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MANUAL DE DOUTRINAS DA REFORMA Volume I


TEXTOS CONTROVERTIDOS


O Primeiro Texto Controvertido (Romanos 10:2-4)

Colacionamos Cristo invocar o cumprimento profético esculpido no livro do profeta Isaías destacando a hipocrisia religiosa do seu tempo, neste sentido ele disse: "Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honram com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens." Mateus 15:7-9. A doutrina da prosperidade, imortalidade da alma e êxtase pentecostal são exemplos do cumprimento profético em andamento nos últimos dias, muita profissão de fé, pouca espiritualidade e nenhuma obediência a sã doutrina, os religiosos honram Jesus apenas de lábios nutrindo corações pecaminosos dominados pela cobiça, amam prazeres, lucro fácil e ganância, distanciando-se da verdade. E o mais grave, não medem esforços para inocular mentiras, mandamentos de homens, suplantando a verdade, tornando-a impopular, odiada e considerada entrave na satisfação de desejos pecaminosos dos corações avarentos. Vislumbra-se suposto reavivamento, desnudo de eficácia, trata-se de profissão de fé famélica, carente de espiritualidade, fadada a morte por inanição espiritual.

Paulo, por sua vez, advertiu a igreja dizendo: "Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E, que dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles." Atos 20:29-30. A profecia do festejado apóstolo se confirma nos últimos dias, pastores macabros desviam almas dos retos caminhos do Senhor, abarrotando suas denominações religiosas, oferecendo palha e feno como alimento (prazeres e entretenimento seculares, disfarçados de religiosidade), a supracitada profecia encontra-se em pleno cumprimento, exatamente como anunciou o apóstolo.

É imperioso relatar o propósito dos pastores arrivistas ou lobos devoradores, com certeza, não é preparar almas para Cristo, mas destruir as almas em busca de lucros, através da famigerada doutrina da prosperidade, são lobos disfarçados de ovelhas: "Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa para derramarem o sangue, para destruírem as almas e ganharem lucro desonesto." Ezequiel 22:27. Eis o real motivo de pastores evangélicos denegrirem a doutrina da igreja primitiva, blasfemar contra a Lei e as regras virtuosas da moral, o lucro vil, enchem as igrejas de pecadores envoltos em seus pecados, não pretendem leva-los aos pés de Cristo para limpar as impurezas pecaminosas, pelo contrário, alimentam iniquidades, reforçam natureza pecaminosa com secularismo, prometem salvação em pecados, sem cruz, para abrir o bolso dos incautos, amantes dos prazeres espúrios.

Com efeito, lobos devoradores infiltraram-se na igreja de Deus, todavia, não permanecerão, hão de se manifestar com doutrinas satânicas arremessando pedras contra a sã doutrina, segundo João, saíram porque não são dos nossos: "Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivesse sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos." I João 2:19. Centralizam seus alvos, focando apenas em coisas terrenas, lucro fácil, dízimos e ofertas, são inimigos de Cristo: "Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas." Filipenses 3:18-19. São mestres em torcer as Escrituras, mudar a verdade em mentira e enganar corações remissos, honram a criatura (Papa) em detrimento do Criador (Deus), a título ilustrativo, vislumbra-se o alegado quando veneram o domingo negando o dia do Senhor o santo Sábado: "Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente." Romanos 1:25. Entrementes, os guias enganadores não ficarão impunes, serão devorados pelo dragão juntamente com seus seguidores, rejeitaram a luz oriunda da cruz, transgredindo os mandamentos do Senhor: "Porque os guias deste povo são enganadores, e os que por eles são dirigidos são devorados." Isaías 9:16. Observe-se a malsinada promessa de salvação sem cruz reduzida em perdição. Estes falsos guias, insistem ensinar rebelião contra a lei de Deus, desviam o povo do caminho reto, fazendo-os tropeçar nas veredas do secularismo, por isso receberão a visitação do Senhor: "Mas vós, homens __ vós pacto de Levi, disse Jeová dos exércitos. E também eu, da minha parte, certamente farei que sejais desprezados e rebaixados para todo o povo, porquanto não guardastes meus caminhos, mostrastes parcialidade na aplicação da lei." Malaquias 2:8-9. Embora se intitulem povo de Deus, arautos da fé, lavados no sangue do Cordeiro, às sagradas Escrituras rotulam de povo rebelde, mentiroso, transgressores da Lei do Senhor: "Porque povo rebelde é este, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do Senhor." Isaías 30:9. Tecem planos divorciados da sã doutrina, uma vez por todas entregue aos santos (Judas 3). São rebeldes contra o Senhor e sua Lei, multiplicando pecado sobre pecado em suas denominações: "Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que executam planos que não procedem de mim e fazem aliança sem a minha aprovação, para acrescentarem pecado sobre pecado!" Isaías 30:1. Interessante notar, pastores evangélicos elaboram planos visando arruinar almas, alegando inspiração divina sob o efeito do êxtase do espiritismo, sacrificam almas sob altar de Satanás, como oferta fomentando pecado em suas denominações.

Como se percebe, é impossível negar a existência de textos das Escrituras difíceis de entender, máxime, para os pervertidos amantes dos prazeres, rebeldes contra a doutrina apostólica e a lei de Deus, torcem as Escrituras ensinando seus adeptos transgredirem a lei para sua própria perdição: "Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejas juntamente arrebatado, e descaiais de vossa firmeza." II Pedro 3:16-17. O supracitado texto lavrado por Pedro adverte a igreja de Deus, seu objetivo é preservar os crentes protegidos dos enganos satânicos, manifesto através de seus agentes revestidos de anjo de luz. Existem alguns textos nas Escrituras referentes à Lei, a qual os agentes do inimigo torcem, em sua ótica, foram cravados na cruz por Cristo. Todavia, Paulo afirmou acreditar nos escritos dos profetas obedecendo fielmente a lei: "Confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas." Atos 24:14. Os legalistas Fariseus acusaram Paulo de transgredir a Lei, neste episódio, foi-lhe ofertada ótima oportunidade de optar pela oposição à Lei, no entanto, ele ratifica a Lei e os escritos dos profetes.

Ainda no mesmo contexto, diga-se, se Paulo ensinou transgredir a lei, no elencado texto desperdiçou bela oportunidade de demonstrar repudio a Lei. Em verdade, o festejado apóstolo se manifesta de modo contrário, afirmando acreditar na vigência da lei e nos profetas. Sabendo disto, Satanás não mediu esforços para perverter está axiomática verdade. Em assim sendo, se faz necessário analisar o primeiro texto controvertido cunhado no livro de Romanos. Na visão evangélica, Cristo cravou a lei na cruz, porque está escrito: o fim da Lei é Cristo: "Porque lhes dou testemunho de que eles tem zelo por Deus, porém não com conhecimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus. Porque o fim da Lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê." Romanos 10:2-4. Com efeito, eles isolam fragmentos do texto "o fim da lei é Cristo" para adulterar o contexto. Analisando o texto em seu legítimo contexto. Vislumbra-se Paulo asseverando: Os judeus têm zelo por Deus e sua lei, no entanto, sem entendimento é um zelo cego, sem a verdade do Messias. Desprezando a justiça, ou natureza divina de Cristo reinando em seus corações, trilharam o caminho do legalismo, estabeleceram sua própria justiça, trapo de imundícia para Deus, tentaram o impossível, guardar a lei revestidos de natureza pecaminosa, por mero esforço humano, sem Cristo. O impudico esforço resultou em rejeição do Messias e perdição da nação judaica, o povo pereceu por falta do conhecimento da justiça de Cristo: "Meu povo foi destruído por falta de conhecimento. Uma vez que vocês rejeitaram o conhecimento, eu também os rejeitos como meus sacerdotes; uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei seus filhos." Oséias 4:6. Como cediço, alicerçado no professo zelo por Deus, Israel caiu na armadilha da autossatisfação legalista. Segundo o profeta: "Israel é uma vide frondosa; dá fruto para si memos." Oséias 10:1. Alheios a justiça de Deus, naufragaram no legalismo buscando vigorosamente alcançar justiça pelas obras da lei. Consideraram sacrifícios, ordenanças e cerimônias meio de justiça, rejeitando a sólida fragrância da justiça Messiânica. Destarte, sua religião degenerou em mero formalismo de autoglorificação e autossuficiência, acreditando se justificarem pela obediência da Lei. Nos últimos dias, religiosos negacionistas ignoram a função da Lei (apontar o pecado), desse modo, rejeitam o conhecimento da justiça de Cristo esculpida na sã doutrina. Em assim sendo, trilham o caminho legalista dos judeus, diferenciando da ênfase, o judaísmo fincado na lei e os evangélicos ancorados em sua fé, contudo, participam do mesmo fim, a morte.

No texto em comento, Paulo relata zelo cego, sem entendimento dos judeus e o completo desconhecimento da justiça de Cristo, por fim afirmou, "o fim da lei é Cristo", na ótica evangélica o "fim da lei é Cristo", significa, Cristo pôs fim a lei, cravando-a na cruz, permitindo aos homens matar, roubar, adulterar, adorar ídolos, cobiçar, transgredir o Sábado etc. No entanto, é forçoso compreender o significado da palavra "fim da lei é Cristo" no verdadeiro contexto.

Em verdade, a palavra "fim" no aludido texto vem do grego “telos” significa alvo, objetivo. Nesse contexto, a correta tradução do texto em comento, reza: "Porque o alvo ou objetivo da Lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê." Romanos 10:4. Não olvidando, o escopo (alvo, objetivo) da Lei não visa salvação, a lei não tem esse condão, vejam: "É, porventura, a lei contrária às promessas de Deus? De modo nenhum! Porque, se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade, seria procedente da lei." Gálatas 3:21. A finalidade da Lei não é justificar, mas, aproximar o pecador de Cristo para ser justificado, revestido com seu manto de justiça. Em assim sendo, como a lei aproxima o pecador de Cristo? Certamente, mostrando o pecado para evitá-lo. Embora, por si só, nenhum homem tem força para abandonar o pecado, é possível conhecer o pecado e repudia-lo com auxílio de Cristo, tomando emprestado sua justiça (natureza divina), habilitando o penitente pecador obedecer a Lei por amor reconciliando-o com Deus. Em suma, o objetivo da lei é Cristo, aponta o Messias, único capaz de restaurar o pecador cobrindo com sua justiça. O pecador justificado, foi perdoado, necessita da lei apontar o pecado para não reincidir e da justiça de Cristo para obedece-la.

Em outro norte, vislumbra-se os judeus perecerem por não perceber o fim do ministério de Moisés, ou fim da lei, com seus tipos e sombras apontando para Cristo, o único capaz de revesti-los com sua justiça. Sem Cristo é impossível obedecer a Lei Moral, sem a justiça de Cristo (natureza divina) temperando, aperfeiçoando o esforço humano, resta apenas zelo cego, sem entendimento e coração vazio de justiça, carente de amor, portanto incapazes de obedecer a Lei: "Santa; e o mandamento, santo, justo e bom." Romanos 7:12. Eis a impossibilidade de guardar o decálogo em virtude da sua santidade, a Lei é santa, justa e boa exigindo justiça do homem para respeitá-la, amá-la e obedecê-la. O problema dormita na humanidade, os herdeiros de Adão perderam a justiça no evento do pecado, carecendo tomar emprestada de Cristo para obedecer a Lei: "Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado." Romanos 7:14. O supracitado texto expõe contradição cavalar ente pecador e Lei. A Lei é espiritual, o pecador carnal, a lei é santa, o pecador inclinado ao mal, nesse viés, vislumbra-se o desespero de Paulo visando alcançar pureza, perfeição e justiça, contudo, por si só, era impotente para alcança-la, foçando o festejado apóstolo clamar ao Senhor: "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" Romanos 7:24. É-nos impossível, por nós mesmos, escapar do pecado. O festejado apóstolo conhecia o Plano de Redenção, sabia da potencial impiedade reinante no coração natural, sem Cristo, é impossível transformar o coração, direcionando no amor e obediência a santa Lei de Deus. Segundo as Escrituras: "Quem do imundo tirará o puro? Ninguém." Jó 14:4. Enquanto o coração permanecer impuro, contaminado pela natureza pecaminosa, o pecador se torna inimigo de Deus, inclinado a satisfação da carne, sujeito a morte: "Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser." Romanos 8:7. A inclinação da carne separa o pecador do Criador, todavia, não há motivo para desespero, existe um escape, Cristo. A princípio, impende distinguir esforço humano alicerçado na educação, cultura, exercício de vontade, conduta humana, todos empunham esfera de ação colhendo resultados embora impotente para purificar o coração, obra destinada ao Espírito Santo, único capaz de restaurar o pecador. O aludido esforço humano pode conduzir procedimento superficialmente correto, contudo, não pode mudar o coração, é incapaz de purificar os mananciais da vida imputando justiça:

É preciso um poder que opere interiormente, uma nova vida que proceda do alto, antes que o homem possa substituir o pecado pela santidade. Esse poder é Cristo. Sua graça, unicamente, é que pode avivar as amortecidas faculdades da alma, e atraí-la a Deus, à santidade. Disse o Salvador: Aquele que não nascer de novo – não receber um novo coração, novos desejos, propósitos e motivos, que conduzem a uma nova vida – não pode ver o reino de Deus. A ideia de que basta desenvolver o bem que por natureza existe no homem, é um erro fatal.
WHITE, Ellen Golden. Caminho a Cristo, 27.ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1989. pág. 18

O pecador necessita tomar emprestado a justiça de Cristo visando a santificação, equiparando-se a santidade da lei, nesse sentido, Cristo é o alvo, objetivo ou fim da lei, para suprir a falta de justiça no pecador, habilitando-o guardar a lei, ou seja, o homem só pode guardar a lei com auxílio de Cristo, revestido de sua justiça.

Segundo o apóstolo Paulo, os judeus cobriram o rosto com um véu, encharcados de justiça própria e formalismo recusaram reconhecerem sua dependência do Messias. Somente Cristo pode retirar o véu do coração, isto, quando aceito pela fé, restitui a semelhança divina, cunhando seu caráter no pecador: "Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado. E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito." II Coríntios 3:15-16;18.. O pecado original ou natureza pecaminosa precisa ser despojado, substituído pelo manto de justiça de Cristo. Os judeus não compreenderam esta verdade, confiaram em sua capacidade ou justiça para obedecer caíram em perdição, obstruindo o caminho da salvação.

Como visto, os judeus rejeitaram o conhecimento, o véu não pode ser removido, destarte, tentaram obedecer a Deus e sua Lei pela auto justificação, tentaram se santificar e obedecer aos mandamentos alicerçados em comportamento, justiça própria, esforço humano, trapo de imundície fadado ao fracasso. Neste sentido relata a irmã White:

Os judeus por seus pecados, estavam-se separando de Deus. Eram incapazes de discernir o profundo significado espiritual do seu serviço simbólico. Em sua justiça própria confiavam em suas próprias obras, nos sacrifícios e ordenanças em si, em vez de descansar nos méritos d’Aquele a quem todas essas coisas apontavam. Assim, procurando estabelecer a sua própria justiça (Rom 10:3), edificaram-se sobre um formalismo autossuficiente. Faltando-lhes o Espírito e a graça de Deus, procuraram ressarcir a falta mediante rigorosa observância das cerimônias e ritos religiosos. Não contentes com as ordenanças que o próprio Deus havia designado, obstruíram os mandamentos divinos com incontáveis exações por si mesmos urdidas. Quanto mais se distanciavam de Deus, mais rigorosos eram na observância dessas formas.
Com todas essas minuciosas e opressoras exigências, tornou-se uma impossibilidade prática para o povo a guarda da lei. Os grandes princípios de justiça expostos no decálogo, e as gloriosas verdades delineadas no serviço simbólico, foram igualmente obscurecidas, sepultadas sob uma massa de tradições e preceitos humanos.
WHITE, Ellen Golden. Patriarcas e Profetas, 9. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1989. pág. 671

Guardar a Lei, transcende a aparente piedade religiosa, supera formalismo, a obediência precisa vir de dentro para fora, motivada pela justiça de Cristo imputada no coração.

É forçoso relatar, os hebreus perverteram o objetivo da lei, afogaram-se no formalismo. Em verdade, a lei serviu de tutor aos judeus, conduzindo-os à Cristo para receberem sua justiça alcançando a santidade da lei, assim sendo, seriam declarados justos, com base na fé no Messias, capacitados a amar e obedecer à lei, essa era a confiança (fé) revelada: "Antes que viesse o tempo dessa fidelidade decorrente da confiança (fé), estávamos aprisionados, em sujeição ao sistema resultante da perversão da lei em legalismo, mantidos sob guarda até que a vindoura fidelidade decorrente da confiança (fé) fosse revelada. Assim, a Lei foi o nosso tutor até a vinda do Messias, para que pudéssemos ser declarados justos com base na confiança (fé) e na fidelidade." Gálatas 3:23-24. A lei foi comparada como tutor, aio, ou seja, comparada à direção e disciplina de um pedagogo, a Lei não somente aponta o pecado e condenação, mas apresenta solução, o caminho da salvação, leia-se, imputação da natureza divina de Cristo no coração do pecador penitente, restaura a semelhança divina perdida por Adão, habilita obedecer a Lei e reconcilia com Deus. Neste sentido ensina o festejado pioneiro Jones:

Mediante sua morte, pagou a penalidade de todos os pecados cometidos, podendo assim atribuir sua justiça a todos aqueles que escolham recebe-la. E por haver condenado o pecado na carne, abolindo em sua carne a inimizade, nos livra do poder da lei da herança; e pode assim, na justiça, comunicar seu poder e natureza divina a fim de elevar-nos sobre essa lei, mantendo por cima dela toda alma que o receba.
JONES, Alonzo T. O Caminho Consagrado à Perfeição Cristã. 1ª ed. Ed. Adventistas Históricos, 2011. pág. 33

Somente a justiça de Cristo tem o condão de elevar o pecador a altura da santidade da lei, capacitando-o amar e obedecer, rompendo com os desejos da velha natureza, segundo os ensinos de Paulo: "Portanto, não há mais nenhuma condenação esperando por aqueles que estão em união com o Messias Jesus. Por quê? Porque a lei do Espírito, que produz vida em união com o Messias Jesus, me libertou da lei do pecado e da morte. Pois aquilo que a lei não poderia fazer por si mesma, por lhe faltar poder para fazer a velha natureza cooperar, Deus o fez ao enviar o próprio filho como ser humano com a natureza semelhante à nossa. Ele o fez com objetivo de lidar com o pecado e, ao fazê-lo, executou a punição contra o pecado na natureza humana para que a justa exigência da lei fosse plenamente cumprida em nós, que não vivemos mais de acordo com os desejos de nossa velha natureza, mas segundo o que o espírito deseja. Pois quem se identifica com a velha natureza mantém a mente voltada para as coisas relativas a ela; mas quem se identifica com o Espirito tem a mente voltada para as coisas do Espirito. Ter a mente controlada pela antiga natureza é morte; ter, porém, a mente controlada pelo Espírito é vida e paz. Porque a mente controlada pela velha natureza é hostil em relação a Deus, por não se submeter à lei de Deus __ de fato, ela não o pode fazer. Desse modo, quem se identifica com a antiga natureza é incapaz de agradar a Deus. Entretanto, vocês não se identificam com a antiga natureza, mas com o Espírito __ se o Espírito de Deus vive em vocês, porque quem não tem o Espírito do Messias não pertence a ele." Romanos 8:1-9. Restou límpida a finalidade da lei, ou fim da lei, é Cristo imputando sua justiça no coração restaurando a semelhança divina, capacitando o pecador aceita-lo pela fé e obedecer à lei, pois, quem não tem o Espírito (justiça, ou natureza divina) de Cristo, não pertence a Ele, a natureza pecaminosa o pecado original é abominável sob a ótica divina.

No texto em comento, Paulo ensinou seus compatriotas a verdadeira finalidade da lei, entrementes, falharam ao buscar santificação e salvação pelas obras mortas do legalismo ou justiça própria, conforme relata o profeta: "Israel é uma videira estéril; dá fruto por si mesmo." Oséias 10:1. Israel obedeceu à lei, porém sem entendimento, desperdiçaram a justiça do Messias, o antidoto contra o formalismo, não conheceram a justiça de Deus. Como sabiamente prenota a irmã White:

Os judeus não podiam atingir a justiça por seus próprios esforços para guardar a lei. Em seu filho, Deus lhe oferecia a perfeita justiça da lei. Caso abrissem plenamente o coração para receber a Cristo, a própria vida de Deus. Seu amor, habitaria então neles, transformando-os à sua própria semelhança; e assim, mediante o dom gratuito de Deus, haviam de possuir a justiça exigida pela lei. Mas os fariseus rejeitaram a Cristo; não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer sua própria justiça (Romanos 10:3), não se submeteram à justiça de Deus.
WHITE, Ellen Golden. O Maior Discurso de Cristo. 16. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 2014. pág. 55

O erro cometido por Israel é repetido hoje. Os religiosos hodiernos, também rejeitam a justiça de Cristo, consequentemente recusam obedecer à lei, segundo confirma da irmã White:

Justiça própria é o perigo desta época; ela separa a alma de Cristo. Os que confiam em sua própria justiça não podem compreender como a salvação advém por meio de Cristo. Chamam o pecado de justiça, e a justiça de pecado.
WHITE, Ellen Golden. Fé e Obras, Ed. Casa Publicadora Brasileira, pág. 86

Por fim, é forçoso concluir. A lei é santa, justa e boa, noutro giro, o pecador sem Cristo, não tem justiça. Cristo é a justiça da Lei, o fim da lei, ou objetivo da Lei, leia-se, é Cristo quem empresta sua justiça para recuperar a semelhança divina capacitando o homem obedecer a lei. Contudo, os evangélicos, sufocados em pecados recusam receber justiça de Cristo para amar e obedecer a Lei, separados de Cristo, enaltecem o pecado sufocando a justiça, condenados a perdição.


O Segundo Texto Controvertido (Efésios 2:14-15)



Apesar de emergir argumentos entrincheirando suposta abolição da Lei por Cristo, não existe, deveras, qualquer evidência sólida nesse sentido. A obra de Jesus é o cerne da questão, com inequívoca linguagem ele revela sua atitude para com os estatutos divinos, asseverando exatamente o contrário: "Não cuideis que vim destruir a lei e os profetas". Tecendo algumas considerações neste sentido, a irmã White relata:

Cristo veio para demolir toda parede de separação e abrir todos os compartimentos do templo a fim de que toda alma possa ter livre acesso a Deus.
WHITE, Ellen Golden. Parábolas de Jesus. 8. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1987. pág. 386

Vê-se, portanto, Jesus quebrar a barreira de separação entre judeus e gentios, com esse propósito ele veio ao mundo, e não para destruir a Lei ou os profetas. Ademais, de acordo com o profeta Isaías ele veio engrandecer a lei, assunto estudado alhures, e concertar distorções, uma das distorções, Paulo descreveu: "Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio. Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz." Efésios 2:14-15. Obstinados defensores da abolição da Lei torcem o aludido texto fugindo do contexto, em sua ótica, Jesus derrubou a parede de separação cravando o decálogo na cruz do Calvário. A supracitada tese merece acurada análise, se a lei dos Dez Mandamentos é a parede de separação impedindo a salvação dos gentios, conclui-se, os gentios estão autorizados matar, roubar, adulterar, cobiçar, idolatrar para alcançar a salvação, leia-se, no teor da tese em comento, os Mandamentos apontando os pecados afasta os gentios da salvação, destarte, riscando ou cancelando a cédula, Jesus quebrou a barreira de separação permitindo os gentios conversos matar, idolatrar, furtar, adulterar, cobiçar isentos de pecados e dignos da salvação. Como visto, é absurdo a tese levantada, em verdade, os evangélicos ignoram completamente o destaque escrito por Paulo, meticulosamente o apóstolo relata qual é a parede de separação entre judeus e gentios, "a lei dos mandamentos, que consistem em ordenanças", com tipos e sombras apontando para Cristo, cujo benefício favorecia unicamente os judeus, criando um muro de separação.

No texto em comento, Paulo descreve a forma como Cristo derrubou a barreira de separação entre judeus e gentios, pacificando ambas as partes. O destemido apóstolo não autorizou o pecador penitente transgredir o Decálogo. Lembre-se, Israel era o povo eleito, uma nação santa e peculiar, unicamente os Hebreus tinham a promessa de salvação como nação: "O Deus deste povo de Israel escolheu nossos pais e exaltou o povo durante sua peregrinação na terra do Egito, donde os tirou com braço poderoso." Atos 13:17, os gentios não gozavam desta benesse. Alicerçado na aludida promessa Israel criou uma barreira de separação, alimentada por justiça própria, orgulho, egoísmo, nacionalismo e preconceito, taxando de indignos os gentios e samaritanos, excluindo-os inteiramente da salvação. No bojo do Testemunho da irmã White, ela descreve a situação dos israelitas no tempo de Cristo:

Nos dias de Cristo, o egoísmo, o orgulho e o preconceito haviam construído um alto muro de separação entre os indicados guardiões dos sagrados oráculos e qualquer outra nação do globo. Mas o Salvador viera mudar tudo isto. As palavras que o povo Lhe estava ouvindo dos lábios eram diversas de tudo quanto sempre tinham ouvido dos sacerdotes e rabis. Cristo derriba a parede de separação, o amor-próprio, o separatista preconceito de nacionalidade, e ensina amor a toda a família humana.
WHITE, Ellen Golden. O Maior Discurso de Cristo. 16. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 2014. pág. 42

Os ensinamentos de Jesus divergiam do nacionalismo judeu, preconceitos e formalismo religioso atraindo a atenção do povo, encantados com sua doutrina: "Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas." Mateus 7:28-29. A pregação de Jesus acendeu ódio ardente dos judeus, este, cresceu progressivamente motivado pela inveja frente aos irrefutáveis ensinamentos de Cristo, denunciando o nacionalismo judaico e hipocrisia acobertada com o manto do cerimonialismo e formalismo patológico. Esta barreira carecia de demolição.

Jesus desejava ensinar essa verdade a seus discípulos por palavras e obras. Os discípulos eram judeus, contaminados pelos ensinamentos pátrios, Jesus precisava quebrar a barreira de separação, os judeus deixariam de ser a nação santa:

Durante seu ministério terrestre Cristo deu início à obra de derribar o muro de separação entre judeus e gentios e apregoar a salvação a toda a humanidade. O Salvador ansiava por desdobrar aos discípulos a verdade referente à demolição da parede de separação entre Israel e as outras nações __ a verdade de que os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo co-participantes da promessa de Cristo Jesus por meio do evangelho. Efésios 3:6. Esta verdade foi revelada em parte quando Ele recompensou a fé do centurião de Cafarnaum, e quando pregou o evangelho aos habitantes de Sicar. Estas experiências ajudaram os discípulos a compreender que entre aqueles a quem muitos consideravam como indignos da salvação havia almas famintas pela luz da verdade.
WHITE, Ellen Golden. Atos dos Apóstolos. 3.ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1976. pág. 19

A salvação foi destinada somente aos judeus, até o fim do período de arrependimento com duração de setenta semanas prefigurada pelo profeta Daniel, a aludida barreira de separação foi quebrada no ano 34 com o martírio de Estevão e rejeição dos judeus como nação eleita.

Com a morte do Messias, os tipos e sombras cessaram junto com o aparato cerimonial, estas ordenanças perderam o vigor, a lei de ordenanças foi cravada na cruz, no entanto, a igreja apostólica continuou a obra de Cristo, evangelizaram Antioquia abrindo portas aos gentios: "Ali chegados, reunida a igreja, relataram quantas coisas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé." Atos 14:27. A barreira de separação foi quebrada. Com a morte de Estevão os judeus selaram sua rejeição como nação, endureceram seus corações negando o sacrifício do Messias, rejeitando sua doutrina: "Então Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Cumpria que a vós outros, em primeiro lugar, fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis ai que nos volvemos para os gentios." Atos 13:46. Os judeus teceram rede de perseguições aos discípulos passando a hostiliza-los com açoites, prisões e perseguições. A fúria medrou quando perceberam a quebra da barreira com aceitação da fé cristã pelos gentios.

A salvação estendeu-se a judeus e gentios pela fé mediante aceitação do sacrifício expiatório de Cristo, desta forma, de ambos os povos (judeus e gentios), Cristo fez um, demolindo a barreira de separação, ou lei de ordenanças (tipos e sombras), trazendo o evangelho da paz. É notório como os judeus desprezavam gentios e samaritanos, era proibido um judeu aproximar-se dos gentios, contudo, Deus derrubou a barreira de separação ao revelar o evangelho da paz: "Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo." Atos 10:28. A título de ilustração, diga-se, Pedro, foi repreendido por Paulo quando simulou não comer com os gentios, contaminado por preconceito pátrio.

Em sua infinita sabedoria, o Senhor deu uma visão a Pedro, culminado com a mudança de concepção do festejado apóstolo em ralação aos gentios, "então, viu o céu aberto e descendo um objeto como se fosse um grande lençol, o qual era baixado à terra pelas quatro pontas, contendo toda sorte de quadrúpedes, repteis da terra e aves do céu. E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Mas Pedro replicou: de nenhum modo, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum ou imunda. Segunda vez, a voz lhe falou: ao que Deus purificou não consideres imundo." Atos 10:11-15. O aludido texto sofre interpretações deturpadas motivadas por pastores e teólogos inescrupulosos, acreditam tratar-se de liberdade para degustar qualquer alimento sem nenhuma restrição, quando na verdade o Senhor iluminou o apóstolo Pedro acerca da quebra do muro de separação, doravante não existia separação entre judeus e gentios, o Senhor recolhia todos os penitentes debruçados aos pés de Cristo, confessando seus pecados almejando justificação pela fé e salvação.

Após esta visão, Pedro aprendeu a lição, os gentios também receberam a luz do evangelho, selando a paz entre os dois povos: "Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é agradável. Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos." Atos 10:34-36. Vê-se, portanto, Pedro e os apóstolos voltarem-se para os gentios, estendendo a rede do Evangelho em busca de almas, arrebanhando discípulos para constituir um povo dentre os gentios: "Expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de construir dentre eles um povo para o seu nome." Atos 15:14. Em assim sendo, Pedro se tornou apóstolo dos judeus e Paulo dos gentios. Não encontramos nos relatos bíblicos os apóstolos eximindo-se de obedecer ao Decálogo ou ensinar aos novos conversos rebelião contra a Lei.

Nesse viés, a lei dos dez mandamentos não pode ser incluída no contexto dos tipos e sombras cravados na cruz. Com efeito, o decálogo não é tipo nem sombra, foi instituído antes do pecado de Adão, assertiva endossada pela irmã White, verbis:

A lei moral jamais foi um tipo ou sobra. Existiu antes da criação do homem, e vigorará enquanto permanecer o trono de Deus.
WHITE, Ellen Golden. Mensagens Escolhidas, V.1. 2. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1985. pág. 239

Tão diferente da lei escrita pelo dedo de Deus é a lei de ordenanças recheada de cerimonialismo, esta lei era transitória, promulgada depois da concepção do pecado. Entrementes, pseudos cristãos defendem não haver diferenças de leis, ao seu viso, todas as leis foram cravadas na cruz, no entanto, as Escrituras expõe diferenças. A lei cunhada em tábuas de pedra, escrita com o dedo de Deus, não podia dar vida por si mesma, todavia, ela aponta o pecado e a necessidade da justiça de Cristo no coração do pecador para ser obedecida, verdade claramente ensinada por Paulo, escrevendo aos Coríntios: "E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto dos filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente. Não será a obra do espírito acompanhada de glória maior? Porque se o ministério da condenação foi gloria, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça." II Coríntios 3:7-9. Como exposto, Paulo chamou o sistema religioso judaico de ministério da morte, totalmente corroído e pervertido, não conseguia transmitir virtude aos praticantes, eivado de formalismo e justiça própria. Ele finaliza enaltecendo o ministério do Espírito, ou seja, Cristo imputando sua justiça no coração do pecador, florescendo vida espiritual nutrida pela fé, semelhante aos ramos ligados em uma videira.

No texto em comento, Paulo se refere à lei dos dez mandamentos iluminado o rosto de Moisés, prefigurando o reflexo da justiça de Cristo no ministério do Espírito habilitando o pecador obedecer a Lei. Assim sendo, após a morte de Cristo, como oferta pelo pecado, a lei cerimonial perdeu sua vigência. Nessa esteira, a irmã White contribui com explicações salutares acerca do tema:

A glória que resplandecia da face de Moisés era um reflexo da justiça de Cristo na lei. A lei em si não possuía glória, mas nela se acha incorporado Cristo. Não tem poder para salvar. É sem brilho, mas nela é representado Cristo, cheio de justiça e verdade.
A Moisés foi desdobrado o sentido dos tipos e sombras que apontavam a Cristo. Ele viu o fim daquilo que era transitório, quando, por ocasião da morte de Cristo, o tipo encontrou o antítipo. Viu ele que unicamente por Cristo pode o homem guardar a lei mora.
WHITE, Ellen Golden. Mensagens Escolhidas. V. 1. 2. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1985. pág. 237

Moisés conhecia o Plano de Redenção e seu cumprimento, a luz gloriosa iluminando seu rosto quando desceu do Sinai com as tábuas de pedra do Decálogo, simbolizava a necessidade do brilho da justiça de Cristo no coração humano para amar e obedecer aos Dez Mandamentos.

Meditando no texto em comento, se faz necessário indagar. O que era transitório? Com efeito, não foi à lei dos dez Mandamentos, como defendem alguns, mas, os símbolos de Cristo esculpidos nos tipos e sombras da lei cerimonial, estes eram transitórios, cujo cumprimento revela a verdade de Cristo, leia-se, sua justiça cobrindo o pecador em busca de perdão, por isso é chamado de ministério de morte, porque sem Cristo, o pecador encontrava-se condenado à morte sob o manto da maldição. Não olvidando, o rosto de Moisés foi iluminado representando a justiça de Cristo cobrindo o pecador para habilita-lo obedecer aos Mandamentos e liberta-lo da condenação da lei, esta exigia a morte do pecador ao ser quebrada. Neste sentido, a irmã White de forma gloriosa aduz:

Foi o ver o objetivo daquilo que era transitório, o ver Cristo tal como é revelado na lei, que iluminou a face de Moisés. O ministério da lei, escrita e gravada em pedra, era um ministério de morte. Sem Cristo, o transgressor era deixado sob sua maldição, sem nenhuma esperança de perdão. O ministério nenhuma glória possuía em si mesmo, mas o Salvador prometido, revelado nos símbolos e sombras da lei cerimonial, tornou gloriosa a lei moral.
WHITE, Ellen Golden. Mensagens Escolhidas, V. 1. 2. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1985. pág. 237

Como visto, uma luz gloriosa iluminou o rosto de Moisés quando desceu com a Lei, este evento é indicativo da iluminação do coração de Moisés da transição dos tipos e sombras juntamente com a lei cerimonial, conforme preconizava o Plano de Redenção.

Com certeza o homem estava condenado à morte, Jesus substituiu o pecador pagando a penalidade por todos, não somente pelos judeus. Atribuindo também sua justiça a todos os justificados pela fé. Destarte nos esclarece Alonzo:

Mediante sua morte, pagou a penalidade de todos os pecados cometidos, podendo assim atribuir sua justiça a todos aqueles que escolham recebe-la. E por haver condenado o pecado na carne, abolindo em sua carne a inimizade, nos livra do poder da lei da herança; e pode assim, na justiça, comunicar seu poder e natureza Divina a fim de elevar-nos sobre essa lei, mantendo por cima dela toda alma que o receba.
JONES, Alonzo T. O Caminho Consagrado à Perfeição Cristã. 1. ed. Ed. Adventistas Históricos, 2011. pág. 33

Como Jesus pode elevar o pecador à altura da santidade da Lei? Com certeza imputando sua justiça no coração humano, justificando e santificando-o, assim com a lei é justa e santa. Simplificando, Jesus remove a natureza decaída, pecaminosa inerente ao homem e o aperfeiçoa com sua natureza divina emprestada, santificando-o, tornando-o justo, elevando-o a altura da santidade da Lei escrita pelo dedo de Deus.

Em assim sendo, lemos: "vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, feito de mulher, feito súdito da lei." Gálatas 4:4. Em outro texto, o apóstolo Paulo relata: "Deus enviando a seu Filho em semelhança da carne de pecado, e por causa do pecado, condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei fosse cumprida em nós, que não andamos conforme a carne, mas conforme o Espírito." Romanos 8:3-4. Cristo nasceu de mulher, assumiu a natureza pós-lapsariana, para quebrar a barreira de separação entre judeu e gentios: "Porque Ele é nossa paz, ... destruindo em sua carne as inimizades, ... para edificar em Si mesmo os dois (Deus e o homem) em um novo homem, fazendo a paz." Efésios 2:14-15. Este controvertido texto de Efésios 2:14-15, relata a obra de Jesus, Ele trouxe paz harmonizando duas grandes inimizades. No primeiro momento, estudamos a inimizade entre judeus e gentios, esculpidos no elencado texto: "Ele veio e anunciou paz a vocês que estavam longe (gentios) e paz aos que estavam perto (judeus)." Efésios 2:17. Cristo pôs fim a hostilidade, animosidade e preconceito promovida pelos judeus. Expondo o evangelho da paz mediante seu Espírito aproximou os judeus carentes de reconciliação, embora abastecidos de conhecimento do Criador, separaram-se, consumidos por tradições e formalismo, necessitando da justiça do Mediador, tanto quanto os gentios.

A última parte do texto Efésios 2:15 relata o objetivo de Cristo, criar em si mesmo, dos dois, um novo homem fazendo a paz. Aqui conclui-se, Cristo veio reconciliar o pecador com Deus, haja vista, o pecado separar Deus dos homens (Isaías 59:2), ou seja, a natureza pecaminosa criou uma barreira de separação, somente Cristo imputando sua justiça pode quebrar a barreira de separação, tornando o homem capaz de obedecer por amor, estando acima da lei e reconciliado com o Criador. Como bem frisou, Jones: e pode assim, na justiça, comunicar seu poder e natureza divina a fim de elevar-nos sobre a lei, mantendo por cima dela toda alma que o receba. Sem resquício de dúvidas, o pecador sem justiça é incapaz de obedecer a Lei, encontra-se abaixo da Lei, com efeito será atingido por ela. Noutro giro, o pecador sob o manto da justiça de Cristo, com efeito, é santificado, capaz de obedecer a Lei por amor, ficando acima da Lei, sem transgredi-la.

Leia-se, estar acima da lei significa receber justiça (natureza divina), santificado na justiça de Cristo, portanto perfeitamente capaz de obedecer a santa lei de Deus, logo, a lei não foi feita para o justo, mas para os transgressores: "Sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas." I Timóteo 1:9. Em assim sendo, o pecador despido da justiça de Cristo está abaixo da lei, sujeito as penalidades normativas.

Por fim, é necessário expor outro texto merecedor de atenção, segundo narra às Escrituras: "Vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho, feito de mulher, feito súdito da lei." Gálatas 4:4. Cristo veio em forma humana, sujeito as mesmas tentações dos homens, por isso nasceu de mulher contraindo natureza pecaminosa:

Trajado com as vestes da humanidade, o Filho de Deus desceu ao nível daqueles que desejava salvar. Não havia nele culpa ou pecaminosidade; foi sempre puro e incontaminado; todavia tomou sobre si nossa natureza pecaminosa. Revestindo sua divindade com a humanidade, a fim de que Ele pudesse associar-se com a humanidade caída, Ele buscou resgatar para o homem aquilo que, pela desobediência, Adão tinha perdido.
Reviw and Herald, 22 de agosto de 1907

Jesus quebra investidas satânicas acerca da impossibilidade do pecador obedecer a Lei, por não satisfazer a exigência da sua santidade. Tomando natureza humana, Cristo prova a possibilidade de repor a perdida justiça divina, santificando o homem e habilitando-o a obedecer a Lei. Com efeito, Cristo não se beneficiou de sua natureza divina, embora contraindo natureza pecaminosa conservou a divina natureza. Necessitava temperar a natureza humana com sua natureza divina assemelhando-se a seus irmãos: "Pelo qual, devia em tudo ser semelhante aos irmãos, ... porque no que Ele mesmo padeceu sendo tentado, é poderoso para socorrer aos que são tentados." Hebreus 2:17-18, trata-se da única forma de resgatar os pecadores. Cristo precisava ser igual aos homens, sentir as mesmas coisas para comprovar a possibilidade de vencer a natureza perversa, herança do pecado. Segundo relatos de Gálatas 4:4-5, Deus enviou seu filho nascido de mulher, nascido debaixo da lei, para redimir quem estava debaixo da lei. Vindo como o fez, trouxe redenção a toda alma enlameada com o pecado.

Tudo isto, Jesus assumiu, ele foi feito súdito da lei; foi condenado pela lei e culpado como o é todo homem debaixo da lei, debaixo da condenação, tão plenamente como o é todo homem neste mundo: "porque maldição de Deus é todo o que é levado ao madeiro." Deuteronômio 21:23. Jesus foi exposto debaixo da lei, não porque houvesse pecado, mas, por assumir os pecados dos descendentes de Adão, sob o jugo da lei ou debaixo da lei, inundados em transgressões. Embora feito debaixo da lei pelos pecados dos homens, Jesus viveu uma vida de justiça neste mundo, assim, transmitiu aos homens a única forma de salvação, através da justificação pela fé (apagamento de pecados passados) e imputação de sua natureza divina (santificação) libertando da sentença de morte.

Nos evidentes escritos da lavra de Jones, o festejado pioneiro relata:

Levando a culpa, estando debaixo da condenação, e desta forma, debaixo do peso da maldição, Jesus, durante toda uma vida neste mundo de culpa, condenação e maldição, viveu a perfeita vida da justiça de Deus, sem pecar absolutamente jamais. E todo homem conhecedor da culpa, condenação e maldição do pecado, sabendo que Jesus realmente sentiu em sua experiência a benção da perfeita vida de justiça de Deus em sua vida, redimindo-o da culpa, da condenação e da maldição, manifestando-se ao longo de sua vida e guardando-o absolutamente de pecar.

Cristo foi feito debaixo da lei, para redimir pecadores debaixo da lei. Cristo nos redimiu da maldição da lei, sendo feito por nós maldição, esta é a finalidade do Plano de Redenção, segundo Jones:

Não é em vão que se fez maldição, já que justamente nisso consiste a consecução do fim almejado, em benefício de tudo o que se receba. Tudo isto se fez 'para que a benção de Abraão fosse sobre os gentios em Cristo Jesus; para que por meio da fé recebamos a promessa do Espírito'. Gálatas 3:14.

Na cruz Jesus cumpriu os tipos referentes ao primeiro advento escrito na Lei e profetas, quebrou o exclusivismo de Israel, concedendo salvação a todos os homens reconciliando-os com Deus, aperfeiçoando o pecador com a gloria de sua justiça para obedecer a Lei escrita por seu Pai. O objetivo do Plano de Redenção foi atingido, todos adquiriram acesso ao Pai pelo Espírito (natureza divina de Cristo) e não pelo legalismo alicerçado pela natureza pecaminosa: "Pois por meio dele tanto nós como vocês temos acesso ao Pai, por um só Espírito. Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular." Efésios 2:18-20. Restou claro, Cristo quebrou a barreira separando gentios de judeus, a cédula de ordenança, exclusivismo de Israel e preconceitos nacionalista e não a lei dos Dez Mandamentos, como alguns advogam.


O Terceiro Texto Controvertido (Colossenses 2:13-14)



Adão foi formado a imagem e semelhança do Criador, revestido com a natureza divina de Deus, quando pecou perdeu a natureza divina contraindo natureza pecaminosa, ou pecado original. Segundo relatos bíblicos, houve separação ente Deus e homem por conta da natureza pecaminosa,"as vossas iniquidades faze separação ente vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça." Isaías 59:2. Nesta condição, Adão e seus descendentes encontravam-se separados de Deus mortos em pecados, a lei foi violada, a humanidade perdeu a justiça tornando-se incapaz de obedecer a Lei, toda tentativa em obedecer, se justificar, santificar por esforço próprio, sem Cristo, é considerada por Deus como trapo de imundícia: "Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo de imundícia..." Isaías 64:6. Desprovido de justiça ou natureza divina, o pecador torna-se incapaz de amar e obedecer, em assim sendo, o Senhor proveu justiça emprestada do Messias, suprindo a deficiência humana reconciliando o pecador com o Pai: "Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será chamado: Senhor, Justiça Nossa." Jeremias 23:6. O festejado profeta expõe a deficiência humana, sem justiça, inclinada ao mal, dotada de natureza pecaminosa, egoísta, rebelde contra Deus e sua Lei. Portanto, é impossível o pecador observar a lei de Deus, a qual é santa, justa e boa: "e assim a Lei é santa, e o Mandamento santo, justo e bom." Romanos 7:12. O pecador depende da justiça de Cristo para amar e obedecer. Nossa natureza é má, rebelde e insaciável, precisa ser subjugada por Cristo, domada e substituída por sua divina natureza.

Como se viu, a graça de Deus foi estendida ao homem, com a real possibilidade de restaurar o pecador imputando a justiça de Cristo à alma arrependida e justificada. O sacrifício expiatório de Cristo em favor do pecador penitente pagou a dívida de morte, Cristo tem o condão de efetivamente imputar a natureza divina no coração do pecador para restaura-lo e santifica-lo, satisfazendo as reivindicações da lei. Portanto, Jesus é nossa justiça, somente através do Messias prometido a natureza humana pode ser mudada, tornando o pecador santo, justo e bom, como é a lei de Deus. Estávamos em dívida, separados de Deus, por esta razão Paulo escreveu o aludido texto, maliciosamente deturpado por muitos: "E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz." Colossenses 2:13-14. De acordo com o texto elencado, estávamos mortos em nossas transgressões, escravos dos pecados, sem Cristo e sua justiça. Um escrito de dívida ou sentença de morte era contra nós: "Porque, quando éreis escravos do pecado, estáveis isentos! Em relação à justiça. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor." Romanos 6:20;23. A supracitada nota de débito consistia em ordenanças, apontava o Messias, único capaz de doar vida e restaurar a natureza divina, cravando na cruz a lei de ordenanças com ritos e cerimonialismos, tipos direcionados a sua obra redentora. Dito isso, Paulo traz lume ao tema: "Pela graça sois salvo, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não das obras para que ninguém se glorie." Efésios 2:8-9. Vislumbra-se nos escritos de Paulo, Cristo cravando na cruz as ordenanças, pagando o escrito de dívida levantada contra nós, e não a Lei de Deus. Somos salvos pela graça, mediante o recebimento da justiça de Cristo e não por obras meritórias e formalistas, fruto da natureza pecaminosa. O homem não é salvo por obras fruto de seu esforço, mas, pela graça de Deus em lhe conceder a justiça de seu amado Filho, morto em uma cruz para pagar o preço do pecado.

Com efeito, o pecador não pode confiar em sua capacidade de amar e obedecer. Toda nossa vida religiosa é sustentada pelos méritos de Cristo. Nos esclarecedores ensinos da irmã WHITE, ela chama atenção para dois erros fatais cometidos pelos cristãos, o primeiro busca a salvação por suas obras, tentam o impossível, guardar a lei sem Cristo, o outro é confiar na salvação alicerçada unicamente na graça e fé, acreditam na salvação sem obediência a lei de Deus:

Há dois erros contra os quais os filhos de Deus — particularmente os que só há pouco vieram a confiar em Sua graça — devem, especialmente, precaver-se. O primeiro, do qual já tratamos, é o de tomar em consideração as suas próprias obras, confiando em qualquer coisa que possam fazer, a fim de pôr-se em harmonia com Deus. Aquele que procura tornar-se santo por suas próprias obras, guardando a lei, tenta o impossível. Tudo que o homem possa fazer sem Cristo, está poluído de egoísmo e pecado. É unicamente a graça de Cristo, pela fé, que nos pode tornar santos.
O erro oposto e não menos perigoso é o de que a crença em Cristo isente o homem da observância da lei de Deus; que, visto como só pela fé é que nos tornamos participantes da graça de Cristo, nossas obras nada têm que ver com nossa redenção.
Mas notai aqui que a obediência não é mera aquiescência externa, mas sim o serviço de amor. A lei de Deus é uma expressão de Sua própria natureza.
WHITE, Ellen Golden. Caminho a Cristo, 27. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1989, pág. 59-60

Obediência aos Mandamentos de Deus é a única forma do homem provar sua fé. Leia-se, obedecer a Lei exige revestimento da justiça de Cristo, santificando o pecador elevando-o a altura da santidade da Lei.

Segundo o Tratado de Teologia Adventista, pág. 2011. A graça de Deus estendida a todos os homens, por si só, não pode resolver o problema do pecado. Cristo morreu no lugar do pecador, atendendo a exigência da lei. A oportunidade de salvação estendida ao pecador, forçou Cristo se tornar maldito da lei, pendurado num madeiro (Deut. 21:22-23). Deus o fez pecado por nós, "aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fossemos feitos justiça de Deus." II Coríntios 5:21. Ele morreu na cruz, foi amaldiçoado em nosso lugar, para recebermos, pela fé o Espirito prometido (sua natureza divina): "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), para que a benção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espirito prometido." Gálatas 3:13-14. Na cruz, Cristo satisfez a sentença, morrendo em nosso lugar, e Deus demonstrou seu amor para conosco, "mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores." Romanos 5:8. Em contrapartida, coberto pelo manto da justiça de Cristo, provamos nosso amor a Deus, obedecendo à sã doutrina e sua Lei.

Por fim, é forçoso destacar, a graça de Deus e de Cristo eliminou a dívida, a sentença de morte, a condenação na cruz com suas ordenanças, e não a lei dos Dez Mandamentos: "A lei entrou em cena para que a ofensa fosse multiplicada; mas onde o pecado foi multiplicado, a graça o foi muito mais. Tudo isso aconteceu para que, do mesmo modo que o pecado reinou por meio da morte, possa também reinar a graça por fazer as pessoas serem consideradas justas, a fim de que possam ter vida eterna, mediante Jesus, o Messias, Nosso Senhor." Romanos 5:20-21. Quando o cristão, pela fé em Cristo aceita a graça de Deus, justificado pela fé recebe a justiça de Cristo, santificado, obedece incondicionalmente Estatutos, Preceitos e Leis, regados pelo amor e gratidão, caminhando, outrossim, em novidade de vida, "fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos para a glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida." Romanos 6:4, experimentando pela fé, o misericordioso perdão de Deus.



O Quarto Texto Controvertido (Gálatas 5:4)



À guisa de introdução, diga-se, Israel buscou a salvação pelas obras e não pela fé no Messias, confiaram em seus sacrifícios, rituais e cerimônias como forma de purificação e santificação, buscaram a justiça pelas obras da lei, em sendo assim, tropeçaram na pedra de tropeça, Cristo, único ser capaz de outorgar a justiça almejada: "Israel, que buscava a lei da justiça, não chegou a atingir essa lei. Por quê? Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras, tropeçaram na pedra de tropeço." Romanos 9:31-32. Por esta razão Jesus disse: "Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus." Mateus 5:20. Escribas e Fariseus exaltavam sua forma de religião alicerçada na justiça própria, no legalismo e na piedade superficial. Servir ao Criador transcende aparência de religiosidade, exige recuperar a natureza divina perdida. Cristo é o único ser capaz de restaurar o pecador e levantá-lo pela imputação da sua justiça no coração, capacitando-o a amar a sã doutrina e obedecer a Lei.

Alheio a exigência da Lei, Israel cometeu erro fatal, confiou em suas obras, na justificação meritória, observando a lei ancorados em práticas legalistas, rituais e cerimônias, em verdade, esse comportamento nega a obra expiatória de Cristo, porque, se a justiça é alcançada por méritos humanos o sacrifício de Cristo perde objeto, esse fato, obrigou o apóstolo Paulo escrever: "Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído." Gálatas 5:4. No teor do texto em comento, não cai da graça quem guarda a lei, mas, decai da graça quem tenta se justificar pelo legalismo da lei, tornando a morte de Cristo inútil: "Não rejeito o dom gracioso de Deus; porque, se o caminho para obtenção da justiça for mediante o legalismo, então a morte do Messias terá sido inútil." Gálatas 2:21. Decai da graça separando-se de Cristo quem busca justificação por esforço meritório, legalista, obedecer a lei formalmente, a única forma de obedecer a Lei legitimamente é pela imputação da justiça de Cristo no coração.

Para melhor fixar os conceitos; justificação é perdão de pecados passados. Justiça de Cristo é a imputação da natureza divina perdida por Adão, tornando o homem justo, santo, diante de Deus, como se ele não houvesse pecado. É o perdão da sentença de morte causada pelo pecado de Adão. A lei não pode perdoar pecados, a finalidade da lei é mostrar o pecado auxiliando o pecador justificado não voltar a pecar. Jesus se fez pecador, emprestou sua justiça para restaurar o caráter humano semelhante ao seu, tornando-o aceitável diante do Senhor. Neste sentido ensina a irmã White:

O caráter de Cristo substituirá o vosso caráter e sereis aceitos diante de Deus como se não houvésseis pecado.
WHITE, Ellen Golden. Caminho a Cristo. 27. ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1989 pág. 54

Como já exposto, a lei não pode apagar pecados nem justificar o pecador, sua função é revelar o pecado, para o penitente pecador, revestido da natureza divina afaste-se do pecado como lepra perniciosa: "Porquanto pelas obras da Lei nenhum homem será justificado diante dele; pois o que vem da Lei é o pleno conhecimento do pecado." Romanos 3:20. Sob a ótica das Escrituras, somente Cristo alicerçado na graça e pela fé, pode justificar o pecador, removendo a justiça própria (natureza pecaminosa) cobrindo-o com sua justiça, assim o homem nasce de novo como nova criatura: "Sendo justificado gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Jesus Cristo." Romanos 3:24. A justificação vem pela fé nos méritos de Cristo e não pela Lei, dízimos, ofertas ou prosperidade.

Nesse viés, Paulo confirma exaustivamente em diversos textos: a lei não justifica: "É, porventura, a lei contrária às promessas de Deus? De modo nenhum! Porque, se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade, seria procedente da lei." Gálatas 3:21. Destarte, existe abissal diferença entre justificação e justiça, contudo, ambas são obras de Cristo e não da Lei nem da profissão de fé.

A Bíblia não deixa dúvidas, a justificação (perdão de pecados passado) é unicamente través dos méritos de Cristo pela fé e não por intermédio da obediência legalista da lei: "É por intermédio dele, todo o que crê é justificado de todas as coisas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés." Atos 13:39. Nos esclarecedores escritos da irmã White, ela confirma, a justificação não advém da lei, mas da fé, assim como, a santificação vem da justiça de Cristo imputada no coração do crente. De fato, a justiça de Cristo torna o pecador penitente aceitável a Deus, santificando e puro. Não importa o quanto sua vida passada seja pecaminosa, se crê em Jesus como seu Salvador, será justificado permanecendo diante de Deus nas imaculadas vestes da justiça de Cristo. Insta deixar claro, debaixo de maldição está, quem ignorar esta esclarecedora verdade, confiando em seus méritos de obediência legalista da lei e cumprimento de dever para se justificar: "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo de maldição... É evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé." Gálatas 3:10-11. Obras da Lei, qual o significado? Trata-se de buscar justificação, santificação e justiça por seus méritos, obediência legalista da Lei. O apostolo repreende severamente quem acredita obedecer a lei e a doutrina ancorado em seu esforço formalista, segurando-se nas obras, justiça e santificação alicerçados em suas práticas religiosas, na aparência de sua fé, os tais, caíram da graça. Aos olhos humanos parecem perfeitos, contudo não passam de sepulturas caiadas, belas por fora, podres por dentro.

Nesta senda, negam a obra expiatória de Cristo rejeitando sua graça. Paulo endossa esta assertiva: "Mesmo assim, percebemos que a pessoa não é declarada justa por Deus com base na observância legalista dos mandamentos da lei, mas por meio da fidelidade decorrente da confiança no Messias Jesus. Portanto, nós também devemos depositar nossa confiança no Messias Jesus e sermos fiéis a ele, para sermos declarados justos com base na fidelidade decorrente na confiança no Messias, e não na observância legalista dos mandamentos da lei. Pois mediante a observância legalista dos mandamentos da lei ninguém será declarado justo." Gálatas 2:16. Cristo se fez maldição por nós, nos livrou da condenação do pecado, não temos justiça para pagar o preço exigido pelo quebrantamento da lei de Deus, então ele pagou o preço, tomou nosso lugar e emprestou sua justiça, assim: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós." Gálatas 3:13. Ao outorgar sua justiça, concede sua natureza divina, assim nos habilita amar e obedecer a lei de Deus. A única forma do pecador obedecer todos os Mandamentos por amor é santificado pela justifica de Cristo. Segundo o festejado apóstolo, justificados são os obedientes ao Decálogo e não simples ouvidores: "Porque não são os que ouvem a Lei que são justos aos olhos de Deus; mas os que obedecem à Lei, estes serão declarados justos." Romanos 2:13. Embora o apóstolo Paulo relate: "Serão declarados justos", na verdade só podemos obedecer a Lei depois de justificados, revestidos da justiça de Cristo. Se Cristo houvesse cravado a Lei na cruz, Paulo não exaltaria a lei dizendo: Só os justos obedecem a Lei, leia-se, o justo está no mesmo patamar de santidade, revestidos com o manto da justiça de Cristo, Justificados por Cristo independente da Lei: "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da le." Romanos 3:28. Por outro lado, os injustos transgridem a Lei, motivados pela natureza pecaminosa, estão sob o jugo da Lei. Outros se apegam as obras da lei, criam doutrinas formalista em nome da santidade, separando-se de Cristo e da graça, encontram-se em perene maldição. Outra classe nega vigência da Lei fugindo da guarda do Sábado, exaltando dia espúrio, o domingo pagão.

O texto elencado ensina claramente, justificados, são aqueles obedientes à lei, em verdade, só obedecem porque foram justificados, noutro giro, os transgressores da lei, estão na condição de desobediência porque não foram justificados por Cristo, acreditam na salvação somente pela graça confiados nos méritos de sua fé, trata-se de legalismo negacionista, autoconfiança, são cegos guiando cegos, trilhando o caminho de morte. Porque, "há caminho que ao homem parece direito, mas ao final dá em caminho de morte." Provérbios 14:12. A fé sem obras é morta, como um corpo sem espírito. Quem alimenta sua vida religiosa alicerçada unicamente na fé, caminha em vereda escorregadia. A fé é confirmada pelas obras.

A ingente maioria dos evangélicos torcem os contextos bíblicos, na vã tentativa de forçar Cristo abolir a lei, visando eximir-se de carregar a cruz, destarte, municiados de vários argumentos atacam a vigência da Lei alvejando inutiliza-la, um dos argumentos repousa sob o manto da doutrina dispensacionalista. Qual o significado da aludida doutrina? Na linha de colisão com as Escrituras, os defensores da supracitada tese, alegam, a dispensação da Lei (é o Velho Testamento), a dispensação da graça (é o Novo Testamento), com arrimo nos escritos do apóstolo João: "Porque a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo." João 1:17. . Na ótica dispensacionalista, com a morte de Cristo na cruz, a graça aboliu a Lei. Esqueceram de um detalhe singelo, no Velho Testamento já existia graça, ela não surgiu com a morte de Cristo, ou então, a salvação era pelas obras, em assim sendo, cometeram o cumulo do absurdo ressuscitando a doutrina da satisfação, anulando o sacrifício expiatório do Cordeiro de Deus.

Ademais, as Escrituras comprovam de forma cristalina, os homens de Deus no Velho Testamento foram salvos pela graça e não pela obediência formalista da lei, nesse sentido converge os escritos da lavra de Paulo. "Não foi por intermédio da Lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé. Pois se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa. Portanto procede da fé o ser herdeiro, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firmada a toda a descendência, não somente a que é da fé que teve Abraão, o qual é Pai de todos nós." Romanos 4:13-14. Diante do exposto, restou comprovado existência da graça no Velho Testamento, destarte, a graça não anulou a Lei. A genuína obediência da Lei só é possível pela natureza divina de Cristo alcançada pela graça, neste sentido confirma a irmã White:

Sem a graça de Cristo é impossível dar um só passo na obediência à Lei de Deus.
WHITE, Ellen Golden. Mensagens Escolhidas, V.1. 2.ed. Ed. Casa Publicadora Brasileira, 1985. pág. 371-372

Tanto no Velho como no Novo Testamento, a graça exerce sua função, independente da Lei. A doutrina dispensacionalista não passa de engodo satânico, visando aprisionar o pecador até findar o tempo da graça, perdendo oportunidade do livramento.

Nesse diapasão, nos dias do Apóstolo Paulo, Satanás levantou erros doutrinários acerca da lei, os aludidos sofismas, se estenderam aos dias atuais, entre eles destacam-se, legalismo e antinomismo.

Legalismo é o famigerado ensino da salvação ancorado nas obras, mérito humano, cerimônias e rituais formalistas despido da justiça de Cristo. Fincados em comportamento humano, separam-se de Cristo e sua justiça, caindo da graça desperdiçam as benesses da salvação.

Ainda no mesmo contexto, diga-se, Legalismo é o mau uso da Lei. É luta inglória, visando merecer salvação por seus próprios méritos na observância da Lei. É ato de procurar obter a salvação através do próprio esforço. Paulo combateu veementemente o legalismo, ele disse: "Não tendes nada de comum com Cristo, vós, que procurais a justificação na Lei; decaíste da graça." Gálatas 5:4. Segundo os escritos de Paulo, decai da graça quem busca a justificação pela lei, noutro giro, os revestidos da justiça de Cristo obedecem a lei, salvos pela graça mediante a fé nos méritos de Cristo, habilitados a amar e obedecer: "Porque é pela graça que fostes salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, porque é um dom de Deus, não vem igualmente das vossas obras praticadas sem a graça. Para que ninguém se glorie." Efésios 2:8-9. Sem resquício de dúvidas, a salvação é pela graça de Deus, não por mérito humano, implica dizer, a salvação não é pela obediência legalista da Lei, nem mediante exaltados méritos de fé.

Com efeito, o religioso legalista chega ao desplante de considerar-se nobre, santo, justo, perfeito e amoroso, superando a justiça do próprio Deus. Não sente necessidade da imputação da justiça divina, ao seu viso, sua justiça própria supera a justiça de Cristo. O legalismo é tão nefasto como o Antinomismo.

O Antinomismo, por seu turno, levanta tese alicerçada na salvação pela graça e fé somente, divorciada da Lei; para os defensores desta tese, não faz diferença alguma a forma do pecador viver e se conduzir. Os adeptos do antinomismo apoiam-se em textos paulinos, removendo contextos, dá-se, por exemplo: "Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus. Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeito, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra." Romanos 7:4-6. Ancorados no supracitado texto, marginalizam a Lei ignorando o verdadeiro sentido, no texto elencado o renomado apóstolo repreende legalismo, confiança nas obras humanas, sem os méritos de Cristo e não obediência da Lei revestido de justiça divina. Na mesma toada o apóstolo se expressa, no texto seguinte: "Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo." Gálatas 2:19. O contexto permanece, Paulo morreu para as obras da Lei, como fariseu o renomado apóstolo era legalista, no entanto, aprendeu a confiar em Cristo e no poder de sua justiça para amar e obedecer a Lei, contudo, os antinomistas, cegos por Satanás, não conseguem vislumbrar o verdadeiro contexto.

Como cediço, os antinomistas pregam a salvação unicamente pela fé, exaltam sua fé baseada em prosperidade secular, elevado número de membros pertencentes ao caminho largo e nos favores do Estado. Enaltecem fé interesseira e a capacidade de devolver dízimos e ofertas, barganhando prosperidade temporal. Em assim sendo, não demonstram nenhuma diferença para o legalista. O legalista acredita na santificação, obediência e salvação por sua capacidade de obedecer à lei. Os antinomistas, por seu turno, acreditam na santificação, obediência e salvação pelo poder de sua fé, de receber o Espirito Santo, falar suposta língua estranha, alcançar o êxtase e obedecer a lei dos dízimos, divorciados de Cristo. Qual a diferença do legalista para o antinomista? Nenhuma. O legalista enche o coração de presunção dizendo: Senhor estou salvo porque obedeço a Lei, noutro giro, se levanta o antinomista inchado de soberba, Senhor estou salvo porque tenho fé, aborreço a Lei, falo glossolalia, estou salvo no sangue de Jesus. Os dois acreditam se salvar apoiados nos méritos humanos, um por guardar a lei, outro por suposta fé, Em verdade, quem salva é Jesus, mediante graça, justificando o pecador pela fé, imputando sua justiça santificando-o. Os dois são condenados por tornar o sacrifício de Cristo inútil. O legalista anula o sacrifício de Cristo obedecendo à lei por esforço humano. Os antinomistas anulam o sacrifício expiatório de Cristo, ancorados na fé sem obras, sustentados em sua justiça própria, sem Cristo. Na verdade, os antinomistas são de certa forma legalistas, ambos, apoiam-se em sua capacidade. A diferença consiste nos legalistas se apoiarem na obediência à lei, por seus méritos, enquanto os antinomistas, se apoiam em seus méritos de fé, pagar dízimos e ofertas, sem os méritos de Cristo e imputação de sua justiça, ambos estão no mesmo barco da perdição. Destarte, o mundo está divido em três classes: Os Legalistas, Antinomistas e Remanescentes, estes últimos não confiam em seus méritos, portanto, buscam a justiça de Cristo para se cobrir.

No texto em comento, Paulo condena justiça pelas obras da lei, méritos humanos. Morrer para a lei, não significa ignorar, desobrigar obediência da lei, mas sim morrer para a lei como meio de justificação, ou seja, um reconhecimento, o pecador não pode ser justificado pelo legalismo da lei, ou pelo antinomismo da fé.

Acerca do tema, vislumbra-se pseudos evangélicos enaltecerem a expressão: “Não estamos debaixo da lei”, defendem com rigor a abolição da lei moral. Quando na verdade, estar debaixo da lei, significa atingido pela condenação imposta na lei por pecar (transgredir a lei). Nesse sentido, se manifesta o apóstolo exortando Timóteo, ele disse, a Lei não é feita para o justo (revestido da justiça de Cristo), este obedece, mas para os injustos, obstinados, ímpio, pecadores, irreligiosos matricidas e para todo transgressor da Lei, pecado é a transgressão da Lei. A lei não alcança o justo, revestido da justiça de Cristo, encontra-se acima da Lei. Quem não for agraciado pela justiça de Cristo, não pode ser justo, nem santo, incapaz de obedecer a Lei. De outro giro, a Lei põe debaixo de condenação, os transgressores dos Mandamentos de Deus tanto legalistas como antinomistas, religiosos ou ímpios.

Ainda no mesmo contexto, diga-se, estar acima da lei, não quer dizer desobrigado de cumpri-la, mas sim não ser culpado de sua transgressão. Não está debaixo da lei, quem obedece a lei. Quando transgredimos lei civil ou penal, incorremos em multa, prisão, ou outra punição cível. Se cumprirmos, obedecemos à lei, nada disso pesa sobre nós. De igual modo ocorre com a lei de Deus. Quando usada legitimamente: "Sabemos, todavia, que a Lei é boa, se alguém a usa de forma adequada. De igual modo, sabemos que ela não é feita para os justos, mas para os transgressores e insubmissos, para os perversos e pecadores, para os profanos e irreverentes, para os que matam pai e mãe, para os assassinos, para os que vivem na prática de imoralidades sexuais e os homossexuais em geral, para os sequestradores, para os mentirosos e os que fazem juramentos falsos; e para todo aquele que se revolta contra a sã doutrina." I Timóteo 1:8-10. "Todo aquele que pratica o pecado está também praticando o que é contra a Lei, e assim o pecado é aquilo que é contra a lei." I João 3:4. "Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum." Romanos 6:1-2. "Destruímos nós, pois, a lei com a fé? Longe disso: Antes, confirmamos a lei." Romanos 3:31. É forçoso concluir, os textos bíblicos interpretados no legítimo contexto, não deixam margem para dúvidas, enaltecem obediência da Lei. O problema dormita na forma de obedecer a Lei ou negar obediência. A justiça é alcançada pela fé, o pecador não tem justiça, não pode ser justo por esforço humano, carece de Cristo imputar sua justiça no coração para obedecer a Lei, após a justificação pela fé: "E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da Lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé." Filipenses 3:9. A Lei não tem justiça para fornecer ao homem, a justiça vem de Cristo, nos ditos de Jeremias: O Senhor justiça Nossa, o pecador perdeu a justiça na concepção do pecado de Adão, carecendo tomar emprestada do Salvador para obedecer a Lei, santa, justa e boa.



O Quinto Texto Controvertido (Lucas 16:16)



Generosa gama de religiosos diz possuir a verdade, contudo, continuam escravos da mentira, sofismas e enganos, defendendo erros fatais, outros reconhecem a existência de erros, contudo cultivam amizades na igreja com força suficiente para impedi-los de abraçar a verdadeira doutrina. Em assim sendo, desprezam conselhos divinos, segundo as Escrituras: "E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará." João 8:32. Para esses irmãos, a verdade ainda não os libertou dos vícios, vaidades, prazeres, relíquias e amizades terrenas contraídas em suas denominações religiosas. Não olvidando, o próprio Pilatos em João 18:38 perguntou para Jesus "o que é verdade?" Ele estava diante da maior verdade conhecida no mundo, e não fez caso dela. Alguns evangélicos seculares defendem exaustivamente a permanência da lei até Cristo, outros alegam, a lei e os profetas duraram até João, observem, eles não se harmonizam porque não conhecem e não querem conhecer a verdade com profundidade. Assim reza o supracitado texto, palco de controvérsias: "A lei e os profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem Se esforça por entrar nele." Lucas 16:16. Na concepção deturpada, a lei vigorou até Cristo, no entanto, convém indagar, e os profetas? Também foram cravados na cruz seus escritos?

Este é primeiro ponto a ser analisado, existiu profeta após João Batista? Com certeza sim, mentes atrofiadas isolam o versículo torcendo o verdadeiro sentido auxiliando o pai da mentira espalhar mentiras, negam vigência da lei, eximindo-se da obediência. Analisando os textos seguintes, observa-se existência de profetas depois de João Batista: "E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espirito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam." Atos 19:6. O aludido evento aconteceu no derramamento da chuva Temporã, depois do martírio de João. Em outro texto vislumbra-se a existência de quatro profetisas: "No dia seguinte, partimos e fomos para Cesareia; e, entrando na casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele. Tinha este, quatro filhas donzelas, que profetizavam. Demorando-nos ali alguns dias, desceu da Judéia um profeta chamado Ágabo." Atos 21:8-10. Com o derramamento da chuva Temporã, a existência de profetas tornou-se comum. A título de exemplo, as quatro filhas do cristão Ágabo.

Sem resquício de dúvidas, existiram profetas após João Batista. Em sendo assim, importa analisar se a obediência da lei foi exigida depois da morte de João Batista. Como é cediço, Jesus iniciou seu ministério depois de João Batista. Deixando a Galileia, Jesus instalou-se na Judéia, além do Jordão, cercado pelas multidões um jovem indagou: "Bom Mestre, que bem frei para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Porque me perguntas acerca do que é bom? Bom só existe um. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos." Mateus 19:16-17. Jesus respondeu à pergunta, na linha de colisão com entendimento evangélico, ele não desobrigou o pecador penitente da obediência à Lei, nem antes nem depois de João. Ao contrário senso, ele disse: Se queres ser salvo guarda os Mandamentos.

Para espancar qualquer resquício de dúvida levantada por maliciosos, se faz necessário perguntar. Quais mandamentos Jesus ordenou guardar? Era lei escrita por Moisés, posta em livro ou a lei escrita pelo dedo de Deus, codificada no Sinai? "E ele lhe perguntou: Quais? Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo." Mateus 19:18-19. No supracitado texto, Jesus cita os mandamentos cunhado no Decálogo, os mesmos mandamentos da Lei, odiados por pseudos evangélicos alegando durar até João Batista. Logo, descortina-se os enganos, Satanás, o deus das igrejas apostatadas, como serpente rastejante inocula veneno da incredulidade, estimulando transgressão da Lei, gerando rebelião contra Deus, abatendo a fé dos fracos. Outro gélido argumento suscitado pelos opositores, consiste no fato de Jesus não citar os outros mandamentos ao jovem rico. Entrementes, tal alegação comprova abolição da Lei? Com certeza não. Os agentes de Satanás não perdem tempo, aproveitam qualquer oportunidade para semear dúvidas. Em verdade a resistência dos opositores não se centraliza na Lei, seu foco é o Sábado, para eles o santo dia do Senhor foi abolido porque Jesus não o mencionou no texto supracitado. Outrossim, Jesus não mencionou os mandamentos referentes à idolatria, não chamar seu nome em vão, não cobiçar, dos dízimos, por quê? Aquele jovem era judeu, e fiel guardador não só do Sábado como dos demais mandamentos referentes ao Criador, esse foi o real motivo de Jesus não os citar. Jesus mencionou apenas os mandamentos alusivo ao próximo, exatamente os mandamentos violados pelo jovem, carente de amor ao próximo. Quando Jesus ordenou-lhes vender os bens e repartir com pobres, ele não atendeu, não amava ao próximo como alegara, recusou-se seguir Jesus porque não amava nem a si mesmo. Caso a obediência exigida por Jesus, recaísse apenas sobre os mandamentos citados, suscitaria tremenda contradição: "Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos." Tiago 2:10. Adentramos em ouro ponto polêmico, é possível guardar toda a Lei sem tropeçar? A resposta é depende! Ao cristão movido pela natureza pecaminosa, formalista, é impossível guardar qualquer um dos mandamentos. Mesmo apresentando aparência de piedade, sob a ótica humana parece perfeito, todavia o coração é vazio e pecaminoso. Por outro lado, o cristão alimentado da natureza divina de Cristo, se torna justo, guarda todos os mandamentos e os defende até a morte. Dá-se, por exemplo, os primitivos cristãos martirizados e Reformadores do século XVI, sob o fogo da inquisição.

O destemido apóstolo Paulo, deixou vasto legado do dever de obedecer a Lei. Ingressou no cristianismo aproximadamente vinte anos após a morte de Cristo e escreveu suas epístolas trinta anos após a morte do Messias. Em sua epístolas exalta a santidade da lei com veemência, afirmando acreditar na lei: "Porém confesso-te que, segundo o caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas." Atos 24:14. João vai além, de forma contundente, chama de mentiroso quem diz conhecer e não guarda os mandamentos: "Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade." I João 2:4.

Cuidado, não vos deixais iludir com a voz da serpente. A transgressão da lei de Deus é pecado, de acordo com ensinamento do apóstolo João: "Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei." I João 3:4. Nesta senda, como entender o controvertido texto de Lucas 16:16 afirmando, a lei e os profetas duraram somente até João Batista?

No livro de Mateus, Jesus explica de forma cristalina o verdadeiro sentido de seu ensinamento: "Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João." Mateus 11:13. A lei e os profetas profetizaram acerca da obra redentora de Cristo até João Batista. Quando João Batista pregava no deserto, não se exaltou, encaminhou as almas para o Messias, dizendo: "Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me desatar-lhe as correias das sandálias." Marcos 1:7. Quando Cristo iniciou seu ministério, findou a obra de João: "Convém que ele cresça e que eu diminua." João 3:30. Então Jesus começa seu ministério na proclamação do evangelho, após sua ressurreição, ele explica aos discípulos o cumprimento profético a seu respeito até o tempo de João, leia-se, os tipos de primeiro advento: "A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importa se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras." Lucas 24:44-45. Jesus, não pôs fim a Lei, muito menos sua vigência se estendeu somente até João. Findou as profecias, os tipos do primeiro advento referentes ao Messias, ele explicou o cumprimento profético a seus respeito na Lei e escritos dos profetas, anunciando o cumprimento dos tipos e sombras.

A lei e os profetas eram as Escrituras existentes em matéria de salvação no Antigo Testamento. Em assim sendo, a lei e os profetas, profetizaram do messias até a sua chegada, surgindo os Evangelhos, "Assim, pois, com muitas outras exortações anunciava o evangelho ao povo." Lucas 3:18, Ele veio complementar o Antigo Testamento, e não abolir a lei Moral dos Dez Mandamentos. Portanto, no legitimo contexto, Jesus disse: João Batista, todas as Escrituras dos profetas, e a lei se referiram à sua primeira vinda, para mostrar o que dele deveria cumprir como tipo do primeiro advento, todos contidos nos livros do Antigo Testamento: "Felipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José." João 1:45. Até João Batista, a lei e os profetas do antigo testamento, apontava símbolos e sistema sacrifical (sombras de Jesus). Indicando em qual tempo o reino de Deus seria anunciado. Jesus mesmo pregou: "O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelh." Marcos 1:15. Jesus cumpriu copiosamente tudo o que dele estava escrito na Lei, nos Salmos e nos Profetas. "Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei." Mateus 5:18. Sem faltar nenhum tipo ou sombra referente ao primeiro advento.




Autor: Walber Rodrigues Belo