente Daniel profetizou a morte do Messias e o fim dos sacrifícios de animais, ofertas e manjares, sem apontar o fim da lei dos dez mandamentos com a supracitada ação: "Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre as asas das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele." Daniel 9:27. A supracitada profecia se coaduna com as assertivas de Paulo, quando o renomado discípulo descreve o sistema ritual, lei cerimonial ou cédula como meras sombras do bem vindouro: "Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem. Porque é impossível que o sangue de touros e de bodes removam pecados." Hebreus 10:1;4. Segundo ensinamentos do festejado apóstolo, o sistema ritual era imperfeito, baseado em comida bebida e cerimônias, válidos até a reforma ou morte de Cristo, oferecendo seu sangue em sacrifício perfeito purificando a consciência dos justificados pela fé: "Os quais não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma." Hebreus 9:10. O sacrifício vicariante de Cristo se aperfeiçoa com auxílio do Espírito, imputando sua justiça no coração penitente para efetivamente amar e obedecer à lei do Senhor: "Muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo." Hebreus 9:14. O sacrifício de Cristo fomentou esperança, rechaçou o cerimonialismo formal, evoluindo para vivificante vida espiritual mediante sua justiça renovando e aperfeiçoando o pecador.

No presente caso, vê-se teses impudicas, carentes de fundamentação empenhadas em anular Estatutos, Preceitos e Leis fincadas no sacrifício expiatório de Cristo, entrementes, de todas as interpretações teológicas torcidas ou deslocadas dos legítimos contextos, defendidas por pastores e teólogos evangélicos, a mais bizarra emerge da lavra dos adventistas nominais, conforme relatos do Tratado de Teologia Adventista:

Quando Cristo morreu, cessou o sistema ritual com seus sacrifícios e cerimônias complexas. O verdadeiro sacrifício pelo pecado fora feito. Com o perdão livremente oferecido, a cruz cancelou o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenança, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, cravando-o na cruz (Cl. 2:14). Os cristãos não devem mais se preocupar com comidas ou bebidas cerimoniais nem com cerimônias de festas, luas novas ou sábados anuais, porque todo o sistema ritual não passava de uma sombra das coisas que haviam de vir. A realidade dessa sombra, o corpo, foi o sacrifício de Cristo (v.16-17).
REID, George W. DEDEREN, Raquel; VYHMEISTER, Nancy J. Tratado de Teologia Adventista V. 9. 1. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 2011. pág. 539

Em verdade, o aludido texto de colossenses reza da seguinte forma: "Por isso, não permitam que ninguém os julgue em relação ao que comem e bebem, ou com relação a um festival judaico, a lua nova ou sábado. Essas são sombras do que virá; o corpo, porém, é do Messias." Colossenses 2:16-17. O texto elencado expõe grave preocupação, "não permitam que ninguém os julgue", o contexto não aponta falta de preocupação com comida, bebida, Festas, Lua Nova, Sábado ou cerimonialismo como defendem os opositores, no citado texto Paulo exorta no sentido de cuidar da doutrina: "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem." I Timóteo 4:16. No mesmo sentido Paulo exortou os servos cristãos honrarem seus senhores com um propósito: "Todos os servos que estão debaixo do jugo considerem os seus senhores dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados." I Timóteo 6:1, o presente contexto se coaduna com a expressão em comento "não permitam que ninguém os julgue", a preocupação e exortação de Paulo ancora-se no sentido do irmão obedecer a doutrina não permitindo blasfêmias, julgamento ou críticas contra Deus e sua doutrina.

Nesse compasso, é adequado descortinar o sentido do fragmento "que comem e bebem", em verdade, não se trata de comidas e bebidas cerimonias, contrariando narrativa do texto adventista, haja vista, a única comida sagrada permitida ao povo comum eram os sacrifícios da oferta Pacífica e do cordeiro da Páscoa, leia-se, salvo os dois sacrifícios apontados, o povo comum não degustava alimentos sagrados.

Urge destacar os gélidos argumentos dos teólogos da igreja adventista nominal, ao seu viso, Festas fixas, Lua Nova, e Sábado foram cravados na cruz, alegam: "o Sábado esculpido por Paulo em Colossenses refere-se aos Sábados cerimoniais", entrementes, trata-se de afirmação bizarra, descabida, oriunda dos renomados teólogos, em verdade, quando Paulo abordou as festas, com certeza os sábados cerimoniais estão inclusos, são parte inerente das festas. O erro teológico persiste de longa data, fomentado por Guilherme Stein Filho, um dos primeiros adventistas manifesto no Brasil defensor da esdruxula tese, dizia ele, se tiver escrito Sábados no plural é cerimonial, se tiver escrito sábado no singular é semanal. O aludido argumento beira o absurdo, em verdade depende do contexto, veja este exemplo: "Também lhes dei os meus sábados como um sinal entre nós, para que soubessem que eu, o Senhor, fiz deles um povo santo." Ezequiel 20:12. Vislumbra-se, o profeta escrevendo os meus Sábados, no plural, no entanto, não se trata de sábados cerimoniais, mas, do Sábado semanal, esculpido no decálogo, somente ele é sinal entre Deus e seu povo, logo essa teoria fajuta não merece prosperar. Ademais, Paulo, no citado texto, exorta a igreja evitar transgressões do Sábado semanal, cerimonial, Lua Nova, no comer e beber, visando tolher julgamento e críticas de ímpios e opositores.

Outro erro grosseiro maculando o texto elencado no tratado de teologia, se materializa na expressão "o corpo é de Cristo", para os adventistas nominais, a indicada expressão representa o sacrifício de Cristo cravando tudo na cruz, quando na verdade se trata da igreja de Cristo: "Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja." Colossenses 1:24. Com efeito, as Escrituras descortinaram mais uma inverdade levantada pelos opositores. Em sua visão sombria, interpretam o fragmento "a realidade é Cristo" cravando Festa, Lua Nova e Sábado na cruz. Em verdade o texto de Colossenses diz: "são sombras do que virá", logo, está no futuro, quando Paulo escreveu o texto, Jesus era passado, havia morrido há mais de vinte anos, se ele quisesse apontar as sombras e tipos do primeiro advento, com certeza, teria escrito: Foram sombras do que veio (Cristo), haja vista, os acontecimentos pertencerem ao passado. No entanto ele falou em sombras futuras, ou seja, além do seu tempo, com uma solida confirmação apontando os tipos do segundo advento, estes devem cumprir-se há seu tempo, verbis: "não permitam que ninguém os julgue em relação ao que comem e bebem, ou com relação a um festival judaico, a lua nova ou sábado. Essas são sombras do que virá." Colossenses 2:16-17. O festejado apóstolo toma como prisma o zelo da igreja pela doutrina, exorta não causar escândalos ou transgressões evitando julgamento dos ímpios por causa de comida bebida, Festa, Lua Nova e Sábado. Ele diz "são sombras do que virá", Cristo já havia morrido quando Paulo escreveu o aludido texto, portanto, é extremamente temerário interpretar Cristo cravando Festa, Lua Nova e Sábado na cruz, Paulo apontou o futuro, tipos do segundo advento. Para consolidar definitivamente o alegado, se faz necessário estudar de forma sucinta o cumprimento dos tipos do primeiro e segundo advento, visando esclarecer definitivamente o texto de Colossenses 2:16-17 no verdadeiro contexto.

Dentro deste contexto, vislumbra-se as Escrituras ensinarem de forma exaustiva, Cristo cravando na cruz ordenanças com respectivos sacrifícios de animais. Como cediço, as Festas fazem parte do Plano de Redenção, por esta razão, Paulo as enfatizou no texto de colossenses, cabe estudar quais das três festas permanece sombra. As Festas foram fomentadas por Deus antes do pecado de Adão, a primeira Festa é a Páscoa, seguida pelos Pães Asmos, em assim sendo, se faz necessário conhecer seu real significado. Quando Moises tirou o povo de Israel do Egito, o Senhor ordenou: "Este mês vos será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano. Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpetuo. Ao primeiro dia, haverá para vós outros santa assembleia; também, ao sétimo dia, tereis santa assembleia; nenhuma obra se fará nele, exceto o que diz respeito ao comer, somente isso podeis fazer. Chamou, pois, Moisés todos os anciãos de Israel e lhe disse: Escolhei, e tomai cordeiros segundo as vossas famílias, e imolai a Páscoa." Êxodo 12:1;14;16;21. Na saída dos Hebreus do Egito, o Senhor instituiu a Festa da Páscoa. De acordo com escritos da lavra da irmã White, a Páscoa e os Asmos eram símbolos da obra de Cristo, tipos do primeiro advento, os dois primeiros Sábados cerimoniais (o primeiro e o sétimo dia) da festa dos Asmos se cumpriram quando o Messias rendeu o espírito na cruz do calvário, esta festa atingiu seu objeto, o tipo encontrou o antitipico nos símbolos, qual seja o cordeiro, o Pão Asmo e os molhos movidos. Esta assertiva se coaduna com a pena da irmã White quando exorta:

A Páscoa era seguida pela festa dos sete dias dos pães asmos. No segundo dia da festa, os primeiros frutos da colheita anual, um molho de cevada, eram apresentados ao Senhor. Todas as cerimônias da festa eram símbolos da obra de Cristo. A libertação de Israel do Egito era uma lição objetiva da redenção, que a Páscoa se destinava a conservar na memória. O cordeiro imolado, o pão asmo, o molho dos primeiros frutos, representavam o salvador.
WHITE, Ellen Golden O Desejado de Todas as Nações 14. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1986. pág. 66

De acordo com a ínclita autora, quando Cristo morreu levou a termo o sistema de símbolos e cerimônias referentes a supracitada Festa, o tipo encontrou antítipo, o cordeiro pascoal simbolizava Cristo, assim como os molhos representavam a ressureição. Cumprindo-se a Festa da Páscoa, o Senhor instituiu a Santa Ceia em seu lugar, obrigando sua Igreja celebrar até sua segunda vinda.

Com efeito, Cristo foi o divisor de águas, a Festa da Páscoa simbolizava a morte do Cordeiro, pondo fim a essa Festa:

Cristo se achava no ponto de transição entre dois sistemas e suas duas grandes festas. Ele, o imaculado Cordeiro de Deus, estava para Se apresentar como oferta pelo pecado, e queria assim levar a termo o sistema de símbolos e cerimônias que por quatro mil anos apontara à sua morte. Ao comer a páscoa com seus discípulos, instituiu em seu lugar o serviço que havia de comemorar seu grande sacrifício. Passaria para sempre a festa nacional dos judeus. O serviço que Cristo estabeleceu devia ser observado por seus seguidores em todas as terras e por todos os séculos.
WHITE, Ellen Golden O Desejado de Todas as Nações 14. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1986. pág. 629

A festa dos Asmos, por sua vez, era símbolo da ressureição de Cristo, o molho movido pelo sacerdote, representava os primeiros salvos, as "primícias dos que dormem" , os primeiros ressuscitados com Cristo: "Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando houverdes entrado na terra que eu vos dou, e segares a sua sega, então trareis ao sacerdote um molho das primícias da vossa sega; e ele moverá o molho perante o Senhor, para que sejais aceito. No dia seguinte ao sábado, o sacerdote o moverá. E no dia em que moverdes o molho, oferecereis um cordeiro sem defeito; de um ano, em holocausto ao Senhor.
E não comereis pão, nem trigo torrado, nem espigas verdes, até aquele mesmo dia, em que trouxerdes a oferta do vosso Deus; é estatuto perpétuo do vosso Deus; é estatuto perpétuo pelas vossas gerações, em todas as vossas habitações."
Levítico 23:10-14. Como fomentado alhures, a Páscoa foi instituída na saída de Israel do Egito, quando Jesus morreu e ressuscitou no dia seguinte ao Sábado cerimonial, Páscoa e Asmos cumpriram-se efetivamente, "abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram." Mateus 27:52. O tipo encontrou o antítipo. Segundo Haskell, os servos fiéis de cada século desde Adão até Cristo ressuscitaram neste memorável dia, cumprindo-se parcialmente o Plano de Redenção. No aludido evento, cessou todas as ofertas sacrificais, nesse sentido relata a irmã White:

O cerimonial era constituído de símbolos que apontavam para Cristo, para o seu sacrifício e sacerdócio. A lei ritual, com seus sacrifícios e ordenanças, devia ser cumprida pelos Hebreus até que o tipo encontrasse o antítipo, na morte de Cristo, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Então cessariam todas as ofertas sacrificais
WHITE, Ellen Golden Patriarcas e Profetas 9. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1989. pág. 379

Os molhos eram símbolo de Cristo, ele ressuscitou no mesmo dia, quando os molhos foram movidos perante o Senhor, o tipo encontrou o antítipo:

Cristo ressurgiu dos mortos como as primícias dos que dormem. Era representado pelo molho movido, e sua Ressurreição teve lugar no próprio dia em que o mesmo devia ser apresentado perante o Senhor. Por mais de mil anos está simbólica cerimônia fora realizada. Das searas colhiam-se as primeiras espigas de grãos maduros, e quando o povo subia a Jerusalém, por ocasião da Páscoa, o molho das primícias era movido como oferta de ações de graça perante o Senhor. Enquanto essa oferenda não fosse apresentada. A foice não podia ser metida nos cereais, nem estes ser reunidos em molhos. O molho dedicado a Deus representa a colheita. Assim Cristo, as primícias representavam a grande messe espiritual a ser colhida para o reino de Deus. Sua Ressurreição é o tipo e o penhor da ressurreição de todos os justos mortos. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele.
Quando Cristo ressurgiu, trouxe do sepulcro uma multidão de cativos. O terremoto, por ocasião de sua morte, abrira-lhes o sepulcro e, ao ressuscitar ele, ressurgiram juntamente. Eram os que haviam colaborado com Deus, e que a custa da própria vida tinham dado testemunho da verdade. Ascenderam com ele, como troféus de sua vitória sobre a morte e o sepulcro. Estes, disse Cristo, não mais são cativos de Satanás. Eu os redimi. Trouxe-os da sepultura como as primícias de meu poder, para estarem comigo onde eu estiver, para nunca mais verem a morte nem experimentarem a dor.
WHITE, Ellen Golden O Desejado de Todas as Nações 14. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1986. pág. 754

Os aludidos tipos do primeiro advento, com os respectivos sábados cerimonias cumpriram-se, cravados na cruz por Jesus.

Nesta senda, o Senhor ordenou seu povo, cinquenta dias após a Festa dos Asmos, oferecer nova oferta perante sua gloriosa presença: "Contareis para vós outros desde o dia imediato ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão. Até ao dia imediato ao sétimo sábado, contareis cinquenta das; então, trareis nova oferta de manjares ao Senhor. No mesmo dia, se proclamará que tereis santa convocação; nenhuma obra servil fareis; é estatuto perpétuo em todas as vossas moradas, pelas vossas gerações." Levítico 23:15-16;21. Trata-se da Festa do Pentecostes, o terceiro sábado cerimonial, tipo da primeira grande colheita de almas. O Pentecostes cumpriu-se após a ressureição de Jesus, não foi cravado na cruz de inopino, foi consumado no derramamento do Espírito Santo conforme designado no Plano de Redenção. A supracitada fase do Plano de Redenção é sabiamente esclarecida pela irmã White:

Jesus disse aos discípulos: Eu vos enviei a ceifar onde não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho. O Salvador antecipou aqui a grande colheita do dia do Pentecostes.
Pelo derramamento do Espírito Santo, no Pentecostes, milhares se haviam de converter em um dia. Isto era o resultado da semente lançada por Cristo, a colheita de seu labor
WHITE, Ellen Golden O Desejado de Todas as nações 14. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1986. pág. 171

Celebrava-se a Festa do Pentecoste cinquenta dias após a Páscoa, em dia único, um sábado cerimonial, apresentava-se pão levedado simbolizando a primeira grande colheita de almas difundida no derramamento do Espirito Santo na chuva Temporã, nos dias dos apóstolos: "Ao cumprir-se o dia do Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente veio do céu um som, como de vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E lhes apareceram umas línguas como fogo, que se distribuíram, e sobre cada um deles pousou uma. E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem." Atos 2:1-4. Por certo, o derramamento do Espírito Santo, era parte integrante da nova aliança, figurando Jesus como mediador. Neste evento, como já exposto, cumpriu-se a primeira grande colheita de almas, semeada por Jesus na chuva temporã tipificada no Pentecostes, neste sentido relata o renomado pioneiro adventista:

Havia uma obra para os discípulos cumprirem a fim de estar habilitados para a grande festa antitípica da colheita. Necessitavam estudar as Escrituras, remover toda divergência e estar em harmonia para que pudessem receber o derramamento do Espírito Santo, que os habilitaria a saber como cuidar da grande colheita de três mil almas, fruto do ministério de Cristo. Necessitavam também desse especial derramamento do Espírito para prepará-los a levar avante a maravilhosa obra iniciada no dia de Pentecostes, até que toda criatura debaixo do céu ouvisse as boas novas de salvação (Atos 1:14-26). Na Palestina havia uma primeira chuva e uma última chuva, que ocorria no tempo do amadurecimento da colheita. O profeta Joel, falando da obra de Deus nos últimos dias, usa os termos "chuva temporã" e "chuva Serôdia" para representar o derramamento do Espírito de Deus. E nas palavras seguintes ele dá a certeza de que na obra final do Evangelho na terra, Deus novamente derramará seu Espírito. "Ele vos dará em justa medida a chuva; fará descer, como outrora, a chuva temporã e a serôdia, ... As eiras se encherão de trigo"
HASKELL, Stephen N. A Cruz e sua Sombra, pág. 113

Diante do exposto, conclui-se, o terceiro Sábado cerimonial, também encontrou seu antítipo na grade colheita de almas, representada pela festa do Pentecostes.

Perquirindo os Testemunhos da irmã White, vislumbra-se a existência de tipos do primeiro e do segundo advento de Cristo, os três Sábados cerimoniais, já estudados, faziam parte dos tipos do primeiro advento, neste sentido a renomada autora acrescenta:

Argumentos aduzidos dos símbolos do Velho Testamento apontavam também para o outono como o tempo em que deveria ocorrer o acontecimento apresentado pela "purificação do santuário". Isto se tornou muito claro ao dar-se atenção à maneira por que os símbolos relativos ao primeiro advento de Cristo se haviam cumprido.
A morte de cordeiro pascal era sombra da morte de Cristo. Diz São Paulo; "Cristo nossa Páscoa foi sacrificado por nós" I Coríntios 5:7.O molho das primícias que por ocasião da Páscoa era movido perante o Senhor simbolizava a ressurreição de Cristo. Falando da ressurreição do Senhor e de todo o seu povo, diz São Paulo: "Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda". I Coríntios 15:23.
Semelhantemente ao molho que era agitado constituído pelos primeiros grãos amadurecidos que se colhiam antes da ceifa, Cristo é as primícias da ceifa imortal de resgatados que por ocasião da ressurreição futura, serão recolhidos ao celeiro de Deus
Aqueles símbolos se cumpriram, não somente quanto ao acontecimento mas também quanto ao tempo. No dia catorze do primeiro mês Judaico, no mesmo dia do mês em que, durante quinze longos séculos, o cordeiro pascal havia sido morto, Cristo tendo comido a Páscoa com os discípulos, instituiu a solenidade que deveria comemorar sua própria morte como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Naquela mesma noite Ele foi tomado por mãos ímpias, para ser crucificado e morto. E, como antítipo dos molhos que eram agitados, nosso Senhor ressurgiu dentre os mortos ao terceiro dia, como – as primícias dos que dormem (I Coríntios 15:20 ) exemplo de todos os ressuscitados justos, cujo corpo abatido será transformado, para ser conforme o seu corpo glorioso. Filipenses 3:21.
De igual maneira, os tipos que se referem ao segundo advento devem cumprir-se ao tempo designado no culto simbólico. No cerimonial mosaico, a purificação do Santuário, ou o grande dia da expiação, ocorria no décimo dia do sétimo mês judaico ( Levítico 16:29-34 ), dia em que o sumo sacerdote, tendo feito expiação por todo o Israel, e assim removido seus pecados do santuário, saía e abençoava o povo".
WHITE, Ellen Golden O Grande Conflito 30. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1985. pág. 398-379

Como cediço, existem 7 (sete) Sábados cerimoniais, três foram cravados na cruz como tipo do primeiro advento, restando quatro sábados cerimoniais, estes eram futuro para Paulo, fazem parte dos tipos do segundo advento de Cristo e devem cumprir-se a seu tempo segundo o culto simbólico. Paulo era profundo conhecedor do Plano de Redenção, cônscio da existência dos quatro sábados restantes, tipos do segundo advento, escreveu "são sombras do que virá", ou seja, o quarto Sábado anuncia a Trombeta da Festa dos Tabernáculos, símbolo da Trombeta de prata anunciando a mensagem do primeiro anjo, o quinto Sábado refere-se a Expiação, símbolo do Juízo de Investigação, em andamento no Santuário celestial, o sexto e o sétimo Sábados cerimoniais reportam-se a festa dos Tabernáculos simbolizam a segunda e última grande colheita de almas, ou chuva Serôdia, assunto comentado em outro momento, onde serão detalhados no estudo do Plano de Redenção na linha do tempo. É forçoso afirmar com segurança, quanto a estes sábados cerimonias restantes, não se cumpriram com a obra iniciada em 1844, com a mensagem do primeiro anjo ou quando Cristo entrou no Santíssimo, o cumprimento não ocorre automático, mas, no final, quando Jesus sair do santuário e dizer: Está consumado.

Por fim, foi definitivamente detalhado os tipos do primeiro advento cravados na cruz. Quanto aos tipos referentes ao segundo advento, aguardam consumação quando Cristo efetivamente concluir a obra do Santuário, modelado no memorável Plano de Redenção. No texto em comento de Colossenses 2:16-17, Paulo aconselhou a igreja zelar pela doutrina evitando maus testemunhos bloqueando julgamento dos incrédulos aos irmãos por comerem, beberem, por causa das Festas, transgressão do dia da Lua Nova ou Sábado, com efeito, comida e bebidas não são sombras de nada, a Lua Nova também não é sombra, não faz parte do sacrifício expiatório de Cristo, muito menos o Sábado semanal é tipo ou sombra de qualquer coisa, são sinais conforme relata as Escrituras, o Sábado foi instituído antes do pecado, portanto, não é tipo ou sombra. Restou comprovado, os tipos e sombras do segundo advento, relatados por Paulo como profundo conhecedor do Plano de Redenção, são os quatros Sábados cerimoniais, tipos do segundo advento de Cristo.




Autor: Walber Rodrigues Belo